3 de jun2013

Irmão de indígena Terena assassinado afirma que tiro partiu da polícia federal

por pulsar brasil

Oziel foi morto durante conflito com a polícia (foto:reprodução)

Otoniel Terena, irmão de Oziel Gabriel, indígena morto na última quinta-feira (30), durante reintegração de posse em área da Terra Indígena Buriti no Mato Grosso do Sul, afirma que o tiro que matou Oziel partiu de um grupo de policiais federais. Os agentes tentavam retirar os Terena da fazenda de Ricardo Bacha. O indígena afirma que o atirador estava entre 10 e 20 metros de Oziel.

De acordo com informações do Centro Indigenista Missionário (Cimi), ele contou que o irmão estava do lado onde estavam os policias federais quando tomou o tiro. A Polícia Federal assumiu ter usado arma letal. Oziel deixou dois filhos e uma esposa.

Além da Polícia Federal, a Companhia de Gerenciamento de Crises e Operações Especiais (Cigcoe), batalhão da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul, também atuaram na tentativa de reintegração de posse.

Outro indígena, Cleiton França, conforme repetidos relatos dos indígenas por telefone, foi atropelado por uma caminhonete da PF. Ele quebrou a clavícula e está internado num hospital de Aquidauana.

Os três mil e quinhentos indígenas Terena seguem na área retomada, alvo da reintegração de posse. Quinze indígenas foram levados para a sede da Polícia Federal durante a ação. Segundo o coordenador regional do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) Flávio Vicente Machado a polícia iria liberar os presos depois de colher depoimentos.

De acordo com o relato de indígena que preferiu não se identificar, Ricardo Bacha estava presente entre os policiais militares da Cigcoe, enquanto avançavam sobre os indígenas. Ele conta que a única arma que tinham para se defender eram pedras e paus.

O corpo de Oziel está sendo velado pelo povo Terena na aldeia Córrego do Meio, Terra Indígena Buriti. Será enterrado no território em que morreu, declarado indígena e ainda com áreas nas mãos O fazendeiro Ricardo Bacha, é ex-deputado estadual (PSDB) e ex-candidato a governador no estado do Mato Grosso do Sul. (pulsar)

8 de fev2013

Fazendeiros atacam acampamento indígena Terena no Mato Grosso do Sul

por pulsar brasil

Cerca de 17 mil hectares do território indígena tradicional Terena está no Mato Grosso do Sul (foto: mochileiro.tur)

Cerca de 250 famílias Terena que reocuparam 300 hectares de terra, na noite de terça-feira (5), no município de Dois Irmãos do Buriti, a cerca de 110km de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, sofreram um ataque na manhã desta quinta-feira (7).

Segundo lideranças indígenas que estão no local, pistoleiros e fazendeiros foram ao acampamento e dispararam tiros para o alto, na tentativa de retirar os indígenas da fazenda. Ninguém ficou ferido, e a comunidade permanece na área.

De acordo com informações do Centro Indigenista Missionário (Cimi), após a ocupação, a comunidade orientou a proprietária da fazenda a retirar tudo o que quisesse da área que, segundo os indígenas, está abandonada. A Polícia Federal e a Fundação Nacional do Índio (Funai) foram acionadas pelos indígenas e estão no local.

Em 2009, os Terena já haviam tentado retomar a fazenda. Após acamparem por pouco mais de um mês da área, em novembro de 2009, foram violentamente retirados do local por fazendeiros, funcionários e pela Tropa de Choque da Polícia Militar. De acordo com denúncias recolhidas pelo Ministério Público Federal (MPF), a Polícia teria atuado sem ordem judicial de reintegração de posse.

Atualmente ocupada pela Fazenda Querência São José, a terra é parte dos mais de 17 mil hectares do território identificado em 2001 pela Funai e declarado pelo Ministério da Justiça em 2010 como terra tradicionalmente ocupada pelos Terena.

Atualmente, cerca de 5 mil Terena vivem em pouco mais de 2 mil hectares de terra, divididos em nove aldeias. As áreas restantes ainda estão na posse de fazendeiros. (pulsar)