8 de ago2017

Amarc discute rádio e direito à comunicação com povos da Amazônia

por deniseviola

(foto: Dilliany Justino)

Direito à comunicação, ancestralidade, radiojornalismo, construção de transmissores e colocar uma rádio no ar. Entre os dias 24 e 28 de julho, aconteceu o último encontro do projeto Mídia dos Povos, realizado pela Amarc Brasil (Associação Mundial de Rádios Comunitárias), na aldeia Marajaí, no Amazonas. Mais de 30 indígenas, quilombolas e ribeirinhos participaram das diversas atividades e oficinas na comunidade localizada no município de Alvarães e pertencente ao povo Mayoruna.

A experiência de fazer rádio foi uma das mais marcantes. Genival Júnior é Mayoruna, professor da escola indígena de Marajaí e estudante de Ciências Humanas e Sociais, ele conta como foi possível entender melhor o funcionamento do rádio e a importância que ele pode ter na comunidade.

Já Luana Kumaruara, que mora em Santarém, no Pará, e estuda Antropologia, afirma que a experiência foi única e o envolvimento dos participantes chamou a atenção.

Os mais de 30 participantes saíram fortalecidos do encontro e foram apresentados a novas formas de se pensar a comunicação. Para Maria Francisca Ataíde, moradora da Floresta Nacional do Amazonas (Flona), o que mais fortalece cada um num evento como esse é o conhecimento.

De acordo com Amarildo, Vice-Tuxaua da aldeia Marajaí, o último encontro do projeto Mídia dos Povos foi uma experiência de vida para o povo Mayoruna e todos os participantes.

O processo de trocas e as experiências promovidas pelas oficinas é o resultado mais positivo deste projeto, que encerra suas atividades presenciais, mas que continua com a rede de comunicadores e povos tradicionais da Amazônia que se formou ao longo desse processo. (pulsar)

*Para ouvir a reportagem clique aqui

2 de maio2017

Protagonismo das mulheres e democratização da comunicação estão entre os destaques da Carta de Tarapoto

por deniseviola

                                                                 (foto: Dilliany Justino)

Entre os dias 28 de abril e primeiro de maio, diversas organizações, povos tradicionais e movimentos sociais de nove países se reuniram em Tarapoto, no Peru, para o VIII Fórum Social Panamazônico. O resultado dos debates realizados ao longo desses dias é a Carta de Tarapoto, um documento que reúne propostas de luta, resistência e mudanças para a preservação da panamazônia.

De acordo com Ismael Vega, do Comitê Internacional do Fórum, o evento foi um sucesso, principalmente pelo seu caráter participativo e democrático, e pela visibilidade dos aspectos mais importantes da agenda política dos povos da Amazônia. Vega afirma que a carta questiona o atual sistema capitalista e neoliberal, com o objetivo de construir novos paradigmas. Ele destaca ainda a participação das mulheres e a entrada da democratização da comunicação entre os pontos do documento.

Diana Aguiar, da Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional (FASE), também avalia o evento positivamente. Para ela, o Fórum foi um espaço de aprendizado sobre o que tem ocorrido na panamazônia, de diversidade e riqueza.

Pela primeira vez na história do Fórum, a comunicação esteve entre os principais eixos temáticos, juntamente com as mulheres, a descolonização, megaprojetos, soberania e segurança alimentar, mudanças climáticas, educação e cidades.

Para Aguiar, dar voz às mulheres é fundamental, porque são elas que estão construindo tanto as resistências quanto as alternativas. No Fórum, além de terem um espaço específico elas ainda estiveram de forma transversal em todos os espaços. A realização do Tribunal de Justiça e Defesa dos Direitos das Mulheres Amazônicas e Andinas, composto somente por mulheres também foi um ponto alto do evento e será integrado às próximas edições.

Sobre o tema da democratização da comunicação, Diana Aguiar lembra que muitas vezes os movimentos não percebem a questão como política. De acordo com ela, é fundamental que a comunicação tenha destaque nesse contexto.

A Carta de Tarapoto pode ser encontrada no site do evento: www.forosocialpanamazonico.com. O próximo Fórum Social Panamazônico será realizado na Colômbia. (pulsar)

27 de abr2017

Comunicador@s da Amazônia organizam rádio dentro do Fórum Social Panamazônico para visibilizar suas lutas e culturas

por deniseviola

O chamado da floresta. De sexta-feira (28) até 1º de maio, os povos da Amazônia estarão reunidos em Tarapoto, no Peru, para o VIII Fórum Social Panamazônico (FOSPA). O evento reunirá participantes de nove países, incluindo o Brasil, para debater sobre as realidades de indígenas, ribeirinhos e quilombolas que vivem na maior floresta tropical do mundo.

