26 de maio2017

BRASIL VIVE MOMENTO PERIGOSO PARA A LIBERDADE DE EXPRESSÃO

por deniseviola

Violência, repressão, Forças Armadas convocadas. Este foi o saldo do Ocupa Brasília, manifestação que reuniu milhares de pessoas na capital federal na última quarta-feira (24) contra as reformas da Previdência e trabalhista e por diretas já. A convocação do Exército foi extremamente criticada e o Conselho Nacional dos Direitos Humanos (CNDH) divulgou uma nota de repúdio por considerar a medida inadmissível. Para avaliar os riscos para a liberdade de expressão e manifestação nesse contexto, a Pulsar Brasil conversou com Iara Moura, jornalista, conselheira do CNDH, coordenadora da Comissão Permanente do Direito à Comunicação e Liberdade de Expressão e integrante do Intervozes.

Iara Moura conta que a violência da Polícia Militar (PM) começou ainda na concentração do ato. Ela considera a atuação da PM totalmente desproporcional por se tratar de uma manifestação legítima. Moura acredita que, mesmo revogado o decreto que convocou as Forças Armadas, foi aberto um precedente perigoso de violação de direitos constitucionais. A nota de repúdio do CNDH foi enviada inclusive para a ONU (Organização das Nações Unidas) e OEA (Organização dos Estados Americanos).

A jornalista lembra que episódios de violação de direitos têm sido frequentes no governo de Michel Temer. Já foram várias ocasiões em que o direito à liberdade de expressão não foi respeitado. Iara Moura acredita que a violência da última quarta foi o ápice e os movimentos sociais precisam estar cada vez mais atentos.

Iara Moura destaca ainda a campanha “Calar jamais!” do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação, que desde 2016 reúne denúncias de violações. (pulsar)

Para ouvir Iara Moura clique em http://brasil.agenciapulsar.org/mais/politica/brasil-mais/brasil-vive-momento-perigoso-para-a-liberdade-de-expressao/

10 de mar2017

No interior do Ceará, mulheres se mobilizam por direitos e contra a Reforma da Previdência

por deniseviola
Mulheres realizam ato no Ceará pelo 8 de março (foto: reprodução)

Mulheres realizam ato no Ceará pelo 8 de março (foto: reprodução)

Na última quarta-feira (8), foram muitas as mobilizações pelo Brasil e pelo mundo para lembrar o Dia Internacional da Mulher. Nas grandes capitais ou no interior, as mulheres foram para as ruas por seus direitos. Na região do Cariri, no sul do Ceará, mais de 500 mulheres participaram do dia de luta na cidade do Crato.

De acordo com Célia Rodrigues, comunicadora de gênero e integrante da Rede de Mulheres da Associação Mundial de Rádios Comunitárias (AMARC) e da Frente de Mulheres de Movimentos do Cariri, a principal reivindicação do ato foi contra a Reforma da Previdência, que, se aprovada, vai prejudicar sobretudo as mulheres trabalhadoras.

A mobilização foi organizada pela Frente de Mulheres de Movimentos do Cariri, que reúne mulheres das mais diversas origens. O calendário de atividades está previsto para todo o mês, chamado de março lilás, e o encerramento será no dia 31 com uma aula pública da professora Rivânia Moura, da Universidade Estadual do Rio Grande do Norte, sobre a Reforma da Previdência. (pulsar)

*Acesse a matéria com os áudios aqui

10 de mar2017

No Rio, mulheres ocupam as ruas contra violência e retrocesso social

por deniseviola
Centro do Rio de Janeiro tomado pelas mulheres durante o 8 de março (foto: Dilliany Justino)

Centro do Rio de Janeiro tomado pelas mulheres durante o 8 de março (foto: Dilliany Justino)

“Nem uma a menos!”. Com corpos pintados, cartazes, faixas e muita criatividade as feministas marcharam na Avenida Rio Branco, no centro do Rio de Janeiro, na última quarta-feira (8). As manifestantes denunciaram  o machismo, a desigualdade de gênero e o impacto do retrocesso político do país na vida das mulheres, com destaque para a Reforma da Previdência, que pretende igualar o tempo de contribuição entre homens e mulheres.

De acordo com a organização da Greve Internacional de Mulheres no Rio, o ato reuniu cerca de 10 mil pessoas. A concentração ocorreu na Candelária a partir das quatro horas da tarde e terminou na Praça Quinze com performances e apresentações culturais.

A boliviana Marcela Farfán mora no Rio de Janeiro há seis anos e faz parte do Coletivo Madalenas RJ e Mulheres Latino-Americanas. Para ela, as organizações e coletivos estão mais articulados  e diversos, incluindo uma maior aproximação entre o feminismo latino-americano. De acordo com Farfán, as manifestações feministas  estão ganhando proporções globais, principalmente por trazer à tona a discussão sobre ‘como seria a sociedade se as mulheres parassem de produzir’.

Já a professora de Direito da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) Luciana Boiteux  ressaltou os ataques conservadores que o país tem sofrido. Segundo ela, o Brasil vive uma ofensiva conservadora machista refletida no próprio governo. Boiteux destacou que os órgãos que deveriam defender o direito das mulheres, estão perdendo status e estrutura na execução de políticas públicas voltadas para esse público.

