UNIRR – União e inclusão em redes de rádio

UNIRR: 10 ANOS DE INCLUSÃO NO RÁDIO

O ano de 2005 tem, para a União e Inclusão em Redes de Rádio (Unirr), um significado especial. Em 9 de janeiro, a ONG completou dez anos de compromisso com a inclusão, capacitação e comunicação democrática. Foi numa segunda-feira, 9 de janeiro de 1995, que Valéria Mendonça, Marcus Aurélio e Albina Ayala começaram a ocupar uma sala nas instalações do estúdio Moinhos Produções, iniciando assim as atividades da comissão que, um ano mais tarde, realizaria a primeira assembléia geral da ONG.

ANTES DE 1995: UM SONHO QUE SE SONHA JUNTO E VIRA REALIDADE

 

A idéia de construir uma rede brasileira de capacitação e apoio a quem faz rádio por um mundo mais justo surgiu no encontro de capacitadores em rádio da América Latina e Caribe, realizado durante toda a primeira quinzena de outubro de 1994, na sede da CIESPAL, em Quito, Equador. Estavam reunidos 22 capacitadores, cada um representando uma das instituições organizadoras do evento: ALER, AMARC, UNDA-AL, FELAFACS, CIESPAL e FIJ*. Durante o processo de troca de experiências em metodologia de capacitação radiofônica, o único brasileiro convidado para o evento, Marcus Aurélio, da AMARC-Brasil, foi estimulado a criar uma organização não-governamental que desse apoio à capacitação radiofônica e funcionasse como escritório de referência de redes internacionais de rádio e democracia. Quando retornou ao Brasil, no início de novembro, Marcus buscou outras pessoas que apostassem na proposta e aceitassem trabalhar voluntariamente naquela que seria, inicialmente, a sede da AMARC no Brasil. Valéria Mendonça, jornalista, e Albina Ayala, bióloga, foram as pessoas que manifestaram imediato interesse na construção da UNIRR.

1995: CAPACITAR E ASSESSORAR, ERA SÓ COMEÇAR

Já no início das atividades, ainda como Comissão Organizadora da UNIRR, a nossa equipe realizou as primeiras edições do Curso Comunicador Integral, com quatro meses e meio de duração. Algumas turmas já contavam com a participação de alunos cegos e portadores de outras deficiências, iniciando a política de inclusão da entidade. Em1995, a UNIRR começou a dar treinamentos para radialistas em todo o país – principalmente nos finais de semana. Em 10 de abril de 1995, a UNIRR foi uma das cinco entidades nacionais que entregaram ao Ministro das Comunicações da época, Sérgio Mota, o primeiro projeto para regulamentação das rádios comunitárias no Brasil. Em maio, Silvana Lemos representou a UNIRR no encontro de
capacitação de capacitadoras da Rede de Mulheres da AMARC, em Quito, Equador. Nesta época, Silvana morava em Vitória e era animadora da UNIRR no Espírito Santo.

Em julho de 1995, em Quito, Equador, Marcus Aurélio foi escolhido como representante para o Brasil da Associação Mundial de Rádios pela Cidadania e Comunitárias. O encontro de representantes da AMARC tinha como objetivo criar uma rede de animadores da associação mundial. Esses representantes teriam como função organizar a AMARC em cada país, apoiar os movimentos pela democratização das comunicações e começar a promover eleições para o novo representante, num processo que duraria dois anos e que já incorporaria os sócios de cada país.

1996: BELO HORIZONTE PARA OS NOVOS PASSOS

A primeira Assembléia Geral da UNIRR aconteceu em 1º de março de 1996, no Hotel Rondônia, Rio de Janeiro, RJ. Eram 25 as entidades representadas, sendo 11 associados da UNIRR e AMARC. Neste evento, foi eleita uma equipe de coordenação que seria responsável por preparar uma proposta de estatuto definitivo e organizar a segunda assembléia geral para o ano seguinte. A UNIRR passou a ministrar o curso Comunicador Integral também em Belo Horizonte – um sábado por mês, durante todo o ano, no Sindicato dos Jornalistas de Minas Gerais. Os convites para cursos pelo Brasil aumentaram ainda mais. Em média, a UNIRR coordenava um curso de capacitação por mês em diferentes regiões do país. O nordeste foi a região mais visitada. A primeira edição do curso de capacitação de jovens para o rádio também aconteceu em 1996, durante todo o segundo semestre e com aulas diárias em Pedra de Guaratiba, na zona oeste do Rio.

