17 de maio2013

Malária atinge 14% dos Pirahã e mais uma criança indígena morre no Amazonas

por pulsar brasil

Indígenas carecem de saúde pública e de qualidade no Amazonas (foto: cimi)

Cerca de 40 casos de malária foram constatados entre os indígenas Pirahã do município de Manicoré, no Amazonas. A população total dessa etnia na região é de 286 pessoas, o que significa que cerca de 14% está afetada pela doença.

De acordo com informações do Conselho Missionário Indigenista (Cimi), os indígenas pirahã ou mura-pirahã são caçadores e coletores, de pouco contato com os não-indígenas. Eles habitam um trecho das terras cortadas pelos rios amazonenses Marmelos e Maici.

Segundo Helton Rodrigues Paes, coordenador da Organização dos Povos Indígenas Torá, Tenharim, Apurinã, Mura e Parintintin e Pirahã (Opittampp), mais cinco caos de malária foram confirmados nos últimos dias.

Os acometidos pela doença, transmitida pela picada do mosquito do gênero Anopheles fêmea, não quiseram se deslocar para a cidade, para onde a Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) leva os doentes. Para Helton, isso evidencia um problema, já que “equipe deveria ficar na área para acompanhar o tratamento” dos indígenas.

Também no Amazonas, no Vale do Javari, outro caso aponta para a necessidade de se fortalecer a saúde pública voltada  aos indígenas no estado. Vítima de pneumonia grave, uma criança indígena morreu no último domingo (12) em Atalaia do Norte. João Capistana Kulina, de nem um ano de idade, pertencia à aldeia Campinas.

Em entrevista ao Cimi, Clovis Rufino Marubo, da Associação Marubo de São Sebastião (Amas), contou que “os indígenas estão revoltados com esse estado de coisas”. Com a morte dessa criança indígena, sobe para onze o total de óbitos registrados na região do Vale do Javari entre janeiro e maio deste ano, de acordo com dados do Conselho Distrital de Saúde Indígena (Condisi). (pulsar)

4 de mar2013

Em 12 anos, custos com doenças ambientais em Manaus somaram 286 milhões de reais

por pulsar brasil

Lixo em meio às palafitas no Rio Negro. (foto: agência fiocruz)

Em 12 anos, a soma dos custos das doenças fortemente atribuíveis a fatores ambientais em Manaus foi estimada em 286 milhões de reais, segundo pesquisa ligada à Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

O valor inclui gastos hospitalares e com dias de trabalho resultantes da permanência de doentes em leitos de hospitais.

Em entrevista à Agência Fiocruz de Notícias, o professor que conduziu o estudo, Marcilio Sandro de Medeiros, contou que a metodologia está agora sendo aplicada para toda a Amazônia Legal.

Medeiros explica que “o objetivo do projeto é ajudar a estabelecer prioridades no emprego dos recursos públicos, que são escassos, e criar ferramentas para dialogar com os gestores e a sociedade sobre as prioridades” na Saúde.

Das doenças estudadas, as diarreias têm a maior fração atribuível a fatores ambientais: 94% dos casos. As infecções respiratórias das vias aéreas inferiores respondem por 41%. Já as doenças cardiovasculares, por 16%. Realizada de 1998 a 2009, a investigação revelou que esses três problemas  somam 78,6% das doenças por causas ambientais, que incluem poluição do ar, água, falta de saneamento, entre outras. Os outros 21,4% incluem tuberculose, malária, hepatites, dengue, crescimento exagerado de células e consumo de álcool e outras drogas.

A pesquisa faz parte do projeto Abordagem Ecossistêmica para o Desenvolvimento de Indicadores e Cenários de Sustentabilidade Ambiental e de Saúde em Manaus. (pulsar)

5 de fev2013

Após morte de crianças, Justiça determina medidas urgentes à saúde indígena no Amazonas

por pulsar brasil

Comunidade Hupda apenas tem acesso por via fluvial. (foto: danilo paiva ramos)

Um surto de virose já vitimou duas crianças Hupda e deixou pelo menos outros 13 indígenas da etnia doentes no Amazonas. Diante disso, a Justiça determinou que a comunidade, localizada no Alto Rio Negro, receba constantes visitas de profissionais de saúde até que se encerre o problema.

Nove médicos deverão atuar no prazo de 60 dias e um canal de comunicação avançado com as aldeias da região deverá ser aberto. Isso para tornar rápido o deslocamento de pacientes e evitar mais mortes. A União também deverá promover deslocamentos mensais de equipes de odontólogos a partir deste mês, mediante o fornecimento de combustível e meios de transporte.

Está prevista multa diária que pode variar de 10 a 30 mil reais para cada item descumprido da decisão, contra a qual ainda cabe recurso. As providências à Justiça foram solicitadas pelo Ministério Público Federal (MPF) no Amazonas no último dia 30 de janeiro.

No entanto, de acordo com informações da Procuradoria da República no Amazonas, o órgão já havia ajuizado uma ação sobre o tema ainda em meados de 2010. Na época, o Ministério Público relatou a gravidade da situação dos mais de 30 mil indígenas da região. Os pedidos de solução, negados anteriormente, somente foram atendidos agora, após a morte de duas crianças indígenas.

A comunidade indígena afetada pela virose fica a 852 quilômetros de Manaus. Assim como a dos Hupda, a maioria das aldeias nessa região do Amazonas possui acesso apenas por via fluvial. O procurador Julio José Araujo Junior lembra, porém, que essa característica não pode servir como desculpa para o mau atendimento de saúde. Ele afirma que Distrito Sanitário Especial Indígena (Dsei) do Alto Rio Negro possui meios e recursos para prestar serviços de forma mais efetiva, o que não vem ocorrendo. (pulsar)

25 de jan2013

Indígena Munduruku de 14 anos foi vítima de agressão sexual no Amazonas

por pulsar brasil

Terra indígena fica às margens do Rio Canumã. (foto: tripmondo)

Dois jovens de 20 e 22 anos foram presos na cidade de Borba, no Amazonas, acusados de estuprar uma indígena Munduruku de apenas 14 anos. Eles teriam dado bebida alcoólica e outras drogas à menina para, em seguida, cometerem o estupro.

De acordo com informações do Conselho Missionário Indigenista (Cimi), a violência aconteceu na noite da última terça-feira (22). Na tarde do dia seguinte, os dois acusados foram apresentados na delegacia de polícia, onde foi lavrado o flagrante.

A vítima, acompanhada de seu pai, também foi conduzida à cidade de Borba. A adolescente indígena foi levada ao hospital, onde foi feito exame de conjunção carnal. A menina da etnia Munduruku está recebendo acompanhamento do Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) e do Conselho Tutelar.

Segundo a psicóloga Mônica Carvalho, a indígena se queixa com frequência de dores e está com dificuldades para andar. Devido ao seu estado de saúde, permanecerá na cidade de Borba por mais alguns dias.

Os acusados pelo estupro moram na comunidade Foz do Canumã, localizada em rio de mesmo nome, próxima à Terra Indígena Kwatá Laranjal, habitada por indígenas Munduruku e Sateré Mawé. O local está a aproximadamente 150 quilômetros da capital amazonense Manaus. O transporte dos acusados e da indígena só foi possível com apoio de comunitários, que forneceram a embarcação. (pulsar)