População se manifesta contra altos investimentos na Copa, no dia da estreia da Copa das Confederações em Fortaleza

Publicado em 20/06/2013 - 11h55 | Atualizado em 20/06/2013 - 16h24

Manifestantes protestam próximos da Arena Castelão, em Fortaleza (foto: midianinja)

Em Fortaleza, uma manifestação realizada por cerca de 50 mil pessoas para protestar contra os altos gastos com a Copa do Mundo foi duramente reprimida pela Polícia Militar nesta quarta-feira (19). A população sofre com a falta de investimentos em áreas básicas como saúde, educação e segurança.

O protesto “ Mais Pão menos Circo , Copa para Quem?” foi iniciado pela manhã na BR-116 e tentou avançar para os arredores do estádio Castelão, onde a seleção brasileira jogava contra o México pela Copa das Confederações. Os manifestantes conseguiram furar o primeiro bloqueio feito pela Polícia Militar a cerca de 3 km do estádio, mas os policiais responderam com bombas de efeito moral e balas de borracha quando eles chegaram à segunda barreira policial.

Roger Pires, jornalista e membro do Comitê Popular da Copa de Fortaleza, explica que a manifestação surgiu de forma espontânea, através das redes sociais, mas que foi abraçado por diversos coletivos e movimentos sociais da cidade. Para ele, há uma relação evidente entre a luta pela redução das tarifas de transporte e a realização da Copa do Mundo, uma vez que os altos gastos anunciados pelos governos para os megaeventos esportivos contrastam com a falta de recursos para proporcionar mobilidade urbana de qualidade a baixos custos.

Há ainda outras questões envolvidas. Na capital do Ceará, a estimativa é que cerca de 5 mil famílias em mais de 20 comunidade sejam removidas para dar lugar às obras de mobilidade urbana. No entanto, afirmam que há muita falta de informação e diálogo com as comunidades.

No último dia 14, na véspera da abertura da Copa das Confederações no Brasil, a relatora especial da Organização das Nações Unidas (ONU), Raquel Rolnik, reconheceu que no meio deste processo muitos governos promovem despejos e deslocamentos forçados, além de pagar baixas indenizações. Ela explica que, como o reassentamento dessas famílias é dificultado, se criam condições inadequadas que acentuaram a desigualdade e aumentam os índices de pobreza. (pulsar)

Ouça o áudio:

Roger Pires, do Comitê Popular da Copa de Fortaleza, explica a relação entre preço das passagens e Copa do Mundo

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