10 de maio2013

Empresa de Eike batista vence licitação do complexo Maracanã; ativistas dizem que foi “carta marcada”

por pulsar brasil

Ativistas protestam contra processo de licitação do Maracanã no rio (foto:comitêpopulardacopa)

O Consórcio Maracanã SA, formado pela IMX, empresa de Eike Batista, pela Odebrecht e pela norte-americana AEG, confirmou as expectativas e foi eleito pelo governo estadual vencedor da licitação da concessão do complexo esportivo do Maracanã no Rio de Janeiro. Ativistas protestaram em frente ao Palácio contra a privatização do estádio e o processo de licitação.

O anúncio foi feito ontem (9) durante sessão da Comissão Especial de licitação realizada no Palácio Guanabara, no Rio de Janeiro. A concessão à iniciativa privada é de 35 anos.

A participação da empresa IMX,  do conglomerado de Eike,  no consórcio vencedor foi alvo de críticas de ativistas e do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, que, antes da licitação, ingressou com uma ação na Justiça questionando o fato de empresa ter sido responsável pelo estudo de viabilidade do estádio. No entender dos promotores, isso poderia dar uma vantagem “indevida” ao grupo.

Sob este argumento, o MP chegou a obter uma liminar na Justiça suspendendo a licitação. A liminar, no entanto, foi cassada horas antes do início da disputa, o que possibilitou a abertura dos envelopes de propostas no último dia 11 de abril.

O documento da licitação será encaminhado hoje (10) ao secretário estadual da Casa Civil, Régis Fichtner, coordenador da licitação. Na ata que será enviada a Fichtner, estará incluída a recomendação, feita pelo Instituto do patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), para que o novo gestor do Maracanã se comprometa com a manutenção do Maracanãzinho e com a não demolição do prédio do antigo Museu do Índio.

Segundo estimativa do governo, o Maracanã irá render 154 milhões de reais por ano e terá um gasto de 50 milhões de reais. Assim sendo, a previsão é de que os recursos investidos pelo concessionário sejam quitados em 12 anos, o que significa que o gestor do complexo esportivo e seu entorno teria um lucro de 2,5 bilhões de reais durante 23 anos do contrato. (pulsar)

30 de abr2013

No 1º de maio, ato no Rio de Janeiro lembra que ‘o Maraca e a cidade são dos trabalhadores’

por pulsar brasil

Ato critica venda da cidade em nome dos megaeventos esportivos. Foto: Comitê Popular Rio.

Neste feriado de 1º de maio, Dia do Trabalhador, a cidade do Rio de Janeiro terá, entre outras atividades, uma caminhada até o Complexo do Maracanã, um dos maiores símbolos do país. O ato acontece diante da licitação para privatizar o estádio.

A segunda fase deste processo foi concluída pelo governo fluminense nesta segunda-feira (29). O consórcio formado pela Odebrecht, IMX Venues e Arena, e AEG Administração de Estádios do Brasil obteve vantagem de 3,8 pontos em relação ao segundo habilitado na concorrência.

De acordo com informações da Agência Brasil, a próxima etapa será a abertura da documentação da licitante melhor classificada. Somente após o julgamento dos dados e esgotada a fase de recursos, será anunciado o vencedor da licitação.

Movimentos sociais, organizações, diretórios estudantis, sindicatos e associações apontam que o Maracanã está sendo vendido “a preço de banana em um processo arbitrário e cheio de irregularidades”.

Denunciam que não há sustentabilidade econômica na proposta de privatização, já que, ao final dos 35 anos de concessão, apenas 16,5% do investimento público feito desde 1999 no Maracanã voltaria ao cofres do Estado. Além do estádio, criticam os governos municipal e estadual do Rio por “venderem a cidade”como um todo em nome da Copa e das Olimpíadas. E afirmam que direitos fundamentais “estão sendo reduzidos a negócios lucrativos”.

A concentração para este ato no marco do Dia do Trabalhador está marcada para às 10h, na praça Afonso Pena, na Tijuca, bairro da Zona Norte do Rio de Janeiro. A manifestação também abordará pontos de âmbito federal. Entre eles, o repúdio à venda de portos, aeroportos e das telecomunicações; à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh); e aos leilões do petróleo. (pulsar)

Ouça:

Gustavo Mehl, do Comitê Popular Rio Copa e Olimpíadas, afirma que direitos dos trabalhadores estão sendo reduzidos a negócios.

