Rádio Heliópolis 97,9 FM

A RÁDIO HELIÓPOLIS é uma emissora comunitária sem fins lucrativos.
Criada e dirigida pela UNAS – União de Núcleos, Associações e Sociedades de Moradores de Heliópolis e São João Clímaco.
A equipe da Rádio Heliópolis (locutores, técnicos, coordenadores e colaboradores) é formada por aproximadamente 30 voluntários, moradores ou não da comunidade.
Além do entretenimento eclético (vide “Programação”), tem como objetivo disponibilizar informações de relevância aos ouvintes (entrevistas com profissionais de diversas áreas, notícias, dicas, etc); promover a cidadania (trocas de informações, denúncias, bate papos sobre conscientização cidadã, manutenção e conservação de áreas públicas e privadas, etc) e a busca da melhoria da qualidade de vida e desenvolvimento da comunidade (divulgação de projetos sociais, anúncios de empregos e oportunidades, cursos, etc).

HISTÓRICO
• 08 de maio de 1992: É criada a “Rádio Popular de Heliópolis”. A programação é transmitida através de alto falantes “cornetas” instalados em postes, em dois pontos da comunidade.
• 27 de agosto de 1997: As velhas cornetas são aposentadas e é criada a rádio comunitária na Frequência Modulada 102,3 MHz.
• 1999: Devido a interferência do sistema nas emissoras comerciais e por força da lei nº 9.612, a frequencia passa a ser FM 98,3 MHz.
• 2002: Outra interferência às emissoras comerciais, obrigando a uma nova mudança de frequencia: FM 97,9 MHz.
• 2003: Conquista do prêmio: “Ação Social pela Promoção da Cidadania”, da APCA – Associação Paulista dos Críticos de Arte de São Paulo. Um reconhecimento à luta pelo direito à comunicação promovida pela Radio Heliópolis.
• 2004: A Anatel (Agencia Nacional de Telecomunicações) decreta o fechamento da Rádio Heliópolis, fato que gera grande mobilização da comunidade. O Governo Federal compromete-se a dar encaminhamento para a mudança de “Rádio Comunitária” para “Rádio Educativa”.
• 2006: Mudança de endereço: O estúdio, antes na Rua da Mina (sede da UNAS), transfere-se para sede própria à Rua Paraíba, 76 – Copa Rio. É decretado novamente pela Anatel o fechamento da Rádio, porém, por breve período.
• 27 de outubro de 2006: É publicada no Diário Oficial a permissão provisória de funcionamento.
• 2007: Aberta pelo governo a licitação para funcionamento. Duzentas e oitenta e oito rádios, entre elas a Rádio Heliópolis, enviam ao Ministério das Comunicações pedido de licença definitiva para funcionarem como rádios comunitárias.
• 13 de março de 2008: É publicada a autorização oficial e definitiva para o funcionamento da Rádio Heliópolis.
• 15 de junho de 2009: Por determinação da Anatel e do Ministério das Comunicações, a Rádio Heliópolis passa a transmitir na frequencia de 87,5 MHz.

ESTRUTURA
A Rádio Heliópolis conta com dois estúdios: um para a produção e gravação de spots, vinhetas, chamadas, jingles, etc. e outro para a transmissão da programação. Computadores, impressoras, microfones, amplificadores, mesas de som, etc fazem parte do acervo da rádio. Equipamentos adquiridos através de doações e também por aquisição própria. Modestos na tecnologia, mas suficientemente compatíveis ao objetivo. A antena tem altura de 30 metros; Potência de transmissão: 25 watts; Raio de abrangência: pouco mais de 1 km, alcançando quase todo bairro de Heliópolis (atualmente com um milhão de metros quadrados e cerca de 130 mil habitantes), além de parte de alguns bairros em torno (Vila Carioca, São João Clímaco, Vila das Mercês, Sacomã, Ipiranga, Vila Bela, Vila Alpina, etc. Também parte de São Caetano do Sul, município da grande São Paulo)

SOBRE O TRABALHO
Além de tocar músicas de artistas renomados e sucessos das FMs, a Rádio Heliópolis divulga, gratuitamente, grupos musicais e artistas pouco conhecidos (da comunidade ou não), iniciantes e/ou aqueles que não tem chance (ou dinheiro) de apresentar seu trabalho em rádios comerciais. Sorteios de CDs, DVDs e outros brindes acontecem frequentemente. É vetada da programação da Rádio Heliópolis a difusão de músicas ou qualquer gravação de áudio que fazem apologia ao crime, sexo ou às drogas.
Na área cultural, indicações bibliográficas, incentivo à leitura (principalmente de grandes nomes da nossa literatura) e divulgação de shows e eventos que acontecem na comunidade e em toda a cidade.
A programação conta também com momentos ecumênicos de orientação religiosa e espiritual, desconsiderando diferenças geográficas, culturais e políticas entre as diversas igrejas e respeitando a opção religiosa de cada indivíduo.
Os integrantes da Rádio Heliópolis tem como princípio o desempenho na área de prestação de serviços. Através de dicas, relatos e entrevistas com profissionais de diversas áreas, é possível incentivar a conscientização da comunidade sobre cidadania, saúde, saneamento básico, coleta e destinação de lixo, etc.
Fazem parte da rotina da programação informações sobre animais perdidos, documentos extraviados e pessoas desaparecidas (certa vez, uma criança que se perdera da mãe foi encontrada pela polícia e trazida à Rádio Heliópolis. Após anúncio, a mãe pôde reencontrar-se com a criança).
A Rádio Heliópolis é totalmente aberta ao público em geral e conta, através de sugestões e críticas, com a atenta participação dos moradores. Estes, sempre dispostos a adesão em campanhas institucionais, arrecadação de alimentos, remédios, roupas, etc., colaboram efetivamente para o bom funcionamento, o crescimento e a melhoria da Rádio Heliópolis.

