8 de mar2017

Na Bahia, encontro fortalece a comunicação comunitária na região sisaleira

por deniseviola
Encontro de comunicadores em Conceição de Coité

Encontro de comunicadores em Conceição de Coité

Por Piter Junior, da Rádio Coité FM

Com a presença de comunicadores e representantes de rádios comunitárias e comerciais da região sisaleira do estado da Bahia, ocorreu na quarta-feira (07/08) o primeiro Encontro de Radiocomunicadores do Sisal.

A atividade foi realizada no centro de formação Mansão da Paz, localizado no bairro da Mansão em Conceição do Coité. O evento foi promovido pela Artigo19, ONG internacional que atua na promoção e defesa da liberdade de expressão e a AMARC/BR – Associação de Mundial de Rádios Comunitárias. O encontro contou com o importante suporte dos integrantes da rádio Comunitária Coité Livre FM, entidade filiada à AMARC, que luta pela sua outorga há 17 anos junto ao Ministério das Comunicações.

N primeira atividade do evento cada comunicador fez um relato de como ocorre o processo de comunicação comunitária em suas localidades, expressando suas conquistas e dificuldades de atuação nesse universo tão desafiador que é a comunicação cidadã.

Kleber Silva, da rádio Valente FM, mediou o bate-papo com a proposta de rearticular o movimento da comunicação comunitária em toda região do sisal e Bacia do Jacuípe.

Na sequência, as integrantes do Artigo 19, Camila Marques, Raissa Maia e Mariana Rielli,

Participantes do encontro reunidos.

Participantes do encontro reunidos.

ministraram a oficina “Como se proteger nas ações de fiscalização e Judiciais?”. Na oportunidade foi contada a história fictícia de uma rádio que não possuía outorga e que lutava por sua liberação porém, enfrentava forte repressão do estado, história baseada em fatos reais (Coité FM).

Após um delicioso lanche foi a vez de Lígia Apel, conselheira da AMARC, apresentar o resultado da pesquisa: “Compreendendo a violência contra a mulheres radiocomunicadora no nordeste”. Tema bastante sugestivo para o momento, em virtude do 8 de Março. A explanação rendeu um rico debate sobre o tema.

O encontro foi concluído por volta das 23h horas, quando os participantes saborearam um jantar e conferiram as apresentações de Samba de Roda com o grupo Reizado de Cabaceiras e a Orquestra Santo Antonio, liderada pelo maestro Josevaldo NIM. Como tudo no Nordeste acaba em forró, a noite fechou com o ‘arrasta pé’ da banda Forró di Gravata.

16 de dez2016

AMARC PROMOVE MESA DE DEBATE SOBRE RÁDIO DIGITAL

por deniseviola
Ismar Vale, Claudio Del Bianco, Adriana Veloso, Taís Ladeira, Ivan Moraes e Ana Veloso na mesa de debate (foto: Pulsar Brasil)

Ismar Vale, Claudio Del Bianco, Adriana Veloso, Taís Ladeira, Ivan Moraes e Ana Veloso na mesa de debate (foto: Pulsar Brasil)

Durante o terceiro Seminário “O futuro das rádios comunitárias em tempos digitais”, entre os dias 8 e 10 de dezembro, a Amarc (Associação Mundial de Rádios Comunitárias) realizou diversas discussões e rodas de conversa sobre o tema em Olinda, Pernambuco. Na última sexta-feira (9), o encontro foi marcado pela mesa de debate sobre Rádio Digital, que contou com a participação de especialistas tanto do ponto de vista técnico quanto social do tema.

A mesa foi composta por Ana Veloso, professora da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco); Taís Ladeira, da Amarc Brasil; Ismar Vale, da EBC (Empresa Brasil de Comunicação); Claudio Del Bianco, presidente da ABRADIG (Associação Brasileira de Rádio Digital; Adriana Veloso, doutorando em Ciência Política pela UNB (Universidade de Brasília); e Ivan Moraes Filho, do Centro de Cultura Luiz Freire e vereador eleito pelo PSOL em Recife.

Para Ivan Moraes, a luta pelo direito à comunicação é um desafio histórico para os movimentos sociais. Para ele, o debate é censurado pelas estruturas de poder presentes no país. Ele acredita que as rádios comunitárias têm um papel fundamental para mudar esse quadro.

Já para Adriana Veloso, a mesa apontou algumas divergências entre os aspectos técnicos e o uso social da tecnologia, o que tornou o debate ainda mais rico. Ela acredita que ao final foi possível atingir um denominador comum.