24 de abr2013

Movimentos repudiam privatização do Maracanã e organizam consulta pública

por pulsar brasil

Grupos foram às ruas protestar; diante do “atropelo do poder público”, surge a consulta pública. (foto: blogdotarso)

Em meio ao processo de licitação para escolha de um gestor privado para o Estádio Mario Filho, está em curso uma Consulta Pública Popular. Movimentos e organizações envolvidos na proposta avaliam que a privatização do Maracanã não tem viabilidade econômica: ao final de 35 anos de concessão, apenas 16,5% do investimento público feito desde 1999 voltaria ao cofres públicos.

Levando em conta apenas os gastos com o estádio a partir de setembro de 2010, Gustavo Mehl, do Comitê Popular da Copa e Olimpíadas do Rio de Janeiro, destaca que já foram consumidos 932 milhões de reais; isso equivale a cerca de 1 milhão por dia.

Enquanto isso, completa Gustavo,com a privatização, o retorno previsto para o Estado é de 4 milhões e meio de reais ao ano. O ativista acredita que essa proposta refletiria um “verdadeiro roubo do Maracanã”, já que o orçamento público seria “lesado violentamente”.

Gustavo conta que a Consulta Pública Popular reúne propostas de grupos afetados pelos megaeventos esportivos no Rio de Janeiro: os indígenas da Aldeia Maracanã; os atletas e usuários do Parque Aquático Julio Delamare e do Estádio de Atletismo Célio de Barros; e os estudantes, pais e professores da Escola Municipal Friedenreich, que corre risco de ser removida.

Para eles, o poder público ignorou as tentativas de diálogo da sociedade civil organizada, servindo aos interesses de grandes investidores privados. Diante disso, propõem que o complexo do Maracanã tenha uma gestão 100% pública, servindo ao uso comunitário.

A Consulta Pública é realizada pelo Comitê Popular da Copa e das Olimpíadas e coordenada pelo Observatório das Metrópoles do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional (Ippur), da UFRJ. Ela estará disponível até o dia 15 de junho, quando terá início a Copa das Confederações 2013. (pulsar)

Ouça a entrevista:

Gustavo Mehl fala sobre a Consulta Pública e sobre os riscos de uma possível privatização do Maracanã.

12 de abr2013

Impactados pela TKCSA saem decepcionados de reunião com parlamentares alemães

por pulsar brasil

Moradores e pescadores são impactados por usina alemã. (foto: justiçaglobal)

A visita de integrantes da Comissão para o Desenvolvimento Econômico e da Subcomissão de Saúde em Países em Desenvolvimento do Congresso da Alemanha ao bairro Santa Cruz, na cidade do Rio de Janeiro, onde está instalada a ThyssenKrupp Companhia Siderúrgica do Atlântico (TKCSA), gerou decepção nos moradores.

O evento ocorreu em ocasião de denúncias de poluição e desrespeito à população por parte da empresa cujo capital majoritário é alemão. Após estarem na usina nesta quinta-feira (11), moradores e organizações em defesa dos direitos humanos foram convidados para uma reunião com os cinco parlamentares visitantes. No entanto, a delegação se atrasou e apenas houve tempo para breves relatos.

Marta Trindade, de 74 anos, contou que desde que a TKCSA começou a produzir, a poluição do ar causa sofrimento constante, lembrando das conhecidas “chuvas de prata”. A ex-enfermeira, que é moradora de Santa Cruz há 30 anos, disse que “a poeira fina se instala em todos os lugares e provoca doenças de pele em muitas pessoas”.

Já o pescador Jaci do Nascimento destacou que a construção da empresa afetou a Baía de Sepetiba e seus afluentes, deixando as águas “sujas e sem peixes”. Agora, ele e muitos de seus colegas estão desempregados. Diante da situação, o trabalhador pediu o apoio dos políticos alemães.

O parlamentar Uwe Kekeritz (Aliança 90/ Os Verdes)  respondeu que “esses problemas precisam ser resolvidos localmente”. Ele reconheceu, no entanto, as contradições entre as informações apresentadas pela empresa e pelas pessoas impactadas. Kekeritz disse ainda que solicitará dados oficiais sobre a questão.

