9 de jul2013

Copa e Olimpíadas contextualizam manifestações que ocorrem no país

por Pulsar Brasil

Protestos também criticaram gastos com Copa do Mundo. (Foto: Tomáz Silva/ABr)

O professor Carlos Vainer, do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional, da UFRJ, afirma que os megaeventos esportivos estão diretamente relacionados às manifestações das últimas semanas.

Para ele, a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016 não são exatamente a ‘causa’ dos protestos, mas ‘contextualizam’ a agitação social que se deu, uma vez que colocam em evidência o que ele chama de “entrega das cidades aos grandes negócios, aos especuladores e às empreiteiras”.

Vainer defende a tese da instalação de ‘Cidades de Exceção’, com a imposição de legislações específicas e com a atuação repressiva do aparato estatal. Defende que este processo se intensifica em função das exigências da Federação Internacional de Futebol (Fifa) e do Comitê Olímpico Internacional (COI).

Como exemplo, o professor cita a aprovação da Lei Geral da Copa. Segundo a Articulação Nacional dos Comitês Populares da Copa, o texto fere os direitos dos consumidores, ao trabalho, o de ir e vir, dentre outros. Vainer critica ainda a tentativa do Senado de aprovar o Projeto de Lei 728, a Lei sobre Terrorismo, que é chamada por ele de ‘AI-5 da Copa’.

Após as manifestações, Dilma Rousseff anunciou a realização de um plebiscito sobre Reforma Política. Vainer ressalta que, mais que essa questão, ‘ouvir a cidadania’ inclui pautas concretas como o fim das remoções e das privatizações dos estádios. O professor foi critico ao silêncio da presidenta sobre “questões fundamentais colocadas pelas ruas”. Entre elas, a violência policial contra as manifestações e as críticas aos gastos públicos feitos com os megaeventos esportivos. (pulsar)

Clique e ouça:

Entrevista – O professor Carlos Vainer fala sobre as manifestações pelo país e os megaeventos esportivos.

28 de jun2013

Maré chama população carioca para ato contra genocídio nas favelas

por Pulsar Brasil

Manifestação na Maré contra a violência e por direitos. (Foto: Vânia Bento/O Cidadão)

O Conjunto de Favelas da Maré, no subúrbio carioca, convida a população do Rio de Janeiro a se solidarizar com as lutas de resistência à violência policial. Junto a organizações e movimentos sociais, moradores convocam uma manifestação para a próxima terça-feira (2).

Em nota, registram que o ato acontece em decorrência do “brutal assassinato de 13 pessoas” na comunidade. O documento destaca que os que vivem da Maré não querem que mais “mães chorem lágrimas de sangue” e repudia a criminalização da pobreza.

O texto salienta que a segurança pública é um direito. Porém, ao realizar operações policiais violentas, aponta que o Estado vê os moradores de favelas como “pobres sem nome e sobrenome”. A moradora da Maré Gizele Martins destaca que a favela é colocada à margem, mas faz parte da cidade. Ela afirma que, em meio às manifestações que ocorrem pelo país, os moradores da Maré estão sendo impedidos de protestar.

A comunicadora popular criticou o que ocorreu no último dia 20 de junho, quando houve uma desproporcional repressão do Batalhão de Choque ao protesto que tomou as ruas do Centro da capital fluminense. Porém, comparou com a situação da favela. Disse que no cotidiano da Maré as balas são de fuzil, e não de borracha.

A jovem questiona a política de pacificação do governo estadual de Sérgio Cabral (PMDB) e de José Mariano Beltrame, secretário de Segurança do Estado do Rio de Janeiro. E lembra que o aumento da violência policial na Maré coincide com o início da Copa das Confederações, quando as entradas da favela foram ocupadas pela Força Nacional.

A Maré possui 16 comunidades, onde vivem cerca de 130 mil habitantes. Nesta entrevista, Gizele fala sobre a criminalização dessa população pelo Estado e pelos grandes meios de comunicação comercial. Esses e outros temas, como a luta por moradia, saúde e educação, serão pautas da manifestação. Os participantes se concentrarão no dia 2 de julho, a partir das 15h, na Passarela 8 da Avenida Brasil, via que margeia esta favela carioca. (pulsar)

Clique, ouça e baixe o áudio:

Entrevista com a comunicadora popular e moradora da Maré Gizele Martins.

27 de jun2013

Manifestantes culpam polícia e Fifa por violência em protestos de Minas Gerais

por Pulsar Brasil

Repressão policial a manifestantes em Belo Horizonte (foto: Henriette Mourão)

O Comitê Popular dos Atingidos pela Copa (COPAC) de Belo Horizonte, grupo que denuncia os impactos negativos causados pela realização da Copa do Mundo na cidade, divulgou nota em que responsabiliza a Fifa e a ação da polícia pela violência ocorrida na manifestação desta quarta-feira (26).

