26 de jun2013

Organizações sociais cariocas repudiam ação policial na Maré e pedem fim da criminalização das favelas

por pulsar brasil

Moradores protestaram contra operações policiais na Maré (foto:observatóriodefavela)

Uma nota assinada por dezenas de organizações e movimentos sociais do Rio de Janeiro condena a ação policial nas favelas da Maré que nos últimos dois dias deixou nove pessoas mortas. Também exigem o fim da criminalização dos moradores de favelas e de seu território, assim como a imediata desocupação das favelas da Maré pelas forças policiais.

A operação que foi iniciada na segunda-feira (24). A Polícia Militar do Estado do Rio (PMERJ) entrou na favela junto do Batalhão de Operações Especiais (Bope), armados com equipamentos de guerra, como caveirão, helicóptero e fuzis, e ocuparam o local.

A ocupação militar aconteceu após manifestação realizada em Bonsucesso pela redução do valor da passagem de ônibus, como as inúmeras que vêm sendo realizadas por todo o país desde o dia 6 de junho.

As ações da polícia levaram à morte de um morador na noite de segunda-feira (24). Um sargento do Bope também morreu na operação e a violência policial se intensificou, com mais nove pessoas assassinadas, numa clara demonstração de revide por parte do Estado.

No texto, as organizações ressaltam o tratamento diferenciado dado pela polícia quando as manifestações ocorrem em áreas mais ricas, como por exemplo na Barra da Tijuca, onde o Bope não esteve presente no combate ao arrastão que ocorreu na semana passada.

A nota também lembra que em dezembro de 2012 o Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (CDDPH) recomendou o fim da utilização de designações genéricas como “auto de resistência” e “resistência seguida de morte”. Ao invés desses termos, que justificariam a ação policial, defendem o registro de “morte decorrente de intervenção policial” ou, quando for o caso, “lesão corporal decorrente de intervenção policial”.

Em entrevista para o Radiotube, Jailson de Souza, coordenador da ONG Observatório de Favelas, que também foi atingida pelas operações policiais, questiona esses tipos de intervenções, que parecem um “ação de vingança”, que “não levam a lugar nenhum” e colocam a vida de pessoas inocentes em risco.

O governo federal também foi responsabilizado pelas organizações pelo que ocorre nas favelas cariocas. Isso por manter as tropas da Força Nacional de Segurança dentro da cidade, reproduzindo o mesmo modelo aplicado pelo governo estadual.  A nota está aberta para adesões de movimentos sociais e organizações através do e-mail contato@enpop.net (pulsar)

Ouça a entrevista que Jailson de Souza, coordenador da ONG Observatório de Favelas, cedeu a Jorge
Silva, do Radiotube.

26 de jun2013

MiniCom sugere que rádios públicas e comunitárias se tornem provedoras de internet banda larga

por pulsar brasil

Rádios comunitárias podem contribuir para serviço de banda larga em regiões do Norte e Nordeste (foto:Paulo Pinto)

Nesta terça-feira (25), o Departamento da Banda Larga do Ministério das Comunicações (MiniCom) chamou representantes de organizações das telecomunicações e de radiodifusão  para propor que rádios comunitárias e públicas possam se tornar provedores de internet. Estiveram presentes a Telebrás, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), a Associação de Rádios Públicas (Arpub) e a Associação Mundial de Rádios Comunitárias do Brasil (Amarc Brasil).

Como entidades sem fins lucrativos, ambos os serviços de radiodifusão, público e comunitário, poderão dispor de conexões sem fio à Internet sob a licencia Serviço Limitado Privado (SLP).

De acordo com o MiniCom, o licenciamento para os serviços seria simples e rápido e poderia ser feito em qualquer município do pais. Existem áreas, sobretudo rurais, que são classificadas como preferenciais, como Norte e Nordeste do Brasil.

A Telebrás explicou que poderão ser solicitadas licenças também em municípios onde já existem oferta do serviço por entidades comerciais. Francisco Zioguer, diretor comercial da Telebrás, acredita que as rádios poderão contribuir com maior alcance do serviço de banda larga se tiverem estrutura técnica e financeira suficiente.

No entanto, o custo da implementação do serviço varia de 4 mil a 16 mil reais, um valor alto para emissoras comunitárias que não têm fins de lucro. Por isso, seria necessário um projeto por parte de algum órgão público que garanta esse passo inicial.