Performance durante o 8 de março no Rio de Janeiro (foto: Dilliany Justino)

Performance durante o 8 de março no Rio de Janeiro (foto: Dilliany Justino)

O esvaziamento dos órgãos destinados à defesa dos direitos da mulher pode ter uma consequência grave para a redução do índice de violência do principal grupo de risco: as mulheres negras. Dados  do Mapa da Violência 2015, apontam que os casos de homicídios de mulheres negras aumentou 54% em dez anos no Brasil, enquanto que o número de homicídios de mulheres brancas caiu 9,8%.

Claudia Vitalino é presidente estadual da UNEGRO (União de Negros e Negras pela Igualdade). Segundo ela, o alto número de mortes de mulheres negras deve ser incorporado como uma das pautas principais do movimento feminista.

As vozes que ecoaram pelas ruas cariocas exigindo o fim do assédio e o direito de escolha do próprio corpo não estavam sozinhas. Ao todo, 70 cidades brasileiras realizaram atos para mostrar que o papel da mulher está muito além de ‘cuidar dos afazeres domésticos’. (pulsar)

*Acesse a matéria com os áudios aqui.

27 de jun2013

Manifestantes culpam polícia e Fifa por violência em protestos de Minas Gerais

por pulsar brasil

Repressão policial a manifestantes em Belo Horizonte (foto: Henriette Mourão)

O Comitê Popular dos Atingidos pela Copa (COPAC) de Belo Horizonte, grupo que denuncia os impactos negativos causados pela realização da Copa do Mundo na cidade, divulgou nota em que responsabiliza a Fifa e a ação da polícia pela violência ocorrida na manifestação desta quarta-feira (26).

O protesto terminou em conflitos entre policiais e um grupo de manifestantes. Há relatos sobre dezenas de pessoas feridas, todas civis. O estudante Douglas Henrique de Oliveira Souza, de 21 anos, morreu depois de cair do viaduto José de Alencar.

Cerca de 100 mil pessoas participaram do protesto. Os manifestantes se concentraram no Centro e se dirigiram ao estádio do Mineirão, onde a seleção brasileira de futebol venceria o Uruguai pela semifinal da Copa das Confederações.

Apesar da negociação ocorrida na véspera entre o governo do estado e movimentos sociais, alguns manifestantes começaram a forçar a barreira física montada perto do estádio e foram duramente reprimidos por policiais.

Para Amanda Couto de Medeiros, do COPAC, a ação da polícia foi desmedida e intolerante. Ela conta que em todas as manifestações ocorridas nos últimos dias, as forças policiais mineiras não têm sido usadas para garantir a proteção da população, mas para garantir a privatização dos espaços públicos em prol da Fifa.

Amanda criticou, ainda, o que chamou de “terror midiático” e a “dicotomia criada entre ‘manifestantes’ e ‘vândalos’”. Para ela, a resistência empreendida por alguns jovens diante da violência policial reflete a revolta após ações de abuso e repressão.

Em nota, o Comitê Popular afirma que, embora não promova nem estimule ações diretas contra o patrimônio, os chamados “atos de vandalismo” não justificam uma “ação de repressão que coloca a vida das pessoas em risco”.

Clique e ouça os áudios:

Amanda diz que a polícia é utilizada para garantir a privatização dos espaços públicos em prol da Fifa.

A integrante do COPAC critica “dicotomia entre ‘manifestantes’ e ‘vândalos’ “

 

 

21 de jun2013

Forte aparato policial oprime manifestantes no Centro do Rio de Janeiro

por pulsar brasil

Polícia ataca manifestantes. (foto: arthur william/amarc)

O final da manifestação no Rio de Janeiro, na noite desta quinta-feira (20), foi marcado por uma desproporcional repressão do Batalhão de Choque. Balas de borracha, bombas de efeito moral e grandes carros blindados, conhecidos como Caveirões, ameaçaram os que foram às ruas. Alguns agentes também usaram armas de fogo.

Por volta das 19h, quando o protesto se aproximava da prefeitura, Centro da cidade, a iluminação pública caiu. Em meio ao breu, que o braço armado do Estado se voltou contra os que protestavam. O barulho das bombas era alto e trazia terror. Pouco depois, a iluminação foi restabelecida, mas o efeito do gás já sufocava os manifestantes.

Alguns não conseguiam abrir os olhos ou mesmo falar. Solidariamente, outros compartilhavam uma mistura de água e vinagre, e guiavam os que passavam mal. Crianças, jovens, adultos e idosos foram afetados. As bombas iam ao céu e se repartiam em três, caindo a muitos metros e em diferentes pontos da Avenida Presidente Vargas. Até mesmo um ônibus cheio de passageiros, que passava por um viaduto bem perto da Marquês da Sapucaí, foi atingido.