Ismar Vale, que é da área técnica, avalia que o debate foi muito positivo pois ele pode ter contato com o outro lado da questão. Para ele, o debate foi uma oportunidade de ver que outros fatores também precisam ser considerados em relação ao rádio digital. (pulsar)

As falas de Ivan Moraes, Adriana Veloso e Isamar Vale podem ser ouvidas/baixadas na página da Agência Pulsar Brasil.

12 de dez2016

AMARC REALIZA TERCEIRO SEMINÁRIO SOBRE O FUTURO DAS RÁDIOS COMUNITÁRIAS EM TEMPOS DIGITAIS

por deniseviola

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Entre os dias 8 e 10 de dezembro acontece o terceiro seminário “O Futuro das Rádios Comunitárias em Tempos Digitais”, realizado pela Amarc (Associação Mundial de Rádios Comunitárias), com o apoio do Fundação Ford. O evento pretende reunir comunicadores de rádios livres e comunitárias da região Nordeste em Olinda, Pernambuco, para debates, oficinas e rodas de conversa que contarão ainda com a presença de especialistas, profissionais de comunicação, estudantes.

Denise Viola, coordenadora da Amarc, lembra que o evento faz parte do projeto de um projeto que já realizou outros dois encontros, o primeiro sobre convergência midiática e o segundo sobre o espectro livre. Agora, as discussões serão em torno do próprio rádio digital.

Ao final do encontro será elaborada uma carta de posicionamento da Amarc sobre as rádios comunitárias em tempos digitais. Para Denise, debater o direito à comunicação é uma necessidade cada vez mais urgente, principalmente quando se pensa no atual cenário político do Brasil.

Para ouvir/baixar os áudios, basta entrar na página da Agência de Notícias Pulsar Brasil.

9 de dez2016

AMARC LEVA DEBATE SOBRE RÁDIOS COMUNITÁRIAS PARA PERNAMBUCO

por deniseviola

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Na última quinta-feira (8), foi realizada em Olinda, Pernambuco, a abertura do terceiro Seminário “O futuro das rádios comunitárias em tempos digitais”. A abertura do evento aconteceu no ritmo do coco de umbigada e com uma roda de debate sobre a importância da comunicação no momento atual.

Mãe Beth de Oxum, da Rádio Amnésia, falou sobre a importância das rádios livres e comunitárias no contexto político atual. Ela lembrou que a maioria das rádios não representa a cultura popular. O coco de umbigada que já é centenário não é tocado na maioria das rádios, a música negra não tem espaço.

Já para Ivan Moraes Filho, do Centro de Cultura Luiz Freire, o papel das rádios comunitárias é cada vez maior e mais importante num cenário de golpe. Ele acredita que a comunicação comunitária é fundamental na disputa de narrativa e na construção da nossa história.

Esteve presente também na abertura Angélica Araújo da ARPPE (Associação das Rádios Populares de Pernambuco). Angélica defende o fortalecimento das rádios comunitárias como um dos meios de se fortalecer também as lutas populares.

O seminário tem programação até o próximo sábado (10) e conta com debates e oficinas. (pulsar)

Na página da Agência Pulsar Brasil você pode ouvir/baixar as falas de Mãe Beth de Oxum sobre a importância das rádios que representem a cultura negra e popular, de Ivan Moraes Filho sobre a disputa de narrativa a partir da comunicação comunitária e de Angélica Araújo sobre a importância de se fortalecer as rádios comunitárias.

2 de out2016

ELEIÇÕES 2016: OS PROBLEMAS DA REFORMA ELEITORAL

por deniseviola

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As eleições municipais ocorrem no próximo domingo (2) em todo o país. O processo eleitoral ainda gera muitas dúvidas na população. Com o intuito de informar o público, a Pulsar Brasil realiza entre quinta (29) e esta sexta-feira (30) notas especiais sobre as eleições.

A Pulsar conversou com o advogado eleitoral Renato Ribeiro de Almeida. Nestes dois áudios que seguem o tema é a reforma eleitoral sancionada em 2015.

O advogado acredita que a reforma trouxe mais problemas do que soluções, principalmente no que se refere ao tempo reduzido de 90 para 45 dias de campanha e de candidaturas.

No primeiro áudio Renato fala sobre a desvantagem para os candidatos novos com o pouco tempo de campanha, que passam a ter muito mais dificuldade de se fazerem conhecer pela população.