Para Arthur William, representante nacional da Amarc Brasil, a possibilidade de oferecer o serviço em municípios com dificuldade de acesso à internet abre a possibilidade de reconhecimento do papel das rádios comunitárias no Brasil. No entanto, ele destaca que as comunitárias continuam sendo perseguidas dentro da sua principal atuação que é difusão de cultura e informação de suas comunidades.

Arthur também vê nessa proposta a possibilidade de criar alternativas para sustentabilidade das emissoras, já que , por exemplo, são proibidas de fazer publicidade. (pulsar)

Ouça os áudios:

Arthur William, da Amarc Brasil, fala sobre a possibilidade de comunitárias oferecerem serviço de banda larga.

O representante Nacional da Amarc Brasil fala sobre o serviço de banda larga e a sustentabilidade das comunitárias.

Francisco Zioguer, da Telebrás, fala sobre comunitárias e o serviço banda larga.

25 de jun2013

Reforma Política entra em pauta diante de crise da democracia representativa

por pulsar brasil

“É preciso radicalizar a democracia”, defende jurista. (foto: Wilson Dias/ABr)

Diante da onda de manifestações espalhadas pelo país, Dilma Rousseff  propôs a realização de um plebiscito sobre Reforma Política. Em questão, o próprio sistema de democracia representativa. A presidenta chegou a falar na convocação de uma Assembleia Constituinte específica sobre o assunto durante encontro com prefeitos e governadores dos 27 estados da federação.

Porém, após encontro nesta terça-feira (25) com representantes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Dilma  estuda outra possibilidade: a de realizar a reforma política via projeto de lei de iniciativa popular. Seriam necessárias um milhão e meio de assinaturas para que o texto chegasse ao Congresso Nacional. Nenhuma das duas opções exclui a realização da anunciada consulta à população.

Wadih Damous, presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB, avalia que existe “uma série de elementos da cidadania que hoje não está sendo contemplada”. Ele estará a frente do comitê de mobilização pela reforma política que a entidade acaba de criar no Rio de Janeiro.

Damous destaca que os protestos colocam o “dedo na ferida” e demonstram uma “crise da democracia representativa”, que limita a participação  ao voto.  Entre os principais pontos de mudança necessários destaca: o fim do financiamento privado de campanhas eleitorais; a revisão das “legendas partidárias de aluguel”; e o aumento de espaços de decisão popular direta a fim de “radicalizar a democracia”.

O jurista classifica as mobilizações pelo país como vigorosas. No entanto, demonstra preocupação diante da intolerância e da violência sofridas pelos  partidos políticos de esquerda que compõem as manifestações. Defende que a “forma partido como instrumento democrático não está superada”, mas precisa sim se aperfeiçoar. E explica que a posição nas ruas pelo “não-partido” fortalece grupos autoritários.

Em entrevista à Pulsar Brasil, Damous fala ainda sobre a violência da polícia militar, que promoveu repressão aos protestos e é uma constante “algoz das populações pobres, negras e faveladas”. Ele também critica a realização da Copa do Mundo de 2014 e das Olimpíadas de 2016, que “violam direitos humanos e ameaçam a soberania do país”. (pulsar)

Clique, escute e baixe o áudio:

Entrevista: Wadih Damous, presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB.

 

25 de jun2013

Sob pressão, governo suspende estudos para construção de hidrelétricas no rio Tapajós

por pulsar brasil

Mundukus se mobilizam contra barragens no Tapajós (foto: cimi)

Pressionado pela resistência dos indígenas Munduruku, o governo federal suspendeu as pesquisas da região do rio Tapajós para a construção de hidrelétricas. O anúncio foi feito durante reunião em praça pública no final do último domingo (23), em Jacareacanga, extremo oeste do Pará. Os pesquisadores que estavam em área indígena deixaram a cidade.

O ministro Gilberto Carvalho havia anunciado publicamente que não suspenderia nem obras, nem estudos. No entanto, a assessora da presidência da Fundação Nacional do Índio Lucia Alberg, afirmou que tanto o governo como a Funai estavam suspendendo qualquer pesquisa na região.

O chefe dos guerreiros Paygomuyatpu Munduruku disse estar feliz ao Centro Indigenista Missionário (Cimi) com a notícia, apesar de ainda não terem prova de que isso irá acontecer. No entanto, ressalta que não querem que os estudos sejam apenas suspensos mas cancelados.