1997: RADIOAPAIXONADOS POR OURO PRETO

Em 1997, foi realizado o Segundo Encontro e a Segunda Assembléia Geral da UNIRR – “Radioapaixonados pelos Ouvintes ” – em Ouro Preto, Minas Gerais, com a participação de 60 representantes de ONGs, rádios ou associações de comunicação. Destas entidades, 21 eram associadas da UNRR e AMARC. O encontro teve o apoio da ONG Ânima, de Belo Horizonte, e da ASAV – Associação dos Servidores de Universidade de Viçosa – MG. Foi eleito o Conselho Gestor, com a presidência de Ismael Lopes, da Rádio Novos Rumos. Marcus Aurélio foi confirmado pelo plenário como representante da AMARC no Brasil por mais dois anos. O Comunicador Integral passou a ser realizado também em salas de aula da UERJ. O segundo ano do curso de capacitação de jovens ampliou as parcerias com entidades dos bairros. A UNIRR atuou na capacitação de jovens, no segundo semestre, em parceria com entidades da Baixada Fluminense, Campo Grande e com o CRIAM da Penha (crianças em conflito com a lei). Foram iniciadas também as oficinas de rádio do Projeto Nordeste – MEC e UNICEF. Neste projeto, capacitadores da UNIRR passaram a dar treinamentos em 12 capitais nordestinas no período entre outubro de 1997
e maio de 1998.

1998: POR TODA PARTE E EM DEFESA DO DIREITO DE COMUNICAR

A lei das rádios comunitárias, sancionada pelo presidente Fernando Henrique Cardoso em 19 de fevereiro, e a regulamentação, aprovada em 4 de junho, tiveram como clara intenção encolher as rádios já existentes e diminuir o número de instituições interessadas em criar novas emissoras democráticas. Ficou no texto final pouca coisa do projeto entregue ao governo por nós e por outras entidades em 1995. O movimento das rádios comunitárias tentava reagir a mais uma tática de asfixia. Como escritório brasileiro da AMARC, a UNIRR esteve em muitos dos debates e manifestações de apoio a um novo marco legal para a radiodifusão pública e participativa no Brasil. O primeiro semestre de 1998 foi de intensa atividade nos cursos do Projeto Nordeste e UNICEF. Marcus Aurélio, que já tinha atuado como capacitador na Rádio Rural de Mossoró, Rio Grande do Norte, em 1996, voltou à emissora para um trabalho de 4 dias de treinamento e assessoria, em maio de 1998. Em agosto, Denise Viola e Ismael Lopes representaram a UNIRR no encontro mundial da AMARC, em Milão, na Itália. Também no segundo semestre, o terceiro ano do Curso de Capacitação de Jovens para o Rádio foi realizado novamente com aulas diárias. As comunidades parceiras passaram a ser Cantagalo e Pavão Pavãozinho, Campo Grande e São Gonçalo.

1999: PERGUNTE A QUEM ESTEVE NO MAIS LINDO ENCONTRO DA UNIRR

O terceiro Encontro Nacional e terceira Assembléia Nacional de Sócios UNIRR e AMARC – “Radioenamorados pelos Ouvintes” – aconteceu em São Paulo, capital, nas sedes do nosso associado OBORÉ, parceiro fundamental e eficiente na organização do evento, e do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo. A abertura do encontro emocionou os participantes: uma celebração ecumênica na igreja da Consolação. O encontro foi elogiado pelos 90 participantes de todas as regiões do Brasil. Eram 56 entidades representadas. Destas, 31 eram associadas à UNIRR e à AMARC. Foi eleito um novo Conselho, presidido por Tais Ladeira. Marcus Aurélio concluiu seu mandato de coordenador geral, sendo substituído no cargo por Valéria Mendonça, fundadora e uma das coordenadoras da UNIRR. Marcus Aurélio foi confirmado como representante da AMARC no Brasil para mais dois anos de mandato.
Silvana Lemos, que era animadora da UNIRR e AMARC em Vitória, Espírito Santo, foi definida como coordenadora de capacitação da UNIRR. O Curso de Capacitação de Jovens para o Rádio, no segundo semestre, foi realizado nas comunidades da Mangueira, Parque Proletário da Penha, Campo Grande e Parada de Lucas.

2000: A PRESIDÊNCIA REGIONAL DA AMARC E SUAS CONSEQÜÊNCIAS

No primeiro semestre do ano 2000, foi realizada a eleição para Presidente Regional da AMARC para a América Latina e Caribe. Concorrendo com representantes de outros países do continente, Marcus Aurélio foi eleito com mais de 90 por cento dos votos dos associados da região. A posse no novo cargo aconteceu em agosto de 2000. Uma crise de relacionamento entre o coordenador e os funcionários da sede de Quito provocou sérias dificuldades para o trabalho do novo Conselho da AMARC. Para poder dedicar tempo ao mandato e para não haver conflito de cargos, Marcus Aurélio deixou a representação da AMARC no Brasil e o cargo na coordenação da UNIRR.