Para  divulgar as atividades que ocorrerão durante o Fórum e visibilizar a riqueza cultural dos herdeir@s da Amazônia e suas lutas, foi estruturada uma rádio que irá falar para os participantes do FOSPA e também para aqueles que não puderam vir à Amazônia peruana para acompanhar de perto o evento.

A rádio é uma iniciativa de mais de 30 integrantes das redes de comunicador@s da floresta, formada pelos coletivos La Nave Va e Mídia dos Povos. O espaço será um local de convergência do trabalho de redes de mídias comunitárias e livres da América Latina, apoiado pela Associação Mundial de Rádios Comunitárias (AMARC Brasil), Associação Latino Americana de Educação e Comunicação Popular (ALER) e iniciativas internacionais de mídia independente.

O estúdio da La Nave Radio estará localizado na Universidade Nacional de San Martín, em Tarapoto, durante todo o Fórum. A rádio estará disponível também pela internet. Para acompanhar a programação e conhecer um pouco mais da realidade dos povos da floresta, basta acessar o portal www.pororoca.red.

‘Somos uma escola de comunicação alternativa para o Bem Viver. Somos uma rede amazônica buscando novas formas de comunicação intercultural, multimídia e artística’

Para @s interesad@s em retransmitir o sinal da rádio contatar:

 

Liseth Atamain                                                           

Celular:+51 922650194

E-mail: yanualiseth@gmail.com

 

Luis Taijin

Celular: +51 963247129

E-mail:albertork39@gmail.com

5 de jan2017

EM RONDÔNIA, EXPERIÊNCIAS COM AGROECOLOGIA COLOCAM EM XEQUE O MODELO AGROPECUÁRIO

por deniseviola

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O convite desta reportagem da série Caravana Agroecológica é para conhecermos experiências de sucesso no estado de Rondônia. A região é marcada pela agropecuária e mineração, além da luta por direitos dos povos indígenas, comunidades tradicionais e agricultores familiares.

A série Caravana Agroecológica é uma parceria da Pulsar Brasil com a Articulação Nacional de Agroecologia, FASE e AS-PTA e visa mostrar um pouco mais dos bastidores da produção de alimentos livres de veneno e os benefícios trazidos para as comunidades que investem nas técnicas agroecológicas.

A série é composta por 10 programas radiofônicos que irão retratar as dificuldades e os benefícios encontrados pelos produtores rurais que optam  por cultivar os seus alimentos a partir de uma perspectiva ecológica de respeito à natureza.

As reportagens têm como base os estudos realizados pelo projeto ‘Promovendo a Agroecologia em Rede’, realizado com o apoio da Fundação Banco do Brasil e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). (pulsar)

4 de jan2017

EM SANTARÉM, COMUNIDADES RIBEIRINHAS UTILIZAM AGROECOLOGIA PARA O DESENVOLVIMENTO DA AMAZÔNIA

por deniseviola

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O convite da quarta reportagem da série Caravana Agroecológica é para conhecermos as comunidades ribeirinhas da reserva extrativista (resex) Tapajós-Arapiuns, em Santarém, no Pará. Numa região marcada pela exploração da madeira e o monocultivo da soja, as experiências com agroecologia têm mostrado que um outro caminho para o desenvolvimento da Amazônia é possível.

A série Caravana Agroecológica é uma parceria da Pulsar Brasil com a Articulação Nacional de Agroecologia, FASE Mato Groso e AS-PTA e visa mostrar um pouco mais dos bastidores da produção de alimentos livres de veneno e os benefícios trazidos para as comunidades que investem nas técnicas agroecológicas.

A série é composta por 10 programas radiofônicos que irão retratar as dificuldades e os benefícios encontrados pelos produtores rurais que optam  por cultivar os seus alimentos a partir de uma perspectiva ecológica de respeito à natureza.

Nesta quarta reportagem, disponível para ouvir /baixar na página da Agência Pulsar Brasil, o ouvinte vai saber mais sobre como a agroecologia contribui para melhorar a renda das famílias.