O protesto terminou em conflitos entre policiais e um grupo de manifestantes. Há relatos sobre dezenas de pessoas feridas, todas civis. O estudante Douglas Henrique de Oliveira Souza, de 21 anos, morreu depois de cair do viaduto José de Alencar.

Cerca de 100 mil pessoas participaram do protesto. Os manifestantes se concentraram no Centro e se dirigiram ao estádio do Mineirão, onde a seleção brasileira de futebol venceria o Uruguai pela semifinal da Copa das Confederações.

Apesar da negociação ocorrida na véspera entre o governo do estado e movimentos sociais, alguns manifestantes começaram a forçar a barreira física montada perto do estádio e foram duramente reprimidos por policiais.

Para Amanda Couto de Medeiros, do COPAC, a ação da polícia foi desmedida e intolerante. Ela conta que em todas as manifestações ocorridas nos últimos dias, as forças policiais mineiras não têm sido usadas para garantir a proteção da população, mas para garantir a privatização dos espaços públicos em prol da Fifa.

Amanda criticou, ainda, o que chamou de “terror midiático” e a “dicotomia criada entre ‘manifestantes’ e ‘vândalos’”. Para ela, a resistência empreendida por alguns jovens diante da violência policial reflete a revolta após ações de abuso e repressão.

Em nota, o Comitê Popular afirma que, embora não promova nem estimule ações diretas contra o patrimônio, os chamados “atos de vandalismo” não justificam uma “ação de repressão que coloca a vida das pessoas em risco”.

Clique e ouça os áudios:

Amanda diz que a polícia é utilizada para garantir a privatização dos espaços públicos em prol da Fifa.

A integrante do COPAC critica “dicotomia entre ‘manifestantes’ e ‘vândalos’ “

 

 

27 de jun2013

Comitê Metropolitano do Xingu denuncia abuso policial nos protestos e ameaça por parte de militar

por Pulsar Brasil

Protesto exige tarifa zero em Belém (foto: J.R.Avelar)

Em uma nota pública divulgada hoje (27), o Comitê Metropolitano Xingu Vivo (CMXV) se manifestou contra “a postura das forças de segurança do Estado na repressão às manifestações populares em Belém, no Pará”. Também denunciaram ameaças de morte por parte de um oficial militar ligado ao prefeito da capital paraense.

De acordo com o Comitê, o governador do Estado do Pará, Simão Jatene (PSDB), e o Secretário de Segurança Pública do estado, Luiz Fernando Rocha, enviarem policiais sem identificação de nome e patente para acompanhar as manifestações.  Dessa forma, os manifestantes têm dificuldades para denunciar aqueles que são truculentos e exercem abuso de autoridade.

Um documento oficial da Sociedade Paraense de Direitos Humanos (SDDH), encaminhado ao Ministério Público (MP), denuncia que os policiais sem identificações ameaçaram nesta quarta-feira (26)  “quebrar” quem fosse para as ruas exigir melhorias para a cidade e o país.

Outra denúncia grave é sobre a ameaça feita por um oficial militar Wolfgang Endemann, ex-assessor do gabinete do prefeito de Belém, Zenaldo Coutinho (PSDB). De acordo com a nota do Comitê, em meio a onda de protestos, o militar teria usado perfis nas redes sociais para ameaçar de morte ativistas que saíram às ruas para se manifestar.

Em uma de suas postagens. o militar escreveu que estaria filmando manifestantes comunistas para “caçá-los” depois. Também escreveu que desejava a morte dos petistas e comunistas. O Comitê exigiu que ele seja responsabilizado judicialmente pelas autoridades do Ministério Público e do Judiciário pelo seu discurso de ódio.

O Comitê Metropolitano Xingu Vivo também declarou publicamente seu apoio e participação nas manifestações e anunciou sua pauta “em defesa dos povos indígenas, das florestas, de seus rios e contra os grandes projetos de hidrelétricas, hidrovias, mineração, agronegócio e monocultivos na Amazônia”. (pulsar)

21 de jun2013

Forte aparato policial oprime manifestantes no Centro do Rio de Janeiro

por Pulsar Brasil

Polícia ataca manifestantes. (foto: arthur william/amarc)

O final da manifestação no Rio de Janeiro, na noite desta quinta-feira (20), foi marcado por uma desproporcional repressão do Batalhão de Choque. Balas de borracha, bombas de efeito moral e grandes carros blindados, conhecidos como Caveirões, ameaçaram os que foram às ruas. Alguns agentes também usaram armas de fogo.