Inquietação maior surgiu quando o deputado conservador Helmut Heiderich (CDU / CSU) acrescentou que “a delegação não é destinatária das ações” e que “não recebeu informações suficientes”. Ele também criticou o documento entregue aos parlamentares, chegando a sugerir que informações sobre o funcionamento da TKCSA estariam incorretas.

Os moradores e ativistas não aceitaram essa postura e rebateram dizendo que a TKCSA, desde o início de sua construção, em 2005, coleciona ações civis e no Ministério Público Estadual do Rio de Janeiro (MPE- RJ). “Por razões de programação e pressa”, os políticos alemães saíram e o encontro foi abruptamente encerrado. A moradora Marta Trindade avalia que a situação foi desrespeitosa : “me senti como uma estrangeira no meu próprio país”, disse. (pulsar)

Ouça:

A moradora Marta Trindade expressa sua decepção com a visita dos parlamentares alemães.

Maria Sueli Barreto, outra antiga moradora da região, diz que a TKCSA está acabando com a saúde dos moradores.

11 de abr2013

Apesar de irregularidade e pressão social, governo divulga consórcios na disputa para licitação do Maracanã

por pulsar brasil

Manifestação no Rio de Janeiro diz não à privatização do Maracanã (foto: facebook)

Apesar da intensa manifestantação social em frente ao Palácio Guanabara, no Rio de Janeiro, contra o processo de privatização do Maracanã, foi realizada no fim da manhã desta quinta-feira (11) a sessão de abertura dos envelopes com os nomes dos concorrentes na licitação para administrar o estádio pelos próximos 35 anos. Dois consórcios estão na disputa: o Consórcio Maracanã SA e o Consórcio Complexo Esportivo e Cultural do Rio.

O Consórcio Maracanã SA é formado por IMX Venues e Arenas, AEG Administração de Estádios e Odebrecht Participações e Investimentos. A empresa IMX, do empresário Eike Batista, foi autora do estudo técnico que baseia o projeto de concessão, uma das irregularidades apontadas pelos Ministérios Públicos Federal e Estadual na ação que pedia a suspensão do processo licitatório iniciado hoje.

A liminar da juíza Roseli Nalin pedia a suspensão da licitação na tarde de ontem, atendendo a pedido do Ministério Público estadual. No fim da noite desta quarta, porém, a presidenta do Tribunal de Justiça do Rio, desembargadora Leila Mariano, cassou a liminar.

Durante coletiva de imprensa realizada nesta quarta-feira (10) , o secretário estadual da Casa Civil, Régis Fichtner, havia caído em contradição ao afirmar que as demolições previstas no projeto de construção do complexo esportivo do Maracanã não são realmente necessárias para que se cumpra a exigência feita pela Fifa.

O governo e o próprio governador Sérgio Cabral (PMDB) já havia afirmado inúmeras vezes que as demolições em torno do Maracanã somente seriam realizadas para garantir a mobilidade do público e uma maior rapidez no esvaziamento do estádio. No entanto, Fichtner afirmou que evacuação não é o único motivo das demolições e que estas não serão realizadas antes da Copa das Confederações, que ocorrerá em julho.

Segundo ele, as demolições do estádio de atletismo Célio de Barros, do parque Aquático Júlio Delamare e da Escola Municipal Friedenreich serão feitas para a construção de estacionamentos e áreas de lazer ao redor do Maracanã. (pulsar)

Com informações de redebrasilatual.

4 de abr2013

Moradores do Horto, no Rio de Janeiro, montam barricada para impedir remoção

por pulsar brasil

Moradores do Horto fazem barricada para impedir remoção (Foto: Marcello Casal)

Uma barreira humana foi montada para evitar que um mandado de reintegração de posse na comunidade do Horto, na cidade do Rio de Janeiro fosse cumprido na manhã desta quarta-feira (3). Moradores da comunidade resistem a possibilidade de remoção de uma família de cerca de 20 pessoas.

A barreira humana, que fazia vigília desde o início da manhã de hoje, foi desmobilizada por volta das 13h quando a presidenta da Associação de Moradores do Horto, Emília Souza, recebeu a informação de que o mandado não seria cumprido hoje. No entanto, ela garante que irão se manter vigilantes.