Já no segundo áudio, a questão é o pouco tempo para julgamento das candidaturas. O advogado lembra que às vésperas das eleições ainda existem que não foram avaliadas pela Justiça. (pulsar)

Para ouvir os áudio, entre no link http://brasil.agenciapulsar.org/mais/politica/brasil-mais/eleicoes-2016-os-problemas-da-reforma-eleitoral/

 

2 de out2016

ELEIÇÕES 2016: VOTO DE LEGENDA E SISTEMA ELEITORAL PROPORCIONAL

por deniseviola

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As eleições municipais ocorrem no próximo domingo (2) em todo o país. O processo eleitoral ainda gera muitas dúvidas na população. Com o intuito de informar o público, a Pulsar Brasil realiza entre  quinta (29) e sexta-feira (30) notas especiais sobre as eleições.

A Pulsar conversou com o advogado eleitoral Renato Ribeiro de Almeida. Nestes dois áudios  os temas são a mudança no voto de legenda e o sistema eleitoral proporcional.

O advogado explica a questão da quantidade miníma dos 10 por cento no quociente eleitoral, que é  o total de votos necessários para se conseguir uma cadeira e das ‘sobras’ do voto de legenda que podem beneficiar outro partido que não foi o votado pelo eleitor.

No segundo áudio, Almeida fala sobre o sistema eleitoral proporcional. Ele explica como um candidato que obteve mais votos pode ajudar outros do mesmo partido.

Ouça o especial ‘Pulsar Brasil nas Eleições’ e saiba mais sobre o processo eleitoral brasileiro. (pulsar)

30 de set2016

ELEIÇÕES: VOTO NULO E VOTO BRANCO

por deniseviola

As eleições municipais ocorrem no próximo domingo (2) em todo o país. O processo eleitoral ainda gera muitas dúvidas na população. Com o intuito de informar o público, a Pulsar Brasil realiza entre esta quinta (29) e sexta-feira (30) notas especiais sobre as eleições.

A Pulsar conversou com o advogado eleitoral Renato Ribeiro de Almeida. Nestes dois áudios iniciais os temas são voto nulo e voto branco.

No segundo áudio, o advogado ainda esclarece sobre um ponto que é motivo de discussão entre os eleitores: a anulação da eleição pelo voto nulo.

Ouça o especial ‘Pulsar Brasil nas Eleições’ e saiba mais sobre o processo eleitoral brasileiro. (pulsar)

4 de set2016

GOVERNO TEMER COMEÇA TENTATIVA DE DESMONTE DA EBC

por deniseviola
Ato em defesa da EBC e da comunicação pública (foto: Taís Ladeira)

Ato em defesa da EBC e da comunicação pública (foto: Taís Ladeira)

A sexta-feira (2) começou com mais golpe contra a democracia. Desta vez o alvo foi a EBC (Empresa Brasil de Comunicação) e a comunicação pública brasileira. Com o discurso de atacar o suposto aparelhamento da empresa, o governo de Michel Temer (PMDB) transforma o que é público em estatal. Nesta tarde, já foi realizado um ato na porta da empresa em Brasília contra os ataques do novo governo e em defesa da comunicação pública.

A MP (Medida Provisória) 744 extingue o Conselho Curador e assim tira a autonomia da EBC em relação ao Governo Federal para definir produção, programação e distribuição de conteúdo no sistema público de radiodifusão e agências. Houve ainda a tentativa de exonerar mais uma vez o diretor-presidente Ricardo Melo, o que contraria uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que garantiu a legalidade do mandato em junho. No mesmo dia o governo teve que recuar em relação a este cargo.

O Conselho Curador divulgou, também nesta sexta, uma moção de repúdio ao desmonte da EBC. Composto por representantes de vários setores da sociedade civil, do Congresso Nacional, do Governo, e dos funcionários da empresa, o Conselho Curador tem atuado para garantir a diversidade de vozes nos veículos da EBC.

De acordo com Rita Freire, presidenta do Conselho, além de garantir a diversidade de vozes, foram os conselheiros que não permitiram o desmonte da EBC durante o governo interino de Michel Temer. Para Rita, a medida transforma a empresa em governamental e permite que ela seja usada para transmitir o mesmo discurso único da grande mídia, com uma interpretação única dos fatos.