Por volta das 19h, quando o protesto se aproximava da prefeitura, Centro da cidade, a iluminação pública caiu. Em meio ao breu, que o braço armado do Estado se voltou contra os que protestavam. O barulho das bombas era alto e trazia terror. Pouco depois, a iluminação foi restabelecida, mas o efeito do gás já sufocava os manifestantes.

Alguns não conseguiam abrir os olhos ou mesmo falar. Solidariamente, outros compartilhavam uma mistura de água e vinagre, e guiavam os que passavam mal. Crianças, jovens, adultos e idosos foram afetados. As bombas iam ao céu e se repartiam em três, caindo a muitos metros e em diferentes pontos da Avenida Presidente Vargas. Até mesmo um ônibus cheio de passageiros, que passava por um viaduto bem perto da Marquês da Sapucaí, foi atingido.

Desesperadas, as pessoas começavam a correr. Imediatamente, por causa do perigo de pisoteamento, outras gritavam “não corre, não corre!”. A investida da polícia militar não parava e a revolta de alguns, que já tinham feito fogueiras e respondido com paus e pedras, cresceu. Quando o alvo foi o Terreirão do Samba, onde são realizadas festas e transmissões dos jogos da Copa das Confederações, houve aplausos de alguns que estavam do lado oposto da larga via.

Muitas pessoas, principalmente jovens, começaram a quebrar agências bancárias, fachadas de prédios, placas de sinalização, lixeiras, câmeras de segurança. Na altura de uma biblioteca pública, ainda em construção, um grupo se uniu e clamou contra o quebra-quebra. Curiosamente, os mais exaltados respeitaram o pedido e partiram para outros alvos, como pardais de trânsito, lojas e lanchonetes de fast-food.

Ruas estreitas, laterais à Avenida Presidente Vargas, foram tomadas por tropas, o que impediu o livre escoamento das pessoas.  O cheiro de gás se sentia ao longe, dificultando ainda mais a volta para casa.  O gás foi tanto que entrou nos prédios, chegando inclusive a andares altos do Hospital Souza Aguiar. No cruzamento com a Rio Branco, outra importante via da capital fluminense, pessoas que andavam com seus cartazes e ainda gritavam reivindicações, foram surpreendidas por um Caveirão na contramão e mais bombas.

Nesse momento, já depois das 21h, foram ouvidos disparos de som diferente. Alertas como “é arma de fogo”, “é tiro de verdade” e “É o Bope!”, a famosa Tropa de Elite, despertaram uma correria tamanha que, dessa vez, não pôde ser controlada. Depois, era possível ver gotas de sangue pelas calçadas. No Rio de Janeiro, dados oficiais apontam que pelos menos 60 ficaram feridos.  Episódios de repressão também ocorreram nas Praças XV, Mauá e da Bandeira, nos arredores do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS), da UFRJ, onde estudantes se refugiavam, e nos bairros Lapa e Glória.

Algumas estações do Metrô Rio ficaram fechadas e apenas reabriram perto da meia-noite. Pessoas com medo buscavam abrigo em bares e portarias.  A violência chegou até Laranjeiras, já na Zona Sul da cidade, onde um grupo de manifestantes tentava chegar ao Palácio Guanabara, sede do governo estadual de Sérgio Cabral (PMDB).

As ações da polícia não pareciam tentar dispersar ou acalmar os ânimos, mas sim provocar as multidões. Por vezes, pessoas desconfiavam de agentes infiltrados, os P2, entre os que começavam as depredações.  Ainda durante o dia, antes de a polícia militar cometer estes atos de violência, agentes distribuíram panfletos que diziam: “Paz. Ajude-nos a proteger você”.

Clique e ouça o áudio:

Declarações de manifestantes que foram oprimidos pela polícia militar.

Fonte: Pulsar Brasil.

17 de jun2013

Violência policial marca manifestação no Maracanã

por Pulsar Brasil

Protesto no Maracanã denuncia aumento do custo de vida devido à mega eventos (foto: Estefan Radovicz)

A manifestação realizada na tarde deste domingo (16) em torno do Maracanã, no Rio de Janeiro foi fortemente reprimida pela Polícia Militar. Na tentativa de dispersar um grupo que se refugiou na Quinta da Boa Vista, policiais dispararam bombas de gás lacrimogêneo e gás de pimenta em direção ao parque, atingindo famílias que foram ao local em busca de diversão.

Os manifestantes  aproveitaram o início da partida entre México e Itália, pela Copa das Confederações da FIFA, para protestar contra o custo de vida nas cidades que sediarão a Copa do Mundo de 2014. Também exigem mais recursos para saúde e educação.