A mobilização envolveu dezenas de moradores, com apoio de integrantes de movimentos sociais e até indígenas que ocupavam o antigo Museu do Índio. Além disso, foi montada uma barricada feita com tapumes, vigas de metal e pedras.

As famílias ameaçadas vivem em 620 casas que ocupam o entorno do Instituto Jardim Botânico, na zona sul da cidade do Rio de Janeiro. A remoção foi reivindicada pela União na década de 80, sob a alegação de que as residências foram construídas dentro da área do parque.

Desde então já foram pedidas à Justiça mais de 200 ações de reintegração de posse. O advogado da Associação de Moradores do Horto, Rafael da Mota, conta que, apesar de ter ganhado todas as ações há alguns anos, a União decidiu recentemente suspender temporariamente a ação. Mesmo assim, a 23ª Vara Federal resolveu decretar a remoção de quatro casas.

Um dos moradores ameaçados, Max Luiz dos Santos contou a Agência Brasil que sua família vive há décadas no local e que seu avô ganhou o terreno da direção do Jardim Botânico quando trabalhava como agente florestal.

Os moradores dizem que há alguns anos a própria União encomendou um estudo à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) para viabilizar a regularização das mais de 600 casas. Além disso, o Tribunal de Contas da União (TCU) determinou que a União formasse uma comissão para determinar os reais limites do Jardim Botânico. (pulsar)

 

25 de mar2013

Governo do Rio de Janeiro pode enfrentar processo judicial por violência na desocupação da Aldeia Maracanã

por pulsar brasil

Batalhão de Choque da PM ataca manifestantes pela Aldeia Maracanã com spray de pimenta e gás lacrimogênio (foto:reprodução)

Defensorias públicas do Estado e da União, o Ministério Público da União e parlamentares que participaram da negociação de saída dos ocupantes da Aldeia Maracanã, ao lado do estádio Maracanã, no Rio de Janeiro, anunciaram que vão entrar com medidas legais contra o governo fluminense por abuso de poder e violência.

A truculência com que o agentes policiais realizaram a desocupação do prédio gerou forte repercussão nacional e internacional. Manifestantes, indígenas, defensores públicos e até mesmo o deputado estadual Marcelo Freixo (Psol-RJ) foram atingidos por sprays de pimenta e gás lacrimogênio durante a operação.

Parte dos indígenas aceitou a proposta do governo de ocupar temporariamente um terreno em Jacarepaguá, enquanto outro grupo insiste na reintegração do terreno onde está o prédio do antigo Museu do Índio.

Após a desocupação da Aldeia, o grupo e cerca de 80 manifestantes ocuparam no sábado (23) o Museu do Índio em Botafogo. Porém, o local foi desocupado pela polícia na madrugada e indígenas seguiram para a sede da Justiça Federal no Rio de Janeiro, onde foi realizada uma audiência de conciliação com o Juiz Federal Wilson José Witzel. No entanto, não houve acordo. Também estiveram presentes representantes da Fundação Nacional do Índio (Funai). O governo do Estado do Rio de Janeiro não mandou representante para a audiência.

Em nota pública, o Centro Indigenista Missionário (Cimi) destacou que “mais uma vez os interesses econômicos sobrepuseram-se aos direitos dos povos indígenas”. Também ressaltaram a violência contra os indígenas no Rio de Janeiro não é algo isolado. De acordo a entidade, essas violações “têm como origem a política de desenvolvimento estabelecida pelo governo federal”. Tudo isso, diz a nota, “ para servir a interesses de latifundiários e de grupos econômicos que lucram com eventos como a Copa do Mundo ou o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC)”. (pulsar)

22 de mar2013

Polícia militar invade Aldeia Maracanã no Rio de Janeiro para retirar indígenas e prende manifestantes

por pulsar brasil

Batalhão de Choque invade Aldeia Maracanã para retirar indígenas (foto: facebook)

O batalhão de choque da Polícia Militar invadiu na manhã de hoje (22) a Aldeia Maracanã, localizada no antigo Museu do Índio, próximo ao Estádio Maracanã, no Rio de Janeiro, para retirar indígenas e manifestantes que ocupavam o local. Ao menos dois apoiadores da Aldeia foram presos.