Segundo Rita Freire, a Medida Provisória é muito questionável do ponto de vista jurídico e tem o objetivo claro de extinguir a EBC, pois extingue a participação da sociedade civil em qualquer instância.

Lígia Apel, representante nacional da Rede de Mulheres da Amarc (Associação Mundial de Rádios Comunitárias), defende que a comunicação pública é um dos braços da luta pela democratização da comunicação. Lígia ainda lembra que o direito à comunicação é garantido na Constituição, na Declaração Universal dos Direitos Humanos e em diversos documentos internacionais que o Brasil é signatário. Vale ressaltar que a Amarc enquanto organização que luta pelo direito à comunicação apoia a moção de repúdio contra o desmonte da EBC. (pulsar)

Para ouvir/baixar os áudios, clique em http://brasil.agenciapulsar.org/mais/politica/brasil-mais/governo-temer-comeca-tentativa-de-desmonte-da-ebc/

30 de ago2016

Dez anos da Lei Maria da Penha em debate no Ceará

por deniseviola

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O Conselho Municipal de Defesa da Mulher de Juazeiro do Norte – COMDEM – realizou neste dia 23 de agosto de 2016 no Centro Regional de Referência à Saúde da Trabalhadora e do Trabalhador, o I FÓRUM DE DEBATE: Lei Maria da Penha e o PLC.07/2016.
Convidadas afinadas e conhecedoras da realidade das mulheres discorreram seus pontos e contrapontos acerca das mudanças que ferem a Lei e fragilizam e desresponsabilizam o Judiciário! 

O Conselho da Mulher de Juazeiro está criando comissões e grupos temáticos, quando necessários, para estudos e análises de questões atinentes às mulheres, promovendo seminários, fóruns como esse, campanhas e encontros municipais sobre os temas importantes para as mulheres do município, buscando parcerias com outros órgãos regionais, estaduais e nacionais e integrando um trabalho coletivo e de ação, com outros segmentos feministas.

Na mesa de debate estavam representados a Defensora Pública do Juizado da Mulher, pela advogada  Aline Marinho, Comissão da Mulher Advogada OAB Mulher Juazeiro, pela advogada Derineide Barboza, o Centro Regional de Referência da Mulher, pela advogada Anne Dulcinéia, a Frente de Mulheres dos Movimentos do Cariri e Conselho Municipal dos Direitos da Mulher da cidade de Crato, pela Profª Verônica Isidorio, o Centro Regional de Referência da Mulher, pela psicóloga Vanessa Cruz, o Grupo de Valorização da Pessoa Negra Cariri- GRUNEC, pela Profª Maria Eliana de Lima e a Presidenta do COMDEM, Profª  Karol Dias Magalhães. E evento, que contou com total interação da plateia, foi apresentado pela comunicadora Célia Rodrigues – Conselheira e uma das fundadoras do COMDEM.
Os desafios são imensos, mas, com a força e o compromisso de todas as conselheiras, o COMDEM cumprirá sua agenda de gestão 2016/2018. Quer seja no protesto, na cobrança, no envolvimento dos Conselhos, dos coletivos de mulheres, dos núcleos universitários, dos movimentos sociais feministas; quer seja da sociedade de mulheres e homens, exigindo dos sistemas, consulta pública às mulheres, em consequência da angústia dos direitos violados.

24 de ago2016

Rádio Coité FM lança campanha em defesa da ‘sobrevivência’ da emissora

por deniseviola

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Nesta terça-feira (23) começou a campanha em defesa da sobrevivência da Rádio Coité FM. A emissora comunitária localizada no município de Conceição do Coité, na Bahia, tenta há dezoito anos uma outorga de funcionamento no Ministério das Comunicações.

Durante esses anos, a perseguição e criminalização fizeram parte da rotina da emissora que luta diariamente para manter no ar uma programação voltada para a cidadania no interior baiano. A rádio já sofreu perseguição da Agência Nacional de Telecomunicações (ANATEL), apreensão de três transmissores, multas e condenação penal dos representantes legais da emissora pela ausência da outorga.

Agora, com o apoio da Artigo 19 e da Associação Mundial de Rádios Comunitárias (Amarc Brasil), a emissora lança a campanha ‘Apoie a rádio Coité FM’. O objetivo é arrecadar 11 mil e 500 reais no prazo de 60 dias. O valor de dez mil será revertido para o pagamento de multas, honorários de advogados e substituição de equipamentos confiscados. Os mil e 500 reais restantes correspondem à taxa cobrada pelo site que hospeda a campanha.