Em maio e junho, os indígenas Munduruku realizaram um sem número de ações exigindo a suspensão das obras e estudos de barragens nos rios Tapajós e Teles Pires, onde vivem 13 mil pessoas do povo Munduruku. Dentre as ações, estão as ocupações que paralisaram as obras da usina hidrelétrica Belo Monte por 17 dias.

Também viajaram à capital federal, onde realizaram uma marcha e ocuparam a sede da Funai. Na última sexta-feira, expulsaram cerca de 25 pesquisadores da empresa Concremat, prestadora de serviços do Grupo de Estudos Tapajós, consórcio composto por Camargo Correia, GDF Suez e Eletrobras, entre outros.

Neste contexto,  os Munduruku sofreram um processo de criminalização, difamação e repressão por parte do governo federal. Notas públicas, declarações à imprensa e processos judiciais acusavam os indígenas de criminosos e mentirosos, questionando a legitimidade das lideranças Munduruku. Em resposta, os indígenas entraram com interpelação criminal contra declarações do ministro Gilberto Carvalho. (pulsar)

 

23 de jun2013

Passe Livre, sem-teto e movimentos da periferia farão atos em São Paulo

por pulsar brasil

MPL se une a movimento sem-teto e à periferia (foto: facebook)

O Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST), o grupo Periferia Ativa e o Movimento Passe Livre (MPL) convocaram para a próxima terça-feira (25), na zona sul de São Paulo, novos atos por melhoria dos serviços públicos e contra a violência policial.

A concentração às 7 horas na Praça do Campo Limpo e na estação de metrô Capão Redondo deve repetir as mobilizações convocadas na quarta-feira passada, voltadas para as regiões periféricas da capital. Guilherme Boulos, de coordenador nacional do MTST, explica que o movimento lamenta que as atuais manifestações estejam com pautas conservadoras. Por isso, estão organizando um ato com pautas claras e definidas.

A manifestação vai cobrar a desmilitarização da Polícia Militar, a redução do custo de vida e o controle público sobre os preços dos aluguéis. Na visão dos movimentos que atuam na periferia, a alta nos valores despendidos pelas famílias mensalmente em moradia torna inviável a habitação nas grandes cidades e agrava a pobreza.

Outra exigência é por saúde e educação, já que a Copa das Confederações aumentou a insatisfação com o investimento de recursos públicos em obras voltadas aos megaeventos. Além disso, os manifestantes vão promover a discussão sobre a “tarifa zero”, principal bandeira do Passe Livre.

A novidade em relação aos atos da semana passada na mesma região é justamente que o MPL estará concentrado na periferia neste dia. Nas últimas semanas, a necessidade de provocar a revogação do aumento da tarifa de ônibus, trem e metrô levou à concentração das manifestações no Centro. A militante do MPL Erica de Oliveira explica que conseguiram a revogação, portanto, o próximo passo seria a conquista da tarifa zero.

Em nota divulgada no sábado (22), com o título “Sobre a continuidade da luta”, o Passe Livre disse que não tomou a decisão de suspender os protestos. No texto, afirmou que “se antes diziam que baixar a passagem era impossível, a luta do povo provou que não é”. Também garante que transporte só será público de verdade quando for totalmente gratuito. (pulsar/brasilatual)

21 de jun2013

Forte aparato policial oprime manifestantes no Centro do Rio de Janeiro

por pulsar brasil

Polícia ataca manifestantes. (foto: arthur william/amarc)

O final da manifestação no Rio de Janeiro, na noite desta quinta-feira (20), foi marcado por uma desproporcional repressão do Batalhão de Choque. Balas de borracha, bombas de efeito moral e grandes carros blindados, conhecidos como Caveirões, ameaçaram os que foram às ruas. Alguns agentes também usaram armas de fogo.

Por volta das 19h, quando o protesto se aproximava da prefeitura, Centro da cidade, a iluminação pública caiu. Em meio ao breu, que o braço armado do Estado se voltou contra os que protestavam. O barulho das bombas era alto e trazia terror. Pouco depois, a iluminação foi restabelecida, mas o efeito do gás já sufocava os manifestantes.

Alguns não conseguiam abrir os olhos ou mesmo falar. Solidariamente, outros compartilhavam uma mistura de água e vinagre, e guiavam os que passavam mal. Crianças, jovens, adultos e idosos foram afetados. As bombas iam ao céu e se repartiam em três, caindo a muitos metros e em diferentes pontos da Avenida Presidente Vargas. Até mesmo um ônibus cheio de passageiros, que passava por um viaduto bem perto da Marquês da Sapucaí, foi atingido.

