Obras de Belo Monte afetam vida de indígenas no rio Xingu

Publicado em 11/01/2013 - 16h25 | Atualizado em 11/01/2013 - 16h57

Indígenas Juruna bloqueam passagem para canteiro de obra de Belo Monte (foto: ABr)

Teve fim a ocupação feita por cerca de 50 índigenas da etnia Juruna no sítio Pimentel que dá acesso a um dos três canteiros de obra da hidrelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu, no Pará. A ocupação, que teve início na segunda-feira (7), durou três dias e terminou após uma negociação entre indígenas, a Norte Energia e o governo federal.

Em entrevista à Rede Brasil Atual, Antônia Melo, uma das lideranças do Movimento Xingu Vivo Para Sempre, contou que uma das principais demandas dos indígenas se deve à qualidade da água do rio Xingu que banha as aldeias indígenas.

Com as obras, a água ficou quase sem possibilidade de uso, principalmente para consumo e pesca, além de haver casos de contaminação na pele. Por isso, segundo Antônia, os indígenas tiveram a intenção de “chamar a atenção da empresa responsável pelas obras, a Norte Energia, e do governo federal, para ter seus direitos respeitados”.

A ativista lembra também que as condicionantes da licença ambiental de Belo Monte ainda não foram cumpridas. E denuncia o fato do Banco Nacional do Desenvolvimento (BNDES) ter concedido 5 bilhões e meio de reais para a construção da hidrelétrica.

De acordo com Antônia, as medidas negociadas nesta quarta-feira (9) entre os indígenas, governo federal e a Norte Energia foram apenas um paliativas.  Segundo ela, a situação nas aldeias é grave, onde faltam educação e saúde de qualidade. A ativista ressalta que há muitos interesses políticos e econômicos por trás dos empreendimentos que afetam a região, ocorrendo um “saqueamento” dos recursos naturais e o desrespeito aos direitos das comunidades locais.

Ouça nos links abaixo, os áudios da entrevista com Antônia Melo:

Antônia Melo explica qual a principal reivindicação dos indígenas Juruna.

A ativista critica a atuação do governo federal em relação à Usina de Belo Monte

Antônia fala sobre os desafios dos impactos dos empreendimentos na Bacia Grande do Xingu. (pulsar/brasilatual)

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