Para o comunicador Piter Júnior, que em março de 2015 foi condenado pela Primeira Vara de Subseção Judiciária de Feira de Santana por exploração clandestina do serviço de radiodifusão, a campanha é uma forma de arrecadar a verba necessária para garantir o funcionamento da rádio e também dar visibilidade internacional ao cerceamento da liberdade de expressão que ainda impede muitos comunicadores de exercer a sua atividade.

Já o conselheiro político da Amarc Brasil, Pedro Martins, destaca  o papel  da Associação Mundial de Rádios Comunitárias na campanha. Segundo ele, o caso da Rádio Coité FM é emblemático porque reflete a realidade de muitas rádios comunitárias no Brasil que ainda são perseguidas e criminalizadas. Martins ressalta a necessidade de denunciar o caso e reforçar o debate sobre o direito à comunicação no país.

campanha “Apoie a rádio Coité FM” estará no ar por 60 dias e as doações podem ser feitas por cartão de crédito ou pelo pagamento de boleto bancário gerado no próprio site da campanha. (pulsar)

24 de ago2016

Apropriação Tecnológica no Quilombo do Curiaú

por deniseviola

Sol forte, calor úmido e o canto dos pássaros que rondavam a hortinha medicinal da escola José Bonifácio, no Quilombo do Curiaú, em Macapá, no Amapá, foi o cenário inicial do primeiro encontro do projeto Mídia dos Povos em 2016. O tema: apropriação tecnológica para rádio comunitárias e livres.  Os cerca de vinte inscritos, alguns moradores, outros vindos de outros estados, traziam muita curiosidade a respeito da dinâmica necessária para montar uma rádio na comunidade onde vivem, além da vontade de compartilhar suas próprias vivências.

Para ler mais: http://midiadospovos.amarcbrasil.org/

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24 de ago2016

Libere a sua rádio!

por deniseviola

No Brasil a “Red de Radios Comunitarias y Software Libre” ainda é pouco conhecida. No resto da América Latina, o lema do grupo pluri-nacional “Libera tu radio!” (ou seja “Libere a sua rádio!) já convenceu muitos coletivos radiofônicos. A mensagem é clara: fazer uma rádio comunitária usando software proprietário a largo prazo não pode ser uma experiência libertadora. Quem ainda usa sistemas operativos como Microsoft ou OS X normalmente se sente bastante desconfortável com este tipo de comentário. Os primeiros reflexos mais comuns são:

Ah, mas fazer rádio é uma prática social, pouco importa a parte da tecnologia.”

Software livre é assunto da classe média ou dos jovens universitários. As pessoas comuns não tem como conquistar estas ferramentas com tanta facilidade.”

O Linux é muuuuito complicado e não funciona bem. Eu aprendi a editar áudio com um programa que nem rola lá. Por que aprender algo de novo que já foi resolvido?”

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Para enfrentar estas e outras críticas (que nunca faltam) a Red organiza um encontro anual continental. Este ano o encontro teve lugar em Quito, Equador. Chegaram dezenas de rádios comunitárias e livres desde a Sierra Madre até a Terra do Fogo. “Nos juntamos aqui”, comentou Jorge Cano da Radio Wambra (ECU) “porque fazer rádio é uma busca permanente. Temos que deixar para trás supostos conflitos geracionais. Hoje se fala muito da defesa da soberania, então, as rádios não podem ficar fora desse debate. Devem ser espaços soberanos, onde acontece uma constante liberação de conhecimentos”.

Mas como? Esta é a grande pergunta que marcou também este “II Encontro de Rádios Comunitárias e Software Livre”. Impossível documentar todas as vozes e propostas, mas seguem algumas que se destacaram:

Dafne Moncada, Radio Plazeres (Chile)

A nossa rádio existe há 27 anos. Participam diferentes gerações, e para algumas, a questão digital não é para nada fácil. Além disso, o Chile é muito atrasado com o tema de software livre – quase não se debate no governo ou nas organizações sociais. Para falar a verdade, na rádio usamos vários programas de software livre, mas o sistema operativo ainda é Windows. Queremos avançar nisso em parceria com os participantes da Rádio Pirata, que também transmite em nossa cidade, Valparaiso. Eles contam com militantes de software livre. Sem esse contato, será difícil seguir adiante, porque as capacidades a distância, sozinhas, não são suficientes.

