Mais de 2 mil trabalhadores escravizados foram libertados em 2012

Publicado em 18/01/2013 - 16h09 | Atualizado em 18/01/2013 - 16h24

Pará é o estado com mais registros.
(Foto: Instituto Ethos)

O Grupo Especial de Fiscalização Móvel do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) contabilizou, em 2012, a libertação de 2 mil e 94 trabalhadores em condições semelhantes à escravidão. Entre os envolvidos, estão familiares da senadora Kátia Abreu (PSD-TO) e do banqueiro Daniel Dantas.

Na Fazenda Água Amarela foi registrada a exploração de 56 trabalhadores. O imóvel, que planta eucalipto e produz carvão no Tocantins, tem como co-proprietário André Luiza de Castro Abreu, irmão da senadora ruralista. Já Verônica Dantas, irmã de Daniel Dantas, e o ex-cunhado do banqueiro, Carlos Bernardo Torres Rodenburg, são donos da Agropecuária Santa Bárbara, no Pará. A fiscalização encontrou quatro trabalhadores em situação degradante na propriedade.

No total, os resgates de pessoas escravizadas ocorreram em 134 estabelecimentos, entre fazendas de gado, áreas de extração de madeira, carvoarias, canteiros de obra, oficinas de costura, dentre outros. O balanço foi publicado pela Repórter Brasil com base nos dados dos próprios órgãos fiscalizadores.

A libertação recorde de 2012 ocorreu no setor do carvão, e envolveu três das maiores siderúrgicas do Pará: Sidepar, Cosipar e Ibérica. Foram 150 pessoas resgatadas e a operação descobriu ainda crimes ambientais, emissão de notas fiscais falsas e até ameaças a trabalhadores. Outra siderúrgica autuada foi a Viena, também no Pará.

A segunda maior libertação ocorreu na única usina de cana flagrada com trabalho escravo no ano passado. Foram 125 trabalhadores encontrados na usina Sabaralcool, no Paraná. Os trabalhadores eram migrantes da Bahia, Pernambuco e Maranhão. Outro setor que teve número significativo de resgates foi a sojicultura, com 144 trabalhadores.

As pessoas resgatadas da escravidão contemporânea foram submetidas a péssimas condições de alojamento, transporte e alimentação. Existem casos em que eram obrigadas a comprar seus próprios instrumentos de trabalho e a contrair dívidas com os contratantes. Também é comum flagrantes de trabalhadores em locais sem energia, água potável e até mesmo sem banheiros. (pulsar)

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