12 de jul2013

Torcedores reagem à proibição de bandeiras e instrumentos musicais no Maracanã

por Pulsar Brasil

Bandeiras, bandeirões, instrumentos musicais: proibidos no Maracanã privatizado

Nesta quinta-feira (11), o Consórcio Maracanã S/A anunciou uma série de restrições aos torcedores no estádio. Segundo João Borba, presidente do grupo formado pelas empresas Odebrecht, IMX e AEG, o uso de artefatos tradicionalmente presentes nas festas das torcidas no Maracanã será impedido.

Isso inclui o veto a bandeiras de bambu, bandeirões, instrumentos de percussão e fogos de artifício de qualquer natureza. Não será permitido tampouco assistir ao jogo em pé ou sem camisa. O anúncio reforçou argumentos críticos à concessão do Maracanã e causou revolta entre grupos de torcedores.

Para o estudante Lucas Pedretti, membro da torcida Guerreiros do Almirante, do Vasco, a privatização já era negativa por descaracterizar arquitetonicamente o estádio e por resultar na derrubada dos prédios históricos do complexo do Maracanã. Segundo ele, com o anúncio das proibições, o novo gestor “enterra de vez o antigo Maracanã” e confirma o “processo de elitização e de expulsão do torcedor tradicional”.

Flavio Vilela, representante da Frente Nacional dos Torcedores (FNT), caracteriza a postura do consórcio como “covardia”, uma vez que reprime justamente os responsáveis pela “mística” do Maracanã. Em sua opinião, o tradicional canto “O Maraca é Nosso!” está sendo substituído por uma percepção de um estádio reservado aos que podem pagar altos preços e aceitarão as proibições.

Medidas de imposição cultural em meio à preparação para Copa do Mundo de 2014 já vêm sendo criticadas. Em março, a Fifa afirmou que seria necessário “reeducar” os torcedores brasileiros. Houve, ainda, polêmicas sobre a proibição de festas de São João na Bahia durante a Copa das Confederações, e da venda de acarajé na Arena Fonte Nova. No anúncio feito ontem, o presidente do Consórcio Maracanã S/A caracterizou as restrições como “mudança de hábito”. (pulsar)

10 de jul2013

Federações esportivas se unem contra demolições no Complexo do Maracanã

por Pulsar Brasil

Idosos e deficientes físicos atendidos por projetos sociais participaram do protesto

Cerca de 150 pessoas se reuniram, nesta quarta-feira (10), próximo à estátua do Bellini, no Rio de Janeiro, para protestar contra as demolições previstas no contrato de concessão do Maracanã.

De acordo com o projeto, o Parque Aquático Julio Delamare e o Estádio de Atletismo Célio de Barros devem ser derrubados para a construção de estacionamentos, bares, lojas e outros espaços comerciais. A Escola Municipal Friedenreich, uma das dez melhores colocadas no IDEB em todo o Brasil, também deve vir abaixo, segundo o contrato.

O protesto foi convocado em conjunto pela Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA) e pela Federação de Atletismo do Rio de Janeiro (FARJ). A Defensoria Pública da União (DPU), que entrou recentemente com uma ação que pede o tombamento dos espaços esportivos do Maracanã, também esteve presente e apoiou a ação.

Entre os manifestantes, atletas, pais de estudantes da escola Friedenreich e dezenas de pessoas atendidas pelos projetos sociais no Complexo do Maracanã. Somente no Julio Delamare, mais de 10 mil pessoas estavam cadastradas em programas gratuitos de iniciação ao esporte e de promoção da saúde através de atividades físicas.

Esses programas estão paralisados desde o fechamento arbitrário do espaço em abril. Não há qualquer perspectiva de continuidade, o que levou dezenas de idosos e deficientes físicos que agora estão desassistidos ao protesto de hoje. Os manifestantes exigiram a revogação do contrato de concessão que prevê as demolições e reivindicaram uma audiência com o governador do Rio de Janeiro Sergio Cabral (PMDB). (pulsar)

17 de jun2013

Violência policial marca manifestação no Maracanã

por Pulsar Brasil

Protesto no Maracanã denuncia aumento do custo de vida devido à mega eventos (foto: Estefan Radovicz)

A manifestação realizada na tarde deste domingo (16) em torno do Maracanã, no Rio de Janeiro foi fortemente reprimida pela Polícia Militar. Na tentativa de dispersar um grupo que se refugiou na Quinta da Boa Vista, policiais dispararam bombas de gás lacrimogêneo e gás de pimenta em direção ao parque, atingindo famílias que foram ao local em busca de diversão.