2001: A VITORIOSA CAMPANHA DE TAÍS E A DIFÍCIL MISSÃO NA AMARC-ALC

Em abril de 2001, com mais de 90 por cento dos votos dos associados da UNIRR e AMARC, Tais Ladeira foi eleita como a nova representante da AMARC no nosso país. A UNIRR atravessou, de julho de 2000 a julho de 2002, um período de grandes dificuldades financeiras. A entidade conseguiu apenas financiamento para uma comunidade no projeto de capacitação de jovens para o rádio – Campo Grande, em2001. A AMARC-ALC também passava por uma importante crise política e financeira. Devido aos altos custos das passagens aéreas, diminuíram também os convites para cursos pelo Brasil. Os coordenadores da entidade começaram a receber novas propostas de trabalho em outras instituições, não contando mais com o tempo livre que utilizavam para as atividades da UNIRR. Valéria Mendonça e Silvana Lemos foram convidadas a assumir importantes funções em outras ONGs.

2002: MUITO PRAZER, SOMOS DA UNIRR E ELA ESTÁ VIVA

Julho de 2002 pode ser classificado como o ano do renascimento da UNIRR. Raquel Melo e Daniela Lace (ex-alunas) e Marcus Aurélio (que voltava à coordenação dois anos após ter deixado a equipe de coordenadores) se juntaram para reorganizar a entidade e reestruturar os cursos. A primeira providência do grupo foi buscar uma sede com aluguel mais barato e divulgar a volta do Comunicador Integral. Em setembro, Felipe Barreto se integrou a essa equipe de coordenação e ao time de capacitadores.

Em pouco tempo, a UNIRR começou a pagar suas conta e colocar a casa em ordem. Coincidentemente, em agosto de 2002, a ONG CEACC, da Cidade de Deus, convidou o coordenador Marcus Aurélio a iniciar um curso de capacitação de jovens na comunidade para criar uma rádio comunitária na região. A UNIRR voltou a ser tornar uma referência em capacitação radiofônica da sociedade civil. Os convites para cursos voltaram a fazer parte do cotidiano da entidade, como na década de 90. Em acordo com os representantes da AMARC na América Latina e com a representante Brasileira, Tais Ladeira, ficou definido que a UNIRR não mais atuaria como escritório brasileiro da entidade mundial. Além de permitir maior autonomia de ação para a representante no Brasil, a decisão tirava da UNIRR a responsabilidade de ter que garantir estrutura gerencial para a AMARC na nossa sede, o que sempre provocou despesas e demandas das quais não tínhamos estrutura para dar conta.

2003: A UNIRR FORMA SEUS CRAQUES E REAFIRMA SUA MISSÃO

Em outubro de 2003, em Brasília, no Encontro Nacional de Sócios da AMARC-Brasil, foi oficializada uma decisão que já estava em prática desde o início de 2002. A UNIRR deixa de ser o escritório da AMARC no Brasil, deixando de ter a responsabilidade de manter a estrutura da rede internacional no país. Em 2003 e 2004, os projetos de capacitação se ampliaram. A tradição de formar nosso craques em casa também volta a ser uma característica da entidade. Essa vocação pode ser sentida na formação atual da coordenação e da equipe de capacitadores. Em dezembro de 2003 e setembro de 2004, foram realizadas novas Assembléias Gerais, com participação dos sócios da UNIRR no Rio de Janeiro. A missão foi votada em 2003 e reafirmada em 2004: capacitar e assessorar quem faz rádio por um mundo mais justo, igualitário e inclusivo.

2004: A REDE DE ANIMADORES OU DE QUEM CHEGA E NÃO QUER SAIR

A UNIRR esteve realizando treinamentos em Friburgo (RJ), Recife (PE), Florianópolis (SC) e São Paulo (SP). Tivemos participação ativa nos encontros da ABONG e no encontro Mídia Legal, na UERJ. A nossa ONG volta a ser uma referência em capacitação e apoio a quem faz rádio para construir um mundo mais justo e solidário. Em dezembro, foi reconstruída outra parte importante do trabalho que a UNIRR realizava nos anos 90. Ex-alunos e capacitadores formaram a Rede de Animadores da UNIRR – Rio. O trabalho voluntário dos animadores garantiu o sucesso da festa dos 10 anos da UNIRR, realizada na Tijuca, Rio, no sábado 29 de janeiro de 2005, com palestra sobre comunicação, inclusão e cultura, com a professora Luciane Lucas e um show musical animadíssimo, com a Banda Isla.

São 10 anos animando uma rede permanente de comunicadores democráticos, éticos, pensantes, inclusivos, criativos e Integrais. São 10 anos conjugando o verbo unir, com mais um “erre”, de rádio.

Site: http://www.unirr.org.br/

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