O primeiro confronto envolveu aproximadamente 600 pessoas e policiais militares, que usaram spray de pimenta para dispersar a multidão. Este grupo foi contido na passarela que liga o estádio à estação do metrô. O clima ficou tenso no local e os manifestantes seguiram para a Quinta da Boa Vista.

A Articulação Nacional dos Comitês Populares da Copa (ANCOP) e Resistência Urbana, Frente Nacional de Movimentos também programou para toda essa semana uma série de ações e atos em diversas cidades do país com o questionamento “Copa Pra Quem?”. A proposta é denunciar as violações de direitos humanos que estão ocorrendo por conta da realização dos megaeventos esportivos e dos megaprojetos.

Mais manifestações também estão marcadas para hoje (17) e nos próximos dias em todo o país. Acompanhe a lista de cidades em todo mundo no site: www.melhorquebacon.com (pulsar)

 

25 de mar2013

Governo do Rio de Janeiro pode enfrentar processo judicial por violência na desocupação da Aldeia Maracanã

por Pulsar Brasil

Batalhão de Choque da PM ataca manifestantes pela Aldeia Maracanã com spray de pimenta e gás lacrimogênio (foto:reprodução)

Defensorias públicas do Estado e da União, o Ministério Público da União e parlamentares que participaram da negociação de saída dos ocupantes da Aldeia Maracanã, ao lado do estádio Maracanã, no Rio de Janeiro, anunciaram que vão entrar com medidas legais contra o governo fluminense por abuso de poder e violência.

A truculência com que o agentes policiais realizaram a desocupação do prédio gerou forte repercussão nacional e internacional. Manifestantes, indígenas, defensores públicos e até mesmo o deputado estadual Marcelo Freixo (Psol-RJ) foram atingidos por sprays de pimenta e gás lacrimogênio durante a operação.

Parte dos indígenas aceitou a proposta do governo de ocupar temporariamente um terreno em Jacarepaguá, enquanto outro grupo insiste na reintegração do terreno onde está o prédio do antigo Museu do Índio.

Após a desocupação da Aldeia, o grupo e cerca de 80 manifestantes ocuparam no sábado (23) o Museu do Índio em Botafogo. Porém, o local foi desocupado pela polícia na madrugada e indígenas seguiram para a sede da Justiça Federal no Rio de Janeiro, onde foi realizada uma audiência de conciliação com o Juiz Federal Wilson José Witzel. No entanto, não houve acordo. Também estiveram presentes representantes da Fundação Nacional do Índio (Funai). O governo do Estado do Rio de Janeiro não mandou representante para a audiência.

Em nota pública, o Centro Indigenista Missionário (Cimi) destacou que “mais uma vez os interesses econômicos sobrepuseram-se aos direitos dos povos indígenas”. Também ressaltaram a violência contra os indígenas no Rio de Janeiro não é algo isolado. De acordo a entidade, essas violações “têm como origem a política de desenvolvimento estabelecida pelo governo federal”. Tudo isso, diz a nota, “ para servir a interesses de latifundiários e de grupos econômicos que lucram com eventos como a Copa do Mundo ou o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC)”. (pulsar)

9 de jan2013

São Paulo extingue registro de resistência seguida de morte em boletins de ocorrência

por Pulsar Brasil

Resistência seguida de morte é extinguida de boletins de ocorrência em SP (foto: Marcelo Camargo)

A Polícia Civil de São Paulo não vai mais registrar ocorrências de homicídios cometidos por policiais como “resistência seguida de morte”. A partir de agora, casos em que pessoas são mortas após supostos conflitos com a força pública de segurança deverão ser registrados como “morte decorrente de intervenção policial”.

A recomendação é da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, feita no início de dezembro de 2012, como forma de evitar a manipulação dos registros policiais. À época, o secretário de Segurança Pública, Fernando Grella Vieira, chegou a dizer que a extinção deste expediente não era “prioridade”.

A resolução publicada na terça-feira (9) no Diário Oficial do Estado também estabelece outros parâmetros para a ação integrada das polícias Civil, Militar e Técnico-Científica no atendimento das ocorrências.

A partir de agora, em todos os casos que registrem feridos, os policiais que primeiro atenderem as ocorrências deverão chamar uma equipe de resgate do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), ou serviço local de emergência, para o socorro imediato da vítima. Dessa forma não podem mais fazer o resgate das vítimas.

A medida pretende preservar o local do crime e evitar que policiais com más intenções adiem o atendimento dos feridos levando-os para locais distantes do local da ocorrência, como acontece muitas vezes hoje.  (pulsar/brasilatual)