Desesperadas, as pessoas começavam a correr. Imediatamente, por causa do perigo de pisoteamento, outras gritavam “não corre, não corre!”. A investida da polícia militar não parava e a revolta de alguns, que já tinham feito fogueiras e respondido com paus e pedras, cresceu. Quando o alvo foi o Terreirão do Samba, onde são realizadas festas e transmissões dos jogos da Copa das Confederações, houve aplausos de alguns que estavam do lado oposto da larga via.

Muitas pessoas, principalmente jovens, começaram a quebrar agências bancárias, fachadas de prédios, placas de sinalização, lixeiras, câmeras de segurança. Na altura de uma biblioteca pública, ainda em construção, um grupo se uniu e clamou contra o quebra-quebra. Curiosamente, os mais exaltados respeitaram o pedido e partiram para outros alvos, como pardais de trânsito, lojas e lanchonetes de fast-food.

Ruas estreitas, laterais à Avenida Presidente Vargas, foram tomadas por tropas, o que impediu o livre escoamento das pessoas.  O cheiro de gás se sentia ao longe, dificultando ainda mais a volta para casa.  O gás foi tanto que entrou nos prédios, chegando inclusive a andares altos do Hospital Souza Aguiar. No cruzamento com a Rio Branco, outra importante via da capital fluminense, pessoas que andavam com seus cartazes e ainda gritavam reivindicações, foram surpreendidas por um Caveirão na contramão e mais bombas.

Nesse momento, já depois das 21h, foram ouvidos disparos de som diferente. Alertas como “é arma de fogo”, “é tiro de verdade” e “É o Bope!”, a famosa Tropa de Elite, despertaram uma correria tamanha que, dessa vez, não pôde ser controlada. Depois, era possível ver gotas de sangue pelas calçadas. No Rio de Janeiro, dados oficiais apontam que pelos menos 60 ficaram feridos.  Episódios de repressão também ocorreram nas Praças XV, Mauá e da Bandeira, nos arredores do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS), da UFRJ, onde estudantes se refugiavam, e nos bairros Lapa e Glória.

Algumas estações do Metrô Rio ficaram fechadas e apenas reabriram perto da meia-noite. Pessoas com medo buscavam abrigo em bares e portarias.  A violência chegou até Laranjeiras, já na Zona Sul da cidade, onde um grupo de manifestantes tentava chegar ao Palácio Guanabara, sede do governo estadual de Sérgio Cabral (PMDB).

As ações da polícia não pareciam tentar dispersar ou acalmar os ânimos, mas sim provocar as multidões. Por vezes, pessoas desconfiavam de agentes infiltrados, os P2, entre os que começavam as depredações.  Ainda durante o dia, antes de a polícia militar cometer estes atos de violência, agentes distribuíram panfletos que diziam: “Paz. Ajude-nos a proteger você”.

Clique e ouça o áudio:

Declarações de manifestantes que foram oprimidos pela polícia militar.

Fonte: Pulsar Brasil.

21 de jun2013

Com entrada de pautas conservadoras, Movimento Passe Livre decide não convocar mais protestos

por pulsar brasil

Movimento Passe Livre decide não convocar mais protestos

Após ataques e hostilidade contra os com militantes de partidos políticos e a entrada de pautas conservadoras nos protestos das últimas semanas em todo o país, o Movimento Passe Livre (MPL) decidiu que não fará mais convocação para manifestações.

Em entrevista à radio CBN, Douglas Beloni, que integra do movimento, destacou que alguns partidos participavam desde o começo do movimento pela redução das tarifas de ônibus, reivindicação que deu origem à onda de protestos.

Ele lembrou que desde o princípio os partidos estavam apoiando a luta contro o aumento das tarifas de transporte .

Douglas acrescentou, ainda, que o surgimento de pautas conservadoras também foi um dos motivos para suspender as convocações dos protestos. Ele citou como exemplo o fato de alguns manifestantes estarem pedindo pela diminuição da maioridade penal.

O ativista destacou que o Movimento Passe Livre tem como principal causa a luta por transporte público, mas que apoia as pautas de outros movimentos sociais. Ele também afirmou que continuarão “lutando pela tarifa zero, colhendo assinaturas para viabilizar um projeto de lei.”