Angelica Cárcamo, Red ARPAS (El Salvador)

Estamos no ar desde os anos 90. Em El Salvador tem uma frequência só para as rádios comunitárias, mas estamos aproveitando bem esse espaço. Achamos que o software livre é uma ótima ferramenta para descolonizar as mentes. Pra nós, é fundamental! E por isso a nossa rede se colocou uma meta concreta: até o ano 2025, todos os associados da nossa rede vão usar só software livre. Como conseguir isso? Pois já estão previstas uma série de oficinas para facilitar a migração e a apropriação de GNU-Linux e outras tecnologias.

Ivan Terceros, Medialab UIO (Ecuador)

Devemos abraçar a criação de espaços livres, onde acontece a apropriação da tecnologia. A gente poderia seguir lamentando a brecha digital – ou repensar as práticas, e simplesmente fazer coisas! Eu vejo a tecnologia como um ato político e cultural. Não existe uma tecnologia só, os universalismos não servem porque qualquer proposta global demais vai fracassar. Ao invés de esperar melhores condições, temos que começar a descolonizar a produção dos códigos. E nisso, temos que exigir também a presença do Estado, porque é o seu dever favorecer o desenvolvimento de uma tecnologia social.

Alex Llumiquinga, ALER (Peru)

A proposta da nossa rede sempre foi comunicar e educar. Ao longo da nossa história, sempre tivemos interesse em desenvolver uma ampla consciência tecnológica, trabalhando com a imprensa escrita, rádio escolas, plataformas satelitais e Internet. Agora acabamos de publicar uma “Carta do Futuro” na qual definimos nossos passos até o ano 2020. Em relação ao software livre, queremos apoiar e colaborar com todos os grupos que trabalham com tecnologia, e pensar em iniciativas comuns. Ideias não faltam: laboratórios populares, um sistema de telefonia intercontinental e grupos de trabalho temáticos. Achamos importante ampliar nossa cooperação porque isto permitirá novas experiências com grupos que compartilham princípios e valores das rádios comunitárias.

Bruna Zanolli, Rádio FMea (Brasil)

Para mim, as rádios livres são espaços de contracultura, onde acontece uma produção diferenciada com software livre, por exemplo, para editar áudio ou fazer um trabalho gráfico. É todo um processo de aprendizagem, mas vale a pena. Muitas vezes precisamos usar mais de uma ferramenta de software livre para fazer o que se faz com uma só no software proprietário. Tem que ter ternura com a sua própria aprendizagem, não se estressar. Acho que uma boa forma para aprender é fazer um manual ou tutorial baseado na sua própria experiência. Desse jeito os conhecimentos são compartilhados.

Inoscencio Flores, Radio Huayacotla (México)

A nossa rádio nasceu como uma escola radiofônica no ano de 2005. Sempre quisemos transmitir por Internet também, mas sozinho não rolou. Achamos um apoio pouco comum: há cinco anos atrás, um jesuíta australiano ofereceu ajuda online. Depois do primeiro contato, ele também nos visitou várias vezes. Hoje trabalhamos só com software livre, mas ainda temos alguns problemas. Trabalhar na linha de comandos não é fácil, e nossa conexão de Internet segue muito lenta…

Jorge Cano, Radio Wambra (ECU)

A liberdade não se deve a uma condição só, senão a articulação conjunta de diferentes dinâmicas: comunicação segura, criação de novas ferramentas, uso de software livre, etc. Precisamos liberar as palavras e as práticas. E quando não se tem o espaço necessário, se constrói. A gente não pode falar somente do conteúdo, temos que articular a soberania da comunicação em todos os âmbitos. No Equador, por exemplo, existe um concurso nacional de frequências, que permite legalizar rádios comunitárias. Mas isso não influi sobre as condições de fazer rádio mesmo. Temos que trabalhar num tecido social onde confluam os diferentes movimentos e lutas, para colocar a nossa agenda e definir as nossas regras.

E agora José? Depois de todos estes testemunhos motivantes, por onde começar? Existem muitos caminhos, e a AMARC Brasil começará, ainda este ano, a organizar oficinas para apoiar os primeiros passos na libertação da sua rádio. E para quem não quer esperar mais, a Red de Radios Comunitárias y Software Libre oferece um tutorial bastante completo para instalar o sistema operativo GNU/EterTICs (Debian) – uma compilação de programas pensado especificamente para as rádios comunitárias e livres:

https://liberaturadio.org/article/instalacion-completa-gnuetertics-videotutoriales/

 

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