Os manifestantes  aproveitaram o início da partida entre México e Itália, pela Copa das Confederações da FIFA, para protestar contra o custo de vida nas cidades que sediarão a Copa do Mundo de 2014. Também exigem mais recursos para saúde e educação.

O primeiro confronto envolveu aproximadamente 600 pessoas e policiais militares, que usaram spray de pimenta para dispersar a multidão. Este grupo foi contido na passarela que liga o estádio à estação do metrô. O clima ficou tenso no local e os manifestantes seguiram para a Quinta da Boa Vista.

A Articulação Nacional dos Comitês Populares da Copa (ANCOP) e Resistência Urbana, Frente Nacional de Movimentos também programou para toda essa semana uma série de ações e atos em diversas cidades do país com o questionamento “Copa Pra Quem?”. A proposta é denunciar as violações de direitos humanos que estão ocorrendo por conta da realização dos megaeventos esportivos e dos megaprojetos.

Mais manifestações também estão marcadas para hoje (17) e nos próximos dias em todo o país. Acompanhe a lista de cidades em todo mundo no site: www.melhorquebacon.com (pulsar)

 

10 de maio2013

Empresa de Eike batista vence licitação do complexo Maracanã; ativistas dizem que foi “carta marcada”

por Pulsar Brasil

Ativistas protestam contra processo de licitação do Maracanã no rio (foto:comitêpopulardacopa)

O Consórcio Maracanã SA, formado pela IMX, empresa de Eike Batista, pela Odebrecht e pela norte-americana AEG, confirmou as expectativas e foi eleito pelo governo estadual vencedor da licitação da concessão do complexo esportivo do Maracanã no Rio de Janeiro. Ativistas protestaram em frente ao Palácio contra a privatização do estádio e o processo de licitação.

O anúncio foi feito ontem (9) durante sessão da Comissão Especial de licitação realizada no Palácio Guanabara, no Rio de Janeiro. A concessão à iniciativa privada é de 35 anos.

A participação da empresa IMX,  do conglomerado de Eike,  no consórcio vencedor foi alvo de críticas de ativistas e do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, que, antes da licitação, ingressou com uma ação na Justiça questionando o fato de empresa ter sido responsável pelo estudo de viabilidade do estádio. No entender dos promotores, isso poderia dar uma vantagem “indevida” ao grupo.

Sob este argumento, o MP chegou a obter uma liminar na Justiça suspendendo a licitação. A liminar, no entanto, foi cassada horas antes do início da disputa, o que possibilitou a abertura dos envelopes de propostas no último dia 11 de abril.

O documento da licitação será encaminhado hoje (10) ao secretário estadual da Casa Civil, Régis Fichtner, coordenador da licitação. Na ata que será enviada a Fichtner, estará incluída a recomendação, feita pelo Instituto do patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), para que o novo gestor do Maracanã se comprometa com a manutenção do Maracanãzinho e com a não demolição do prédio do antigo Museu do Índio.

Segundo estimativa do governo, o Maracanã irá render 154 milhões de reais por ano e terá um gasto de 50 milhões de reais. Assim sendo, a previsão é de que os recursos investidos pelo concessionário sejam quitados em 12 anos, o que significa que o gestor do complexo esportivo e seu entorno teria um lucro de 2,5 bilhões de reais durante 23 anos do contrato. (pulsar)

30 de abr2013

No 1º de maio, ato no Rio de Janeiro lembra que ‘o Maraca e a cidade são dos trabalhadores’

por Pulsar Brasil

Ato critica venda da cidade em nome dos megaeventos esportivos. Foto: Comitê Popular Rio.

Neste feriado de 1º de maio, Dia do Trabalhador, a cidade do Rio de Janeiro terá, entre outras atividades, uma caminhada até o Complexo do Maracanã, um dos maiores símbolos do país. O ato acontece diante da licitação para privatizar o estádio.

A segunda fase deste processo foi concluída pelo governo fluminense nesta segunda-feira (29). O consórcio formado pela Odebrecht, IMX Venues e Arena, e AEG Administração de Estádios do Brasil obteve vantagem de 3,8 pontos em relação ao segundo habilitado na concorrência.

De acordo com informações da Agência Brasil, a próxima etapa será a abertura da documentação da licitante melhor classificada. Somente após o julgamento dos dados e esgotada a fase de recursos, será anunciado o vencedor da licitação.

Movimentos sociais, organizações, diretórios estudantis, sindicatos e associações apontam que o Maracanã está sendo vendido “a preço de banana em um processo arbitrário e cheio de irregularidades”.