ANÚNCIOS OU “APOIOS CULTURAIS”
Por se tratar de rádio comunitária, os anúncios veiculados na programação (“spots” radiofônicos) são chamados de “Apoios Culturais”. Em geral, estes são gravados nos estúdios da Rádio Heliópolis e tem como objetivo a divulgação do comércio local (ou do em torno), produtos, serviços, etc. (não é permitida a divulgação dos valores ou preços destes produtos e/ou serviços). Mediante assinatura de um contrato, estabelece-se a quantidade de inserções diárias e por quanto tempo o Apoio Cultural será veiculado na programação (semanas, meses). Os valores cobrados por estes apoios culturais são simbólicos e estão muito aquém daqueles cobrados por rádios comerciais. Essa verba é destinada à manutenção dos equipamentos e/ou ao pagamento de pequenas despesas da Rádio Heliópolis.

OUTRAS RÁDIOS
A Rádio Heliópolis apoia a luta pela legalização de outras rádios comunitárias, trocando experiências e participando de reuniões e projetos de interação.

HELIÓPOLIS
A favela, ou comunidade de Heliópolis (em grego, “Cidade do Sol”), teve origem em 1971, quando a Prefeitura resolveu desalojar 102 famílias da favela de Vila Prudente para a construção de um viaduto sobre o rio Tamanduateí e realojá-las num terreno do extinto IAPAS – Instituto de Administração Financeira da Previdência e Assistência Social.
O que deveria ser um assentamento provisório cresceu rapidamente e de forma incontrolável, gerando assim inúmeros problemas. Mas cresceram também a conscientização e as reivindicações dos moradores. Hoje, Heliópolis é considerada a favela mais organizada no que se refere à luta por melhores condições de vida e questões sociais.
Fundada em 1987, a UNAS – União de Núcleos, Associações e Sociedades de Moradores de Heliópolis e São João Clímaco, assumiu inicialmente as reivindicações referentes à posse das áreas ocupadas. Depois ampliou suas ações num trabalho comunitário, buscando parcerias na iniciativa privada, a fim de desenvolver projetos nas áreas de educação, cultura, esporte, saúde, habitação e assistência social; programas para alfabetização de adultos, de inclusão digital, de apoio aos sem-teto e a jovens infratores.
Mas os problemas ainda são muitos e a questão das moradias continua sendo crucial, pois os moradores não conseguem legalizá-las. Muitos dispõem de documentação inconsistente, outros esbarram na burocracia oficial, pois a própria documentação do IAPAS sobre o terreno parece ter irregularidades.
Atualmente, Heliópolis é a segunda maior favela do Brasil e da América Latina. As habitações são quase todas de tijolos e concreto, distribuídas quase aleatoriamente por uma área de um milhão de metros quadrados, compondo um cenário caótico de ruelas tortuosas e becos sem saída, abrigando aproximadamente 125 mil pessoas; 91% delas são de origem nordestina, 52% com idade até 25 anos. A alta densidade demográfica é centrada em dez núcleos, com um número considerável de precárias moradias e conjuntos habitacionais populares, habitados por famílias constituídas por grande número de pessoas.
Falta emprego. De cada 10 adolescentes de Heliópolis, seis estão desempregados e 80% dos moradores sobrevivem com renda de um a três salários mínimos, enquanto um grande número de pessoas não tem renda nenhuma. Ainda, de cada 10 adolescentes, quatro não freqüentam a escola.
A maior causa de morte de jovens de 12 a 20 anos é o homicídio, causado por brigas do tráfico de drogas. Esses problemas sociais envolvendo jovens estão incluídos na pauta da agenda política do país e são discutidos em grupos que cuidam da criação de políticas públicas voltadas para a juventude, incluindo a aplicação do Estatuto da Juventude. Um dos constantes desafios na vida dos jovens é o primeiro emprego.
As iniciativas existentes para essa questão tem se mostrado ainda insuficientes.
O assunto vem ganhando cada vez mais importância e visibilidade, inclusive internacional.
Apesar dos problemas, a favela segue crescendo num ritmo explosivo e a comunidade já conta com todo tipo de comércio. São mais de dois mil estabelecimentos comerciais, que negociam de tudo. Há de açougues a livrarias; de salões de beleza a peixarias; de pet shops a lan houses.

Site: http://www.heliopolisfm.com.br/

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