24 de ago2016

Rádio Coité FM lança campanha em defesa da ‘sobrevivência’ da emissora

por deniseviola

Coite-Divulgação-Site-300x171

Nesta terça-feira (23) começou a campanha em defesa da sobrevivência da Rádio Coité FM. A emissora comunitária localizada no município de Conceição do Coité, na Bahia, tenta há dezoito anos uma outorga de funcionamento no Ministério das Comunicações.

Durante esses anos, a perseguição e criminalização fizeram parte da rotina da emissora que luta diariamente para manter no ar uma programação voltada para a cidadania no interior baiano. A rádio já sofreu perseguição da Agência Nacional de Telecomunicações (ANATEL), apreensão de três transmissores, multas e condenação penal dos representantes legais da emissora pela ausência da outorga.

Agora, com o apoio da Artigo 19 e da Associação Mundial de Rádios Comunitárias (Amarc Brasil), a emissora lança a campanha ‘Apoie a rádio Coité FM’. O objetivo é arrecadar 11 mil e 500 reais no prazo de 60 dias. O valor de dez mil será revertido para o pagamento de multas, honorários de advogados e substituição de equipamentos confiscados. Os mil e 500 reais restantes correspondem à taxa cobrada pelo site que hospeda a campanha.

Para o comunicador Piter Júnior, que em março de 2015 foi condenado pela Primeira Vara de Subseção Judiciária de Feira de Santana por exploração clandestina do serviço de radiodifusão, a campanha é uma forma de arrecadar a verba necessária para garantir o funcionamento da rádio e também dar visibilidade internacional ao cerceamento da liberdade de expressão que ainda impede muitos comunicadores de exercer a sua atividade.

Já o conselheiro político da Amarc Brasil, Pedro Martins, destaca  o papel  da Associação Mundial de Rádios Comunitárias na campanha. Segundo ele, o caso da Rádio Coité FM é emblemático porque reflete a realidade de muitas rádios comunitárias no Brasil que ainda são perseguidas e criminalizadas. Martins ressalta a necessidade de denunciar o caso e reforçar o debate sobre o direito à comunicação no país.

campanha “Apoie a rádio Coité FM” estará no ar por 60 dias e as doações podem ser feitas por cartão de crédito ou pelo pagamento de boleto bancário gerado no próprio site da campanha. (pulsar)

24 de ago2016

Apropriação Tecnológica no Quilombo do Curiaú

por deniseviola

Sol forte, calor úmido e o canto dos pássaros que rondavam a hortinha medicinal da escola José Bonifácio, no Quilombo do Curiaú, em Macapá, no Amapá, foi o cenário inicial do primeiro encontro do projeto Mídia dos Povos em 2016. O tema: apropriação tecnológica para rádio comunitárias e livres.  Os cerca de vinte inscritos, alguns moradores, outros vindos de outros estados, traziam muita curiosidade a respeito da dinâmica necessária para montar uma rádio na comunidade onde vivem, além da vontade de compartilhar suas próprias vivências.

Para ler mais: http://midiadospovos.amarcbrasil.org/

curiau

24 de ago2016

Libere a sua rádio!

por deniseviola

No Brasil a “Red de Radios Comunitarias y Software Libre” ainda é pouco conhecida. No resto da América Latina, o lema do grupo pluri-nacional “Libera tu radio!” (ou seja “Libere a sua rádio!) já convenceu muitos coletivos radiofônicos. A mensagem é clara: fazer uma rádio comunitária usando software proprietário a largo prazo não pode ser uma experiência libertadora. Quem ainda usa sistemas operativos como Microsoft ou OS X normalmente se sente bastante desconfortável com este tipo de comentário. Os primeiros reflexos mais comuns são:

Ah, mas fazer rádio é uma prática social, pouco importa a parte da tecnologia.”

Software livre é assunto da classe média ou dos jovens universitários. As pessoas comuns não tem como conquistar estas ferramentas com tanta facilidade.”

O Linux é muuuuito complicado e não funciona bem. Eu aprendi a editar áudio com um programa que nem rola lá. Por que aprender algo de novo que já foi resolvido?”

Foto_mat_Nils

Para enfrentar estas e outras críticas (que nunca faltam) a Red organiza um encontro anual continental. Este ano o encontro teve lugar em Quito, Equador. Chegaram dezenas de rádios comunitárias e livres desde a Sierra Madre até a Terra do Fogo. “Nos juntamos aqui”, comentou Jorge Cano da Radio Wambra (ECU) “porque fazer rádio é uma busca permanente. Temos que deixar para trás supostos conflitos geracionais. Hoje se fala muito da defesa da soberania, então, as rádios não podem ficar fora desse debate. Devem ser espaços soberanos, onde acontece uma constante liberação de conhecimentos”.

