10 de abr2013

Indígenas da América Latina demandam participação em espaços de poder político

por pulsar brasil

O PIA foi fundado em agosto de 1987.

Representantes indígenas de países que integram o Parlamento Indígena da América (PIA) se reúnem a partir desta segunda-feira (9), na Nicarágua, para analisar demandas e respostas dos Estados às necessidades dos povos tradicionais do continente.

O presidente do PIA, Hugo Carrillo, disse que a maioria da população indígena não está representada em sistemas parlamentáres. Dessa maneira, os temas importantes desses povos tradicionais não são debatidos.

A liderança apontou a inclusão dessas pautas como um desafio. Carrillo reconheceu que houve avanços para os povos indígenas no campo legislativo no Peru, Equador e Bolívia, mas ressaltou que ainda se requer mais reconhecimento dos direitos indígenas.

O deputado nicaraguense Brooklyn Rivera, do partido indígena Yatama, aliado do partido do governo da Frente Sandinista, concorda que o balanço de representação dos povos indígenas nas Américas é insuficiente.

Rivera disse é preciso que a presença de indígenas nos parlamentos chegue por outras vias e não pelos processos de seleção feitos atualmente pelos partidos políticos. E defendeu uma espécie de distrito eleitoral que facilite a eleição dos representantes indígenas.

A Nicarágua está pendente com uma sentença da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (Cidh) que aponta a reforma da Lei Eleitoral do país a fim de permitir a eleição de indígenas baseados nas suas próprias tradições e costumes. Enquanto isso, os Miskitos, Mayagnas, Creole y Rama, que habitam a costa nicaraguense do Caribe, enfrentam limitações a serviços básicos e de infraestrutura, apesar dos programas governamentais.

Situações semelhantes a essa foram relatadas por lideranças indígenas de outros países que participam da reunião número 13 do PIA: México, Guatemala, Honduras, Nicarágua, Costa Rica, Panamá, Colômbia, Equador, Peru, Bolívia, Venezuela, Chile, Argentina, Paraguai e Brasil. (pulsar)

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22 de fev2013

FAO defende agricultura familiar como central na eliminação da fome na América Latina

por pulsar brasil

Agricultura familiar produz 70% dos alimentos consumidos pelos brasileiros. (foto: uipi)

Enquanto a agricultura empresarial visa maximizar lucros, a agricultura familiar não olha apenas para os rendimentos, mas para outros objetivos como segurança alimentar e o cuidado com o meio ambiente. Assim diferenciou Salomón Salcedo, representante da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) na América Latina e Caribe.

Ele alerta que, nos próximos 30 anos, a população chegará a 9 bilhões de pessoas, o que significa que será preciso aumentar a produção de alimentos de 60 a 70% e, em alguns países, em 100%. Isso em meio às mudanças climáticas e a recursos limitados.

Diante dessa realidade, Salcedo lembra que a agricultura familiar se adapta melhor às crises. Por ter propriedades menores e plantações diversificadas, reage mais facilmente às mudanças provocadas pelo ambiente ou por pragas. Fato que não ocorre nas grandes propriedades, que geralmente são de monocultivo.

O representante da FAO manifestou ainda que os latifúndios não são os únicos que podem realizar atividades agrárias em escala, comprando insumos mais baratos. Garantiu que essa ideia “é um mito”, já que “tudo depende de como se usa os recursos eficientemente”. Salcedo afirma que a agricultura familiar é o eixo principal na eliminação da fome e da insegurança alimentar na América Latina.

Sobre a concentração de terras, ele aponta que a solução deste “complexo problema” depende que como se incrementa incentivos para fomentar um modelo de desenvolvimento agrário que se baseie na agricultura familiar e não nos latifúndios. Ele destacou que essas são “decisões internas da política” em cada país.

De acordo com a FAO, a agricultura familiar chega a representar mais de 60% da produção total de alimentos e mais de 70% do emprego no setor. No Brasil, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), ocupa apenas um quarto da área destinada à agropecuária. Ainda assim, é o trabalho de pequenos agricultores e agricultoras que garante cerca de 70% dos alimentos que chegam à mesa da população.

Áudio: Salomón Salcedo, da FAO, explica que a agricultura familiar tem mais facilidade em lidar com crises.

Versão em espanhol. (pulsar)