De acordo com o Defensor Público Daniel Macedo, a polícia agiu de forma truculenta. Ele explicou que a decisão judicial de desocupação do local exigia que a retirada dos indígenas  deveria ser feita sem qualquer violência. No entanto, segundo o Defensor, os policiais não respeitaram o tempo pedido para realização de um ritual antes da saída e invadiram o local utilizando spray de pimenta e gás lacrimogênio.

O governo do estado ofereceu em contrapartida a retirada dos indígenas, o recebimento do aluguel social no valor de 400 reais mensais. Também se fala na possibilidade de três moradias provisórias enquanto se construiria um Centro de Referência Indígena. No entanto, para alguns indígenas, a proposta do governo é muito incerta e não há garantias.

Daniel Puri, que frequentava a aldeia há dois anos, conta que a proposta da ocupação ultrapassa a função de moradia. Ela surgiu com a finalidade de interação cultural de diversas etnias, além de servir como um espaço para interlocução dos indígenas com a sociedade urbana. O prédio, que estava abandonado, foi ocupado em 2006 e recebia indígenas de diversas etnias do país.

Desde que foi anunciada a possível retomada de posse do edifício pelo governo do estado para construção de um estacionamento, os ocupantes e simpatizantes da causa realizavam diversas atividades na Aldeia Maracanã. A justificativa do poder público se baseava no argumento de atender aos padrões internacionais para realização da Copa de 2014 e das Olimpíadas de 2016.

Em janeiro desse ano, o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), desistiu de demolir o prédio. No entanto, destinou o edifício para a construção de um Museu Olímpico pela empresa concessionária vencedora da licitação do Complexo do Maracanã. (pulsar)

Daniel Puri, indígena da Aldeia Maracanã, fala sobre a criação do espaço ocupado em 2006.

Daniel Puri explica que a função da Aldeia Maracanã vai além de garantir moradia para os indígenas.

19 de mar2013

Prazo para desocupação da Aldeia Maracanã vai até quarta-feira; Indígenas se mobilizam

por pulsar brasil

Indígenas lutam contra desocupação da Aldeia Maracanã (foto: Ricardo Casarini)

A pedido do defensor público federal Daniel Macedo, a 8ª Vara da Justiça Federal do Rio de Janeiro esclareceu que o prazo para a desocupação do antigo prédio do Museu do Índio é de três dias a contar da última segunda-feira (18).

O Governo do Estado do Rio de Janeiro determinou na semana passada a desocupação do imóvel localizado próximo ao Estádio Maracanã que alberga, desde 2006, a ocupação indígena conhecida como Aldeia Maracanã. Na última sexta feira (15) o defensor entrou com um recurso no qual pede a reforma da decisão do Juiz. O documento ainda está pendente de análise e a qualquer momento terá uma definição jurídica.

A DefensoriaPúblcia da União ainda explica que a desocupação só poderá ser feita pelas forças policiais com a presença de dois oficiais de Justiça e cautelas necessárias visando garantir a integridade física dos indígenas. Desde que foi anunciada a possível retomada de posse do prédio pelo governo do estado para construção de um estacionamento, os ocupantes e simpatizantes da causa tem realizado diversas atividades na Aldeia Maracanã. A justificativa do poder público se baseava no argumento de atender aos padrões internacionais para realização da Copa de 2014 e das Olimpíadas de 2016.

Após forte pressão, mobilizações sociais e recursos jurídicos, em janeiro desse ano, o governadordo Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB) desistiu de demolir o prédio. No entanto, destinou o edifício para a construção de um Museu Olímpico pela empresa concessionária vencedora de licitação do Complexo do Maracanã.

Em entrevista à Agência Pulsar em janeiro deste ano, Urutau Guajajara afirmou que os indígenas não querem a realocação. Ele ainda explicou que a luta não é apenas pelo edifício, mas em defesa de um “patrimônio imaterial, um local de memória e cultura dos povos”. (pulsar)

Ouça o áudio:

Urutau Guajajara comenta o impacto da demolição do prédio para a cultura indígena.

