10 de nov2010

O papel das mulheres nas rádios comunitárias

por arthurwilliam

Na Amarc 10 a cada dia que passa fica demonstrado a compreensão sobre o papel das mulheres nas rádios comunitárias. Nuahapa Banegas,

Este segundo dia de atividade tivemos a terceira mesa tratando das questões de gênero. A mesa foi coordenada pela Rede de3 Mulheres da Amarc Brasil, Rosmari de Castilhos. Foram painelistas: Benilde Nhalevilo, FORCOM, Moçanbique; Marie Justine Gurlein, REFRAKA, Haiti; Ade Tanesia, da AMARC Ásia; Ratna Maya Awal, ECR FM, Nepal e S uahapa Banegas, Rádio Marcala, Honduras.

A proposta desta mesa foi debater que novos desafios se apresentam para as mulheres de rádios comunitárias frente às situações de conflito político ou de emergência? De que forma as mulheres têm tentado enfrentar esses desafios? Com quais ficiculdades e conquistas? Que laços têm feito com outras mulheres, suas organizações, movimentos sociais e instituições? Todas as painelistas foram unânimes em colocar que as mulheres nestas situações são as mais penalizadas, juntamente com crianças e idosos. Marie Justine destacou, que na situação de conflito vivido no Haiti as mulheres e meninas sofreram neste período abusos sexuais e muitas desapareceram e que não se tem nenhuma informação. Informou que no terremoto, que vitimou milhares de pessoas, as mulheres sofreram duplamente, pois perderam toda a sua história e um dos movimentos que elas estão desenvolvendo é o de recuperar suas identidades e apelou para as mulheres não sejam vistas como vitimas, mas como pessoas que estão nas Rádios Comunitárias defendendo os Direitos Humanos.

A representante de Moçambique, Benilde Nhalevilo, destacou a luta pela garantia da voz das mulheres nas Rádios Comunitárias e que elas tiveram papel importante no que chamam de cerimônia de unificação, onde buscam as várias correntes de pensamento para a busca da paz (unificação).

Ade Tanesia, da Indonésia, fez relato de experiências com ênfase a luta pela paz, principalmente entre grupos de diferentes religiões que é muito importante para as mulheres.

Suyapa de Honduras relatou a experiências das mulheres no recente golpe vivo no país. Disse que as mulheres forma para as ruas filmar, gravar e realizar entrevistas sobre o que estava acontecendo no país. “Assim se tornaram comunicadoras” e começamos a fazer questionamentos inclusive sobre o desaparecimento de uma mulher, onde o estado não se sentia responsável. As mulheres neste período receberam apoio e solidariedade de muitos outros movimentos.

Ratna do Nepal destacou a campanha de sensibilização que elas desenvolvem para atrair cada vez mais mulheres para a comunicação, o que não é muito fácil devido a cultura local.

Ao final foram tiradas algumas ações para serem encaminhadas para a Rede Internacional de Mulheres da Amarc:

1 – realização de uma campanha de sensibilização sobre o papel das mulheres nas Rádios Comunitárias;

2 – Elaborar um calendário de ações de solidariedade – pensar em missões de observação em países com conflito ou em emergênica. Sendo que estas missões não precisam ser presenciais.

3 – Enviar para a ONU Mulher um relato com todas as denúncias de violência sofridas pelas mulheres nos países que tenham tido situações de conflito e ou emergência.

9 de nov2010

Amarc 10 debate questões de gênero

por deniseviola

Nem bem a X Assembléia Mundial da AMARC foi aberta e as reuniões já começaram. O Conselho da AMARC passou a tarde reunido e a Rede Internacional de Mulheres também. Cerca de 25 mulheres da Argentina, país anfitrião, Brasil, Chile, Honduras, México, Nicarágua, Peru, Irlanda, País Basco e Espanha, debateram a trajetória e os rumos da Rede.

Depois de uma rodada de apresentação, Maru Chaves, da Argentina, fez uma relato da atuação da rede dos últimos anos, porém destacou a ausência de um registro da memória de anos anteriores.

Perla Wilson, da Rádio Tierra, do Chile, eleita vice-presidente da Rede de Mulheres para América Latina e Caribe, ressaltou a importância do momento eleitoral dentro da AMARC, visto que é o momento de se refletir e de colocar as cartas na mesa – propostas, metas, estratégias. Ela avalia que muitas ações políticas foram desenvolvidas e que hoje a Rede tem incidência em debates internacionais, como o Direito à Comunicação. Entretanto, se faz necessário debater quais são os novos caminhos para a atuação das mulheres, da mesma forma que Perla Wilson defende que o tema legislações seja mais aprofundado.

Margarita Herrera, da Nicarágua, que foi vice-presidente da Rede de Mulheres para a América Latina e Caribe, recuperou um pouco do momento de ruptura com a gestão de José Ignácio e Tachi Ariola, reconhecendo e agradecendo o trabalho deles para o fortalecimento desta rede. Margarita, que se afastou da AMARC no momento de tal ruptura, ressalvou a necessidade de resgatar essa memória, passando a palavra a Denise Viola, do Brasil, que também acompanhou o momento de re-fundação da AMARC.

Denise contextualizou que a postura política naquela ocasião não foi exclusividade da AMARC ALC, e que se cometeu o equivoco de “jogar fora a criança junto com a água suja do banho”, referindo-se ao fato de que se fazia necessário descentralizar a gestão, mas sem apagar o que foi construído até então, fala reforçada por outras participantes da reunião.

Olhando para frente, Rosário Puga, da Rádio Tierra, do Chile, destacou a necessidade de se produzir pensamento político como forma de incidir dentro de uma nova política, construindo lideranças capazes de articular e integrar a Rede.

Maru Chaves chamou a atenção para um problema estrutural do posicionamento das mulheres dentro do coletivo, reforçada por Claudia Villamayor, que defendeu a urgência de um forte trabalho “macro-interno”, de baixo para cima – estratégico e sistemático.

Foi quando a pauta chegou ao tema das eleições. Perla Wilson questionou o fato de criarmos espaços de poder e não ocuparmos esses espaços, como a não indicação de nenhuma mulher para a vice-presidência internacional da Rede de Mulheres.

Depois de debater a lógica da representação hoje e o curtíssimo prazo para indicar um nome, o grupo chegou ao consenso de que seria importante conversar com as mulheres da África e Ásia que ainda não haviam chegado e buscar um nome de uma mulher que vá assumir, com o suporte das outras integrantes, o compromisso de aproximar as redes da América Latina e Europa e provocar o debate sobre representação e atuação coletiva e colaborativa.

As mulheres voltarão a se reunir para apresentar uma candidatura à Vice-presidência das Mulheres.