Como um dos fundadores do Movimento Passe Livre em Fortaleza, o psicólogo Alexandre Zappa vê na decisão do MPL um recuo tático já que está se vendo uma despolitização das manifestações. Apesar da entrada das pautas conservadoras, ele considera positivo “o debate sobre a implicância do sujeito na luta política está sendo reacendido”. (pulsar)

Clique e ouça os áudios:

Alexandre Zappa, um dos fundadores do MPL, fala sobre o recuo do movimento nas manifestações.

Alexandre Zappa aponta para questões positivas na mobilizações atuais no Brasil.

 

20 de jun2013

Analistas apontam caminhos para reduzir tarifas sem tirar recursos de outras áreas

por pulsar brasil

Analistas dizem que tarifa zero é possível (imagem:outrasvias)

Analistas e pesquisadores afirmam apontam caminhos para redução de tarifa dos transportes sem que seja necessário retirar recursos de outras áreas adminsitrativas.

Em resposta à onda de protestos populares, os prefeitos Eduardo Paes (PMDB), do Rio de Janeiro,e  Fernando Haddad (PT), de São Paulo, anunciaram que a suspensão do aumento da tarifa de ônibus nas capitais. No entanto, disseram que irão subsidiar os custos retirando dinheiro de outras áreas de administração.

Em divulgação conjunta, o governo do Estado do Rio de Janeiro também anunciou que as tarifas dos demais meios de transporte públicos, como trens, barcas e metrô, serão reduzidas. O governador Sérgio Cabral (PMDB) ainda não se pronunciou sobre as reduções.

Pablo Ortellado, professor do curso de Políticas Públicas na Universidade de São Paulo, ressaltou que as grandes responsáveis pela queda do reajuste foram as milhares de pessoas que foram às ruas. Ele lembra que o Movimento Passe Livre (MPL) exerceu papel importante canalizando a indignação popular para uma pauta clara que é a redução da tarifa.

Ortellado apontou para um caminho possível e alternativo à retirada de dinheiro das outras áreas administrativas. Um deles é a municipalização da Cide, imposto que incide sobre os combustíveis. Dessa forma se retira recursos do transporte privado para injetá-los no público.

O engenheiro Lúcio Gregori, ex-secretário municipal dos Transportes na gestão de Luiza Erundina, criticou os governantes e afirma que tanto a cidade como o estado de São Paulo têm recursos para manter o preço da passagem e não prejudicar os demais serviços públicos.

Uma alternativa, segundo Gragori, seria cortar um pouco das verbas para publicidade não-obrigatória, além de impor “lucros menores aos empresários do setor, que até agora têm sido poupados”. (pulsar/brasilatual)

 

20 de jun2013

População se manifesta contra altos investimentos na Copa, no dia da estreia da Copa das Confederações em Fortaleza

por pulsar brasil

Manifestantes protestam próximos da Arena Castelão, em Fortaleza (foto: midianinja)

Em Fortaleza, uma manifestação realizada por cerca de 50 mil pessoas para protestar contra os altos gastos com a Copa do Mundo foi duramente reprimida pela Polícia Militar nesta quarta-feira (19). A população sofre com a falta de investimentos em áreas básicas como saúde, educação e segurança.

O protesto “ Mais Pão menos Circo , Copa para Quem?” foi iniciado pela manhã na BR-116 e tentou avançar para os arredores do estádio Castelão, onde a seleção brasileira jogava contra o México pela Copa das Confederações. Os manifestantes conseguiram furar o primeiro bloqueio feito pela Polícia Militar a cerca de 3 km do estádio, mas os policiais responderam com bombas de efeito moral e balas de borracha quando eles chegaram à segunda barreira policial.

Roger Pires, jornalista e membro do Comitê Popular da Copa de Fortaleza, explica que a manifestação surgiu de forma espontânea, através das redes sociais, mas que foi abraçado por diversos coletivos e movimentos sociais da cidade. Para ele, há uma relação evidente entre a luta pela redução das tarifas de transporte e a realização da Copa do Mundo, uma vez que os altos gastos anunciados pelos governos para os megaeventos esportivos contrastam com a falta de recursos para proporcionar mobilidade urbana de qualidade a baixos custos.

Há ainda outras questões envolvidas. Na capital do Ceará, a estimativa é que cerca de 5 mil famílias em mais de 20 comunidade sejam removidas para dar lugar às obras de mobilidade urbana. No entanto, afirmam que há muita falta de informação e diálogo com as comunidades.