As reportagens têm como base os estudos realizados pelo projeto ‘Promovendo a Agroecologia em Rede’, realizado com o apoio da Fundação Banco do Brasil e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). (pulsar)

30 de jul2016

Mídia dos Povos chega ao Quilombo de Curiaú, em Macapá

por deniseviola
etnoturismonocuriau.blogspot.com

etnoturismonocuriau.blogspot.com

O projeto Mídia dos Povos vem com o objetivo de dar continuidade a uma série de encontros e oficinas promovidos em 2015 por dois projetos da Associação Mundial de Rádios Comunitárias (AMARC Brasil) junto de parceiros na Amazônia, no intuito de fortalecer e garantir o direito à comunicação no país.
Nossa aposta para o período 2016-2017 consiste em impulsionar a emergente rede de mídia transamazônica em direção a um diálogo mais intenso e uma auto-organização. A proposta é estimular o intercâmbio e proporcionar uma dinâmica de trocas em torno de conhecimentos tradicionais e midiáticos que se sobressaem em cada local, identificado-os junto com os próprios atores dos povos amazônicos.
Esse processo de aprendizagem mútua e de produções colaborativas consistirá em encontros presenciais no Brasil e na amazônia não-brasileira. A proposta temática, desenvolvida em parceria com diferentes ativistas e coletivos, trará tanto a aprendizagem técnica como estimulará a pesquisa e o intercâmbio entre os diferentes saberes locais do fazer midiático na floresta, contribuindo para uma melhor comunicação transregional da população. O primeiro encontro do ciclo de encontros do projeto Mídia dos Povos, irá acontecer entre os dias 3 a 7 de agosto a 12 km da capital do Amapá, Macapá, no quilombo do Curiaú. Este foi o segundo território quilombola reconhecido no Brasil, certificado pela Fundação Cultural Palmares em 1999. O território é conhecido pela cultura do tambor como o marabaixo e o batuque.
Por estar muito próximo da cidade, o quilombo sobre uma interferência direta dos costumes do modo de vida urbano e, de acordo com algumas lideranças locais, a juventude quilombola, na sua maioria, precisa se apropriar da sua própria ancestralidade.
A temática do encontro será apropriação de tecnologias para rádios livres e comunitárias. Além de debater estratégias para a comunicação dos povos tradicionais, vão ser criados espaços para diferentes oficinas, como construção de mini-transmissores de rádio. Além disso, todos os participantes terão espaço para oferecer oficinas e/ou rodas de conversa sobre algum conhecimento que queiram compartilhar com todos.
A convocatória dos próximos encontros será divulgada em breve. Ainda esse ano será realizado um encontro em Alter do Chão, no Pará e outro junto ao indígenas Mundurukus, em Itaituba, ambos no Pará. Para o ano de 2017 estão sendo programados encontros durante o Fórum Social Pan-Amazônico (FSPA) que vai acontecer em abril, em Tarapoto no Peru e em junho/julho em Tefé no estado do Amazonas.

3 de abr2013

Acusados de assassinar casal de extrativistas vão a julgamento em Marabá

por pulsar brasil

Três acusados de terem participado do assassinato do casal de trabalhadores rurais José Cláudio Ribeiro da Silva e Maria do Espírito Santo da Silva vão a júri popular nesta quarta-feira (3), no Fórum de Marabá no Pará.

De acordo com a Agência Brasil, a expectativa da Justiça Estadual é que o julgamento de José Rodrigues Moreira, Lindonjonson Silva Rocha e Alberto Lopes do Nascimento seja concluído em dois dias. O policiamento no local deve ser reforçado, devido à grande repercussão do caso e à expectativa de que muitas pessoas queiram acompanhar o julgamento. Movimentos sociais preparam uma série de manifestações.

José Cláudio e Maria foram assassinados a tiros em maio de 2011, em um assentamento em Nova Ipixuna, no sudeste do Pará. Os dois trabalhavam com etxração de castanhas há 20 anos e denunciavam a extração ilegal de madeira na região em que viviam. Parentes afirmam que recebiam constantes ameaças de morte.

Dois meses após o crime, o Ministério Público do Pará denunciou por homicídio duplamente qualificado José Rodrigues Moreira. Ele diz ser o dono das terras onde o assentamento Ipixuna foi montado e é apontado como mandante do crime. A promotora responsável pela denúncia, Amanda Lobato, também acusou o irmão de Moreira, Lindonjonson Silva Rocha, e Alberto Lopes do Nascimento, de executarem o duplo assassinato.

