Sob pressão, governo suspende estudos para construção de hidrelétricas no rio Tapajós

Publicado em 25/06/2013 - 12h41 | Atualizado em 25/06/2013 - 13h15

Mundukus se mobilizam contra barragens no Tapajós (foto: cimi)

Pressionado pela resistência dos indígenas Munduruku, o governo federal suspendeu as pesquisas da região do rio Tapajós para a construção de hidrelétricas. O anúncio foi feito durante reunião em praça pública no final do último domingo (23), em Jacareacanga, extremo oeste do Pará. Os pesquisadores que estavam em área indígena deixaram a cidade.

O ministro Gilberto Carvalho havia anunciado publicamente que não suspenderia nem obras, nem estudos. No entanto, a assessora da presidência da Fundação Nacional do Índio Lucia Alberg, afirmou que tanto o governo como a Funai estavam suspendendo qualquer pesquisa na região.

O chefe dos guerreiros Paygomuyatpu Munduruku disse estar feliz ao Centro Indigenista Missionário (Cimi) com a notícia, apesar de ainda não terem prova de que isso irá acontecer. No entanto, ressalta que não querem que os estudos sejam apenas suspensos mas cancelados.

Em maio e junho, os indígenas Munduruku realizaram um sem número de ações exigindo a suspensão das obras e estudos de barragens nos rios Tapajós e Teles Pires, onde vivem 13 mil pessoas do povo Munduruku. Dentre as ações, estão as ocupações que paralisaram as obras da usina hidrelétrica Belo Monte por 17 dias.

Também viajaram à capital federal, onde realizaram uma marcha e ocuparam a sede da Funai. Na última sexta-feira, expulsaram cerca de 25 pesquisadores da empresa Concremat, prestadora de serviços do Grupo de Estudos Tapajós, consórcio composto por Camargo Correia, GDF Suez e Eletrobras, entre outros.

Neste contexto,  os Munduruku sofreram um processo de criminalização, difamação e repressão por parte do governo federal. Notas públicas, declarações à imprensa e processos judiciais acusavam os indígenas de criminosos e mentirosos, questionando a legitimidade das lideranças Munduruku. Em resposta, os indígenas entraram com interpelação criminal contra declarações do ministro Gilberto Carvalho. (pulsar)

 

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