Denunciam que não há sustentabilidade econômica na proposta de privatização, já que, ao final dos 35 anos de concessão, apenas 16,5% do investimento público feito desde 1999 no Maracanã voltaria ao cofres do Estado. Além do estádio, criticam os governos municipal e estadual do Rio por “venderem a cidade”como um todo em nome da Copa e das Olimpíadas. E afirmam que direitos fundamentais “estão sendo reduzidos a negócios lucrativos”.

A concentração para este ato no marco do Dia do Trabalhador está marcada para às 10h, na praça Afonso Pena, na Tijuca, bairro da Zona Norte do Rio de Janeiro. A manifestação também abordará pontos de âmbito federal. Entre eles, o repúdio à venda de portos, aeroportos e das telecomunicações; à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh); e aos leilões do petróleo. (pulsar)

Ouça:

Gustavo Mehl, do Comitê Popular Rio Copa e Olimpíadas, afirma que direitos dos trabalhadores estão sendo reduzidos a negócios.

24 de abr2013

Movimentos repudiam privatização do Maracanã e organizam consulta pública

por Pulsar Brasil

Grupos foram às ruas protestar; diante do “atropelo do poder público”, surge a consulta pública. (foto: blogdotarso)

Em meio ao processo de licitação para escolha de um gestor privado para o Estádio Mario Filho, está em curso uma Consulta Pública Popular. Movimentos e organizações envolvidos na proposta avaliam que a privatização do Maracanã não tem viabilidade econômica: ao final de 35 anos de concessão, apenas 16,5% do investimento público feito desde 1999 voltaria ao cofres públicos.

Levando em conta apenas os gastos com o estádio a partir de setembro de 2010, Gustavo Mehl, do Comitê Popular da Copa e Olimpíadas do Rio de Janeiro, destaca que já foram consumidos 932 milhões de reais; isso equivale a cerca de 1 milhão por dia.

Enquanto isso, completa Gustavo,com a privatização, o retorno previsto para o Estado é de 4 milhões e meio de reais ao ano. O ativista acredita que essa proposta refletiria um “verdadeiro roubo do Maracanã”, já que o orçamento público seria “lesado violentamente”.

Gustavo conta que a Consulta Pública Popular reúne propostas de grupos afetados pelos megaeventos esportivos no Rio de Janeiro: os indígenas da Aldeia Maracanã; os atletas e usuários do Parque Aquático Julio Delamare e do Estádio de Atletismo Célio de Barros; e os estudantes, pais e professores da Escola Municipal Friedenreich, que corre risco de ser removida.

Para eles, o poder público ignorou as tentativas de diálogo da sociedade civil organizada, servindo aos interesses de grandes investidores privados. Diante disso, propõem que o complexo do Maracanã tenha uma gestão 100% pública, servindo ao uso comunitário.

A Consulta Pública é realizada pelo Comitê Popular da Copa e das Olimpíadas e coordenada pelo Observatório das Metrópoles do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional (Ippur), da UFRJ. Ela estará disponível até o dia 15 de junho, quando terá início a Copa das Confederações 2013. (pulsar)

Ouça a entrevista:

Gustavo Mehl fala sobre a Consulta Pública e sobre os riscos de uma possível privatização do Maracanã.

11 de abr2013

Apesar de irregularidade e pressão social, governo divulga consórcios na disputa para licitação do Maracanã

por Pulsar Brasil

Manifestação no Rio de Janeiro diz não à privatização do Maracanã (foto: facebook)

Apesar da intensa manifestantação social em frente ao Palácio Guanabara, no Rio de Janeiro, contra o processo de privatização do Maracanã, foi realizada no fim da manhã desta quinta-feira (11) a sessão de abertura dos envelopes com os nomes dos concorrentes na licitação para administrar o estádio pelos próximos 35 anos. Dois consórcios estão na disputa: o Consórcio Maracanã SA e o Consórcio Complexo Esportivo e Cultural do Rio.

O Consórcio Maracanã SA é formado por IMX Venues e Arenas, AEG Administração de Estádios e Odebrecht Participações e Investimentos. A empresa IMX, do empresário Eike Batista, foi autora do estudo técnico que baseia o projeto de concessão, uma das irregularidades apontadas pelos Ministérios Públicos Federal e Estadual na ação que pedia a suspensão do processo licitatório iniciado hoje.

A liminar da juíza Roseli Nalin pedia a suspensão da licitação na tarde de ontem, atendendo a pedido do Ministério Público estadual. No fim da noite desta quarta, porém, a presidenta do Tribunal de Justiça do Rio, desembargadora Leila Mariano, cassou a liminar.

Durante coletiva de imprensa realizada nesta quarta-feira (10) , o secretário estadual da Casa Civil, Régis Fichtner, havia caído em contradição ao afirmar que as demolições previstas no projeto de construção do complexo esportivo do Maracanã não são realmente necessárias para que se cumpra a exigência feita pela Fifa.