No assentamento, familiares de José Cláudio e Maria vivem momentos de apreensão e tensão. A principal razão é que a família dos acusados continua ocupando as terras que estavam em disputa, dentro do assentamento. A irmã de Maria, Laisa Santos Sampaio tem recebido ameaças de morte desde o assassinato. Com a proximidade do julgamento, ela diz que a situação ficou ainda mais tensa e afirma temer o que pode acontecer depois do julgamento.

A irmã de José Claudio, Claudelice, denunciou a passividade do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), que, segundo ela, “sabia de tudo” mas ” não fez nada”. A região onde se encontra a reserva é palco contínuo de conflitos entre pequenos agricultores e madeireiros e fazendeiros pela disputa por terras e preservação da Amazônia. (pulsar)

13 de mar2013

Parlamentares ruralistas defendem novo zoneamento para plantação de cana-de-açúcar, incluindo Amazônia e Pantanal

por pulsar brasil

Ruralistas defendem plantação de cana-de-açucar em áreas protegidas da Amazônia e Pantanal (foto:riosvivos)

Nas próximas semanas, parlamentares da Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural do Congresso Nacional vão apresentar proposta para novo zoneamento da cana-de-açúcar no país. As atuais regras restringem a expansão do plantio de cana nos biomas Amazônia e Pantanal e na Bacia Hidrográfica do Alto Paraguai.

Ontem (12), 13 parlamentares tentaram, mais uma vez, flexibilizar a posição do governo. No entanto, a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, reforçou que o Executivo mantém o entendimento de quatro anos atrás.

Segundo a ministra, em 2009, o setor produtivo determinou a área necessária para a expansão da cana. Ela ainda epxlicou que a proteção das áreas na Amazônia e Pantanal, buscam evitar novos desmatamentos e degradação ambiental na Bacia do Alto Paraguai ou no Pantanal.

De acordo com informações da Agência BRasil, para alguns deputados e senadores ligados ao setor, os produtores de cana precisam de mais áreas de cultivo. Representantes da Subcomissão Especial para Avaliação do Zoneamento Agroecológico da Cana-de-Açúcar alegam que a produção no país não é suficiente para atender ao mercado de biocombustíveis.

Apesar de reiterar o posicionamento do governo, Izabella Teixeira não descartou uma nova rodada de diálogo. Segundo ela, depois que o Congresso Nacional concluir a proposta, o governo vai analisar os detalhes em grupos de estudos técnicos.

Para o presidente interino da Frente Parlamentar Agropecuária (FPA), deputado Luiz Carlos Heinze (PP-RS), a revisão das regras é indispensável. Heinze garantiu que o setor não pretende devastar áreas para alcançar a produção necessária. (pulsar)

14 de dez2012

Desmatamento por empresa imobiliária prejudica Santarém

por pulsar brasil

Manancial corre risco.
(reprod.)

Devastação ambiental provocada pela empresa Buriti Imóveis causa indignação em Santarém, no Pará. Organizações e movimentos sociais realizaram um abraço simbólico ao Lago do Juá, principal manancial ameaçado pelas obras.

A área de 150 hectares devastada foi dividida em 21 mil lotes, que começariam a ser vendidos nesta quinta-feira (13). No entanto, de acordo com informações da Rádio Rural, fiscais do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) embargaram o empreendimento.

Em manifesto, o Movimento em Defesa do Lago do Juá afirma que a retirada completa da vegetação do local foi feita sem a realização de um Estudo de Impacto Ambiental (EIA-RIMA). Ainda assim, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente (SEMMA) teria expedido a licença ambiental à empresa.

A intervenção leva perigo de assoreamento ao Lago do Juá, local de águas cristalinas e rico em peixes. As seis organizações que assinam o manifesto destacam que não são contra a criação de novos espaços habitacionais em Santarém, desde que estes respeitem a natureza.

Também denunciam que o equilíbrio ambiental na cidade tem sido violado por interesses econômicos. Entre 2010 e 2011, a área agora afetada pelo empreendimento imobiliário foi ocupada por famílias sem-teto para fins de moradia. Na ocasião, a prefeitura acionou a Justiça.

Segundo o documento, a polícia militar usou de balas de borracha e outros métodos violentos durante a remoção. A alegação para a retirada das famílias foi a de que o local  se trata de uma Área de Proteção Ambiental (APA).

Diante disso, os manifestante pediram que o Ministério Público responsabilize os envolvidos no empreendimento. E cobraram ainda agilidade do Ibama de forma a impedir mais danos ambientais nesta região do Pará. (pulsar)