28 de jun2013

Maré chama população carioca para ato contra genocídio nas favelas

por pulsar brasil

Manifestação na Maré contra a violência e por direitos. (Foto: Vânia Bento/O Cidadão)

O Conjunto de Favelas da Maré, no subúrbio carioca, convida a população do Rio de Janeiro a se solidarizar com as lutas de resistência à violência policial. Junto a organizações e movimentos sociais, moradores convocam uma manifestação para a próxima terça-feira (2).

Em nota, registram que o ato acontece em decorrência do “brutal assassinato de 13 pessoas” na comunidade. O documento destaca que os que vivem da Maré não querem que mais “mães chorem lágrimas de sangue” e repudia a criminalização da pobreza.

O texto salienta que a segurança pública é um direito. Porém, ao realizar operações policiais violentas, aponta que o Estado vê os moradores de favelas como “pobres sem nome e sobrenome”. A moradora da Maré Gizele Martins destaca que a favela é colocada à margem, mas faz parte da cidade. Ela afirma que, em meio às manifestações que ocorrem pelo país, os moradores da Maré estão sendo impedidos de protestar.

A comunicadora popular criticou o que ocorreu no último dia 20 de junho, quando houve uma desproporcional repressão do Batalhão de Choque ao protesto que tomou as ruas do Centro da capital fluminense. Porém, comparou com a situação da favela. Disse que no cotidiano da Maré as balas são de fuzil, e não de borracha.

A jovem questiona a política de pacificação do governo estadual de Sérgio Cabral (PMDB) e de José Mariano Beltrame, secretário de Segurança do Estado do Rio de Janeiro. E lembra que o aumento da violência policial na Maré coincide com o início da Copa das Confederações, quando as entradas da favela foram ocupadas pela Força Nacional.

A Maré possui 16 comunidades, onde vivem cerca de 130 mil habitantes. Nesta entrevista, Gizele fala sobre a criminalização dessa população pelo Estado e pelos grandes meios de comunicação comercial. Esses e outros temas, como a luta por moradia, saúde e educação, serão pautas da manifestação. Os participantes se concentrarão no dia 2 de julho, a partir das 15h, na Passarela 8 da Avenida Brasil, via que margeia esta favela carioca. (pulsar)

Clique, ouça e baixe o áudio:

Entrevista com a comunicadora popular e moradora da Maré Gizele Martins.

27 de jun2013

Manifestantes culpam polícia e Fifa por violência em protestos de Minas Gerais

por pulsar brasil

Repressão policial a manifestantes em Belo Horizonte (foto: Henriette Mourão)

O Comitê Popular dos Atingidos pela Copa (COPAC) de Belo Horizonte, grupo que denuncia os impactos negativos causados pela realização da Copa do Mundo na cidade, divulgou nota em que responsabiliza a Fifa e a ação da polícia pela violência ocorrida na manifestação desta quarta-feira (26).

O protesto terminou em conflitos entre policiais e um grupo de manifestantes. Há relatos sobre dezenas de pessoas feridas, todas civis. O estudante Douglas Henrique de Oliveira Souza, de 21 anos, morreu depois de cair do viaduto José de Alencar.

Cerca de 100 mil pessoas participaram do protesto. Os manifestantes se concentraram no Centro e se dirigiram ao estádio do Mineirão, onde a seleção brasileira de futebol venceria o Uruguai pela semifinal da Copa das Confederações.

Apesar da negociação ocorrida na véspera entre o governo do estado e movimentos sociais, alguns manifestantes começaram a forçar a barreira física montada perto do estádio e foram duramente reprimidos por policiais.

Para Amanda Couto de Medeiros, do COPAC, a ação da polícia foi desmedida e intolerante. Ela conta que em todas as manifestações ocorridas nos últimos dias, as forças policiais mineiras não têm sido usadas para garantir a proteção da população, mas para garantir a privatização dos espaços públicos em prol da Fifa.

Amanda criticou, ainda, o que chamou de “terror midiático” e a “dicotomia criada entre ‘manifestantes’ e ‘vândalos’”. Para ela, a resistência empreendida por alguns jovens diante da violência policial reflete a revolta após ações de abuso e repressão.

Em nota, o Comitê Popular afirma que, embora não promova nem estimule ações diretas contra o patrimônio, os chamados “atos de vandalismo” não justificam uma “ação de repressão que coloca a vida das pessoas em risco”.

Clique e ouça os áudios:

Amanda diz que a polícia é utilizada para garantir a privatização dos espaços públicos em prol da Fifa.

A integrante do COPAC critica “dicotomia entre ‘manifestantes’ e ‘vândalos’ “

 

 

14 de jun2013

Torneio entre comunidades ameaçadas de remoção no Rio marca estreia do Saci Pererê como Mascote Popular da Copa

por pulsar brasil

14 equipes de nove comunidades se enfrentam na Copa Popular: Saci é a estrela

Copa das Confederações vai começar no Rio de Janeiro esse final de semana. No entanto, movimentos sociais e moradores de comunidades estão dando mais atenção a um outro torneio. A Copa Popular Contra as Remoções, marcada para acontecer neste sábado (15), data de abertura do campeonato da FIFA, vai reunir equipes de nove diferentes comunidades ameaçadas de remoção na cidade.

A intenção é denunciar os despejos arbitrários realizados em nome da Copa do Mundo e as Olimpíadas e promover a aproximação entre moradores de diferentes regiões. O evento marca ainda a estreia do Mascote Popular da Copa do Mundo: o Saci Pererê, que promete rivalizar com o impopular Fuleco, mascote escolhido pela FIFA para simbolizar a Copa de 2014.

Serão dez times masculinos e quatro femininos. Os jogos acontecerão a partir das 9h em um campo no bairro da Gamboa, Zona Portuária do Rio. O terreno, que era da União, será destinado à construção de moradias populares graças à pressão de movimentos sociais de luta pela moradia.

O evento é organizado pelo Comitê Popular da Copa e é aberto a todos. A previsão é de que os campeões sejam conhecidos no início da tarde. A partir de 13h, uma roda de funk da APAFunk (Associação de Profissionais e Amigos do Funk) vai animar a festa de jogadores e torcedores.

Às 16h tem início a festa junina organizada por moradores de ocupações de luta por moradia na região. O endereço da Copa Popular Contra as Remoções é Rua da Gamboa, 345, ao lado da Cidade do Samba, na altura do Armazém 11 do cais do porto. (pulsar)