O governo e o próprio governador Sérgio Cabral (PMDB) já havia afirmado inúmeras vezes que as demolições em torno do Maracanã somente seriam realizadas para garantir a mobilidade do público e uma maior rapidez no esvaziamento do estádio. No entanto, Fichtner afirmou que evacuação não é o único motivo das demolições e que estas não serão realizadas antes da Copa das Confederações, que ocorrerá em julho.

Segundo ele, as demolições do estádio de atletismo Célio de Barros, do parque Aquático Júlio Delamare e da Escola Municipal Friedenreich serão feitas para a construção de estacionamentos e áreas de lazer ao redor do Maracanã. (pulsar)

Com informações de redebrasilatual.

18 de mar2013

Manifestantes protestam contra privatização e demolição do complexo do Maracanã no Rio de Janeiro

por Pulsar Brasil

Manifestantes protestam contra privatização do Maracanã no Rio de Janeiro (foto:comitepopular)

Organizações da sociedade civil realizaram no sábado (16) uma manifestação contra a privatização do Maracanã e a demolição do complexo em torno do Estádio. O complexo é composto  pelo Estádio de Atletismo Célio de Barros, pelo Parque Aquático Júlio Delamare, e pela Escola Municipal Friedenreich. Indígenas da Aldeia Maracanã, ameaçados de desalojo, também estiveram presentes no ato.

A manifestação teve início na Praça Saens Peña, na Tijuca, e seguiu em passeata até o Complexo Esportivo do Maracanã. O ato teve a finalidade de forçar a aprovação de um projeto da Assembleia Legislativa do Estado (Alerj) que propõe um plebiscito sobre o tema. O Estádio está com leilão marcado para o dia 11 de abril.

A proposta do governo é construir um shopping, a ser explorado pela iniciativa privada. Os indígenas da Aldeia Maracanã, que ocupam o antigo prédio do Museu do Índio ao lado do Estádio, receberam na sexta-feira (15) o prazo de 72 horas da Justiça Federal para deixarem o local.

Segundo o advogado Arão da Providência, que defende os indígenas,  o governo quer oferecer um hotel para os índios na área central da cidade, enquanto aguardariam o sinal de um possível outro local para montar o Centro Cultural Indígena. No entanto, segundo o advogado, o governo está desrespeitando o próprio edital e a resolução da audiência pública que aprovou a instauração do Centro Cultural Indígena no antigo Museu do Índio.

Já o presidente da Associação de Pais de Alunos da Escola Municipal Friedenreich, Carlos Sandes, disse que a demolição da escola é um desrespeito aos alunos, entre eles os portadores de necessidades especiais. O governo propôs transferir o colégio para a Escola Municipal Orsina da Fonseca, que é distante do local e sem acessibilidade para os portadores de necessidades especiais. (pulsar/brasilatual)

18 de jan2013

União tem dez dias para se manifestar a respeito do Museu do Índio

por Pulsar Brasil

União tem dez dias para se manifestar a respeito do antigo prédio do Museu do Índio (foto: natijuca)

A União tem dez dias para se manifestar a respeito do pedido de suspensão de duas liminares que impedem a remoção da Aldeia Maracanã e a demolição do prédio do antigo Museu do Índio, na Zona Norte do Rio de Janeiro. O prazo foi estabelecido pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF2).

De acordo com informações da Agência Brasil, a decisão foi tomada pelo presidente em exercício do TRF2, desembargador federal Raldênio Bonifacio Costa, em despacho assinado na quarta-feira (16). A medida se dá em resposta ao pedido de reconsideração apresentado pelo Ministério Público Federal (MPF) contra a decisão da presidência do tribunal, que, em novembro do ano passado, cassou as liminares.

O governo e a prefeitura do Rio querem demolir o prédio do antigo Museu do Índio. O plano integra o projeto de reforma do Maracanã para a Copa do Mundo de 2014 e para as Olimpíadas de 2016. Em seu lugar, está prevista a construção de um shopping center e de um estacionamento. O museu funcionou no local de 1910 até 1978.

Após uma tentativa de reintegração de posse pela Polícia Militar no último sábado (12), um grupo de cerca de 300 pessoas, engrossado por outros indígenas, estudantes e demais apoiadores da Aldeia Maracanã, permanece em vigília no terreno.

Em seu despacho, o desembargador Raldênio Costa destacou os artigos da Constituição Federal que estabelecem o direito dos povos indígenas “sobre as terras que tradicionalmente ocupam, competindo à União demarcá-las, proteger e fazer respeitar todos os seus bens”. (pulsar)