No último dia 14, na véspera da abertura da Copa das Confederações no Brasil, a relatora especial da Organização das Nações Unidas (ONU), Raquel Rolnik, reconheceu que no meio deste processo muitos governos promovem despejos e deslocamentos forçados, além de pagar baixas indenizações. Ela explica que, como o reassentamento dessas famílias é dificultado, se criam condições inadequadas que acentuaram a desigualdade e aumentam os índices de pobreza. (pulsar)

Ouça o áudio:

Roger Pires, do Comitê Popular da Copa de Fortaleza, explica a relação entre preço das passagens e Copa do Mundo

19 de jun2013

Advogados utilizam preceitos constitucionais contra criminalização das rádios comunitárias no Rio Grande do Sul

por pulsar brasil

Sindicato de radios comerciais persegue comunitárias (foto:cmi)

O movimento de rádios comunitárias no Brasil está se mobilizando contra mais uma ofensiva ao direito à comunicação. Advogados da Associação Brasileira de Rádios comunitárias do Rio Grande do Sul (Abraço-RS) tem utilizado os preceitos constitucionais contra ações que visam criminalizar rádios comunitárias do estado.

 O Sindicato das Rádios Comerciais do Rio Grande do Sul (Sindiradio-RS) entrou com ações na Justiça Estadual contra 15 rádios comunitárias do estado. Em defesa do direito à comunicação, os advogados da Associação Brasileira de Rádios Comunitárias conseguiram a suspensão das liminares. De acordo com eles, os processos ferem a Constituição Federal.

 Outro ponto incluído na acusação contra as rádios comunitárias é em relação ao alcance da antena. Pela lei, a transmissão das emissoras só pode alcançar no máximo 1km de raio desde sua sede. Mas o advogado Leandro explica que uma limitação técnica inviabiliza o cumprimento dessa norma.

De acordo com ele, mesmo fazendo uso de transmissores licenciados pelo governo, as emissoras correm o risco de ultrapassar a área de alcance estabelecida, já que esta é determinada por fatores físicos e naturais.

 Ouça mais nessa reportagem.  (pulsar)

18 de jun2013

Audiência Pública sobre rádio digital rearfimou necessidade de rever lei das comunitárias

por pulsar brasil

Mulher ouve rádio pela primeira vez (foto:DarkRoastedBlend)

Apesar da pequena repercussão na mídia, o debate sobre o padrão de rádio digital a ser implantado no Brasil está sendo discutido pelas emissoras comunitárias. Durante uma audiência pública realizada na ultima sexta-feira (15), no Rio de Janeiro, pesquisadores apontaram para necessidade de atualizar a legislação de comunicação no país antes de efetuar a digitalização.

Dois padrões estão sendo testados pelo Ministério das Comunicações: o europeu Digital Radio Mondiale (DRM) e o estadunidense HD-Radio. Estiveram presentes na audiência representantes da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), da Associação Mundial de Rádios Comunitárias do Brasil (Amarc Brasil) e do Movimento Nacional de Rádios Comunitárias (MNRC).

Arthur William, representante da Amarc Brasil, afirmou que o debate sobre rádio digital “precisa acontecer à luz do que a gente precisa mudar na comunicação no Brasil”. Ele apontou diversos problemas que a norma que regula as rádios comunitárias, a lei 9.612, pode causar às emissoras na transferência do analógico para o digital.

Arthur explica, por exemplo, que as rádios comunitárias no Brasil são obrigadas, por lei, a atuar com muito baixa potência. Como os testes dos padrões a serem implantados são feitos com poucos watts, qualquer ruído urbano vai impedir que o rádio digital aconteça na rádio comunitária.

Rafael Diniz, representante do DRM Brasil, também ressaltou que a baixa potência das comunitárias atrapalha os testes. Ele discordou do representante da Abert, segundo o qual o rádio digital não seria interessante para os consumidores, pois não traria muitas diferenças em relação ao padrão analógico.

De acordo com Rafael, o rádio digital permitiria a criação com uma nova rede de comunicações livre, sem vigilância – como tem sido o caso da internet, com pluralidade de vozes.  Isso porque a nova tecnologia permite a multiprogramação e a interatividade, garantindo não só a transmissão de áudio mas de outros conteúdos multimídia.  (pulsar)

Ouça o áudios:

Rafael Diniz, do DRM Brasil, fala sobre as baixas potências das comunitárias nos testes de rádio digital.

Arthur William, representante da Amarc Brasil, fala sobre a baixa potência das rádios comunitárias e a digitalização do rádio.

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