 

 

18 de mar2013

Manifestantes protestam contra privatização e demolição do complexo do Maracanã no Rio de Janeiro

por pulsar brasil

Manifestantes protestam contra privatização do Maracanã no Rio de Janeiro (foto:comitepopular)

Organizações da sociedade civil realizaram no sábado (16) uma manifestação contra a privatização do Maracanã e a demolição do complexo em torno do Estádio. O complexo é composto  pelo Estádio de Atletismo Célio de Barros, pelo Parque Aquático Júlio Delamare, e pela Escola Municipal Friedenreich. Indígenas da Aldeia Maracanã, ameaçados de desalojo, também estiveram presentes no ato.

A manifestação teve início na Praça Saens Peña, na Tijuca, e seguiu em passeata até o Complexo Esportivo do Maracanã. O ato teve a finalidade de forçar a aprovação de um projeto da Assembleia Legislativa do Estado (Alerj) que propõe um plebiscito sobre o tema. O Estádio está com leilão marcado para o dia 11 de abril.

A proposta do governo é construir um shopping, a ser explorado pela iniciativa privada. Os indígenas da Aldeia Maracanã, que ocupam o antigo prédio do Museu do Índio ao lado do Estádio, receberam na sexta-feira (15) o prazo de 72 horas da Justiça Federal para deixarem o local.

Segundo o advogado Arão da Providência, que defende os indígenas,  o governo quer oferecer um hotel para os índios na área central da cidade, enquanto aguardariam o sinal de um possível outro local para montar o Centro Cultural Indígena. No entanto, segundo o advogado, o governo está desrespeitando o próprio edital e a resolução da audiência pública que aprovou a instauração do Centro Cultural Indígena no antigo Museu do Índio.

Já o presidente da Associação de Pais de Alunos da Escola Municipal Friedenreich, Carlos Sandes, disse que a demolição da escola é um desrespeito aos alunos, entre eles os portadores de necessidades especiais. O governo propôs transferir o colégio para a Escola Municipal Orsina da Fonseca, que é distante do local e sem acessibilidade para os portadores de necessidades especiais. (pulsar/brasilatual)

12 de mar2013

Plano Popular da Vila Autódromo e projeto de remoção da Prefeitura são avaliados por entidades

por pulsar brasil

Moradores apresentam Plano Popular da Vila Autódromo (foto: divulgação)

Foi apresentado publicamente nesta segunda-feira (11), durante uma reunião no Instituto dos Arquitetos do Brasil, no Rio de Janeiro, o Plano Popular da Vila Autódromo. O documento é uma alternativa ao projeto da Prefeitura carioca de remover a comunidade que habita a área na Zona Oeste da cidade e construir um condomínio no local.

A apresentação, aberta ao público, foi o marco inicial para instalação de um Grupo de Trabalho Técnico-Profissional de especialistas em questões relativas ao desenvolvimento urbano, desenvolvimento social e à moradia. A meta é elaborar um laudo técnico sobre as propostas da Prefeitura e da AMPAVA para a comunidade instalada no local há 25 anos.

O Grupo de Trabalho avaliará qual o projeto mais indicado. Também deverá recomendar a adoção de medidas que tornem a realização dos Jogos Olímpicos compatíveis com o direito à moradia adequada e à função social da propriedade e da cidade.

O Plano inclui programas de saneamento básico, infra-estrutura, meio-ambiente, serviços públicos e desenvolvimento cultural e comunitário. Além de afirmar o direito e a possibilidade da permanência da comunidade na área atual, o Plano também rejeita a remoção involuntária de qualquer morador.

A proposta Em agosto de 2012, a Associação de Moradores, Pescadores e Amigos da Vila Autódromo (AMPAVA) entregou o Plano ao prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes. O documento, elaborado pela comunidade com assessoria técnica de profissionais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e da Universidade Federal Fluminense (UFF), comprova que a urbanização custaria apenas 20% do previsto com a remoção da comunidade.

O Prefeito se comprometeu a responder aos moradores com uma avaliação técnica do Plano em 45 dias, mas isso nunca aconteceu. Sem a resposta do poder público, a Associação de moradores tomou a inciativa de convidar entidades profissionais para avaliar os dois projetos para a comunidade: o Plano Popular e a proposta da Prefeitura de remoção dos moradores para o condomínio Parque Carioca. (pulsar)

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