Desesperadas, as pessoas começavam a correr. Imediatamente, por causa do perigo de pisoteamento, outras gritavam “não corre, não corre!”. A investida da polícia militar não parava e a revolta de alguns, que já tinham feito fogueiras e respondido com paus e pedras, cresceu. Quando o alvo foi o Terreirão do Samba, onde são realizadas festas e transmissões dos jogos da Copa das Confederações, houve aplausos de alguns que estavam do lado oposto da larga via.

Muitas pessoas, principalmente jovens, começaram a quebrar agências bancárias, fachadas de prédios, placas de sinalização, lixeiras, câmeras de segurança. Na altura de uma biblioteca pública, ainda em construção, um grupo se uniu e clamou contra o quebra-quebra. Curiosamente, os mais exaltados respeitaram o pedido e partiram para outros alvos, como pardais de trânsito, lojas e lanchonetes de fast-food.

Ruas estreitas, laterais à Avenida Presidente Vargas, foram tomadas por tropas, o que impediu o livre escoamento das pessoas.  O cheiro de gás se sentia ao longe, dificultando ainda mais a volta para casa.  O gás foi tanto que entrou nos prédios, chegando inclusive a andares altos do Hospital Souza Aguiar. No cruzamento com a Rio Branco, outra importante via da capital fluminense, pessoas que andavam com seus cartazes e ainda gritavam reivindicações, foram surpreendidas por um Caveirão na contramão e mais bombas.

Nesse momento, já depois das 21h, foram ouvidos disparos de som diferente. Alertas como “é arma de fogo”, “é tiro de verdade” e “É o Bope!”, a famosa Tropa de Elite, despertaram uma correria tamanha que, dessa vez, não pôde ser controlada. Depois, era possível ver gotas de sangue pelas calçadas. No Rio de Janeiro, dados oficiais apontam que pelos menos 60 ficaram feridos.  Episódios de repressão também ocorreram nas Praças XV, Mauá e da Bandeira, nos arredores do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS), da UFRJ, onde estudantes se refugiavam, e nos bairros Lapa e Glória.

Algumas estações do Metrô Rio ficaram fechadas e apenas reabriram perto da meia-noite. Pessoas com medo buscavam abrigo em bares e portarias.  A violência chegou até Laranjeiras, já na Zona Sul da cidade, onde um grupo de manifestantes tentava chegar ao Palácio Guanabara, sede do governo estadual de Sérgio Cabral (PMDB).

As ações da polícia não pareciam tentar dispersar ou acalmar os ânimos, mas sim provocar as multidões. Por vezes, pessoas desconfiavam de agentes infiltrados, os P2, entre os que começavam as depredações.  Ainda durante o dia, antes de a polícia militar cometer estes atos de violência, agentes distribuíram panfletos que diziam: “Paz. Ajude-nos a proteger você”.

Clique e ouça o áudio:

Declarações de manifestantes que foram oprimidos pela polícia militar.

Fonte: Pulsar Brasil.

18 de jun2013

Movimentos organizadores dos protestos alertam para não perder o foco da redução das tarifas

por pulsar brasil

Manifestantes protestam no Rio de Janeiro (foto: coletivofotografiaexpandida)

Em torno de 270 mil pessoas tomaram as ruas de diversas capitais do Brasil nesta segunda-feira (17). Movimentos organizadores dos protestos comemoram mas defendem ser necessário não perder o foco da demanda inicial, que é a redução das tarifas de ônibus e metrô.

Ao ganhar dimensão nacional, outras pautas foram incorporadas pelos manifestantes que criticam a falta de acesso a outros direitos básicos na cidade, como saúde e educação, principalmente com a chegada de megaeventos esportivos como a Copa 2014 e Olimpíadas 2016.

No entanto, integrantes de movimentos como o Movimento Passe Livre (MPL) temem que se perca o foco das manifestações. O professor da USP, Pablo Ortelado, que acompanha as ações do MPL, declarou em um rede social que “existe uma campanha dos meios de comunicação para dissolver a primeira demanda, que é a da redução da tarifa num mar de reclamações”.

De acordo com ele, se trata de uma estratégia para o movimento não vencer. Ele reconhece que existem muitas outras insatisfações, mas defende que comecemos forçando os governantes a baixar a tarifa. A partir daí, a população estararia empoderada para “vôos mais altos”.

No Rio, 100 mil pessoas ocuparam pacificamente o centro da cidade na noite de ontem. No fim do protesto um pequeno grupo que tentou ocupar  a Assembleia Legislativa (Alerj) foi contido pela polícia e entrou em confronto com os policiais, atirando coquetéis molotov.

A manifestação na capital paulista foi pacífica. No fim da noite uma multidão de manifestantes cercou a entrada da sede do governo estadual, o Palácio Bandeirantes. O grupo tentou entrar, mas foi contido pela polícia. Em Brasília, manifestantes invadiram a cobertura do Congresso Nacional, de onde desceram, algum tempo depois, em clima de festa. Mais tarde, voltaram a ocupá-la.

Protestos aconteceram em capitais como São Paulo, Rio, Brasília, Maceió, Porto Alegre, Fortaleza, Salvador, Vitória, Curitiba, Belém e Belo Horizonte. (pulsar)