17 de jul2013

ONU quer investigar relação entre megaeventos esportivos e saneamento; governo impede visita de relatora

por pulsar brasil

Moradores da Rocinha questionam prioridades: teleférico pro turismo ou saneamento para os moradores? (Foto: Flavio Carvalho)

A Relatoria Especial sobre direito à água e saneamento básico das Nações Unidas quer saber qual a relação entre Copa, Olimpíadas, acesso à água e saneamento básico. A intenção era coletar denúncias junto à Articulação Nacional dos Comitês Populares da Copa (Ancop) durante missão ao país que duraria 10 dias e aconteceria até esta sexta-feira (19).

No entanto, no último dia 4, o governo federal vetou a vinda da portuguesa Catarina de Albuquerque, relatora da ONU no assunto. Segundo o blog do jornalista Jamil Chade, a ordem saiu do gabinete da presidenta Dilma Rousseff e o motivo seria evitar a visibilidade de problemas sociais em um momento de grandes manifestações.

Para Giselle Tanaka, do Comitê Popular da Copa e das Olimpíadas do Rio de Janeiro, o país perdeu uma excelente oportunidade para questionar as violações de direitos no contexto dos megaeventos esportivos. A pesquisadora do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional (IPPUR/UFRJ) destaca que há problemas de abastecimento de água e de falta de tratamento de esgoto em comunidades ameaçadas de remoção.

Um exemplo é a Vila Autódromo, na zona oeste do Rio, ameaçada de remoção para a construção do Parque Olímpico. Os moradores convivem com esgoto lançado in natura por condomínios de alta renda no córrego que margeia a comunidade. Há mais de 20 anos, no entanto, existe uma manifestação favorável da administração regional pela implantação de saneamento básico no local.

Próximo dali, a comunidade Arroio Pavuna, também pressionada para remoção, teve a água cortada no início de julho. Giselle lembra ainda dos teleféricos construídos com dinheiro público em outras comunidades cariocas que sofrem com a falta de saneamento básico, como Alemão e Providência. Recentemente, moradores da Rocinha iniciaram uma campanha contra a construção de um novo teleférico citando a falta de investimentos em saneamento. (pulsar)

 

12 de jul2013

Torcedores reagem à proibição de bandeiras e instrumentos musicais no Maracanã

por pulsar brasil

Bandeiras, bandeirões, instrumentos musicais: proibidos no Maracanã privatizado

Nesta quinta-feira (11), o Consórcio Maracanã S/A anunciou uma série de restrições aos torcedores no estádio. Segundo João Borba, presidente do grupo formado pelas empresas Odebrecht, IMX e AEG, o uso de artefatos tradicionalmente presentes nas festas das torcidas no Maracanã será impedido.

Isso inclui o veto a bandeiras de bambu, bandeirões, instrumentos de percussão e fogos de artifício de qualquer natureza. Não será permitido tampouco assistir ao jogo em pé ou sem camisa. O anúncio reforçou argumentos críticos à concessão do Maracanã e causou revolta entre grupos de torcedores.

Para o estudante Lucas Pedretti, membro da torcida Guerreiros do Almirante, do Vasco, a privatização já era negativa por descaracterizar arquitetonicamente o estádio e por resultar na derrubada dos prédios históricos do complexo do Maracanã. Segundo ele, com o anúncio das proibições, o novo gestor “enterra de vez o antigo Maracanã” e confirma o “processo de elitização e de expulsão do torcedor tradicional”.

Flavio Vilela, representante da Frente Nacional dos Torcedores (FNT), caracteriza a postura do consórcio como “covardia”, uma vez que reprime justamente os responsáveis pela “mística” do Maracanã. Em sua opinião, o tradicional canto “O Maraca é Nosso!” está sendo substituído por uma percepção de um estádio reservado aos que podem pagar altos preços e aceitarão as proibições.

Medidas de imposição cultural em meio à preparação para Copa do Mundo de 2014 já vêm sendo criticadas. Em março, a Fifa afirmou que seria necessário “reeducar” os torcedores brasileiros. Houve, ainda, polêmicas sobre a proibição de festas de São João na Bahia durante a Copa das Confederações, e da venda de acarajé na Arena Fonte Nova. No anúncio feito ontem, o presidente do Consórcio Maracanã S/A caracterizou as restrições como “mudança de hábito”. (pulsar)