Mas como? Esta é a grande pergunta que marcou também este “II Encontro de Rádios Comunitárias e Software Livre”. Impossível documentar todas as vozes e propostas, mas seguem algumas que se destacaram:

Dafne Moncada, Radio Plazeres (Chile)

A nossa rádio existe há 27 anos. Participam diferentes gerações, e para algumas, a questão digital não é para nada fácil. Além disso, o Chile é muito atrasado com o tema de software livre – quase não se debate no governo ou nas organizações sociais. Para falar a verdade, na rádio usamos vários programas de software livre, mas o sistema operativo ainda é Windows. Queremos avançar nisso em parceria com os participantes da Rádio Pirata, que também transmite em nossa cidade, Valparaiso. Eles contam com militantes de software livre. Sem esse contato, será difícil seguir adiante, porque as capacidades a distância, sozinhas, não são suficientes.

Angelica Cárcamo, Red ARPAS (El Salvador)

Estamos no ar desde os anos 90. Em El Salvador tem uma frequência só para as rádios comunitárias, mas estamos aproveitando bem esse espaço. Achamos que o software livre é uma ótima ferramenta para descolonizar as mentes. Pra nós, é fundamental! E por isso a nossa rede se colocou uma meta concreta: até o ano 2025, todos os associados da nossa rede vão usar só software livre. Como conseguir isso? Pois já estão previstas uma série de oficinas para facilitar a migração e a apropriação de GNU-Linux e outras tecnologias.

Ivan Terceros, Medialab UIO (Ecuador)

Devemos abraçar a criação de espaços livres, onde acontece a apropriação da tecnologia. A gente poderia seguir lamentando a brecha digital – ou repensar as práticas, e simplesmente fazer coisas! Eu vejo a tecnologia como um ato político e cultural. Não existe uma tecnologia só, os universalismos não servem porque qualquer proposta global demais vai fracassar. Ao invés de esperar melhores condições, temos que começar a descolonizar a produção dos códigos. E nisso, temos que exigir também a presença do Estado, porque é o seu dever favorecer o desenvolvimento de uma tecnologia social.

Alex Llumiquinga, ALER (Peru)

A proposta da nossa rede sempre foi comunicar e educar. Ao longo da nossa história, sempre tivemos interesse em desenvolver uma ampla consciência tecnológica, trabalhando com a imprensa escrita, rádio escolas, plataformas satelitais e Internet. Agora acabamos de publicar uma “Carta do Futuro” na qual definimos nossos passos até o ano 2020. Em relação ao software livre, queremos apoiar e colaborar com todos os grupos que trabalham com tecnologia, e pensar em iniciativas comuns. Ideias não faltam: laboratórios populares, um sistema de telefonia intercontinental e grupos de trabalho temáticos. Achamos importante ampliar nossa cooperação porque isto permitirá novas experiências com grupos que compartilham princípios e valores das rádios comunitárias.

Bruna Zanolli, Rádio FMea (Brasil)

Para mim, as rádios livres são espaços de contracultura, onde acontece uma produção diferenciada com software livre, por exemplo, para editar áudio ou fazer um trabalho gráfico. É todo um processo de aprendizagem, mas vale a pena. Muitas vezes precisamos usar mais de uma ferramenta de software livre para fazer o que se faz com uma só no software proprietário. Tem que ter ternura com a sua própria aprendizagem, não se estressar. Acho que uma boa forma para aprender é fazer um manual ou tutorial baseado na sua própria experiência. Desse jeito os conhecimentos são compartilhados.

Inoscencio Flores, Radio Huayacotla (México)

A nossa rádio nasceu como uma escola radiofônica no ano de 2005. Sempre quisemos transmitir por Internet também, mas sozinho não rolou. Achamos um apoio pouco comum: há cinco anos atrás, um jesuíta australiano ofereceu ajuda online. Depois do primeiro contato, ele também nos visitou várias vezes. Hoje trabalhamos só com software livre, mas ainda temos alguns problemas. Trabalhar na linha de comandos não é fácil, e nossa conexão de Internet segue muito lenta…

Jorge Cano, Radio Wambra (ECU)

A liberdade não se deve a uma condição só, senão a articulação conjunta de diferentes dinâmicas: comunicação segura, criação de novas ferramentas, uso de software livre, etc. Precisamos liberar as palavras e as práticas. E quando não se tem o espaço necessário, se constrói. A gente não pode falar somente do conteúdo, temos que articular a soberania da comunicação em todos os âmbitos. No Equador, por exemplo, existe um concurso nacional de frequências, que permite legalizar rádios comunitárias. Mas isso não influi sobre as condições de fazer rádio mesmo. Temos que trabalhar num tecido social onde confluam os diferentes movimentos e lutas, para colocar a nossa agenda e definir as nossas regras.

E agora José? Depois de todos estes testemunhos motivantes, por onde começar? Existem muitos caminhos, e a AMARC Brasil começará, ainda este ano, a organizar oficinas para apoiar os primeiros passos na libertação da sua rádio. E para quem não quer esperar mais, a Red de Radios Comunitárias y Software Libre oferece um tutorial bastante completo para instalar o sistema operativo GNU/EterTICs (Debian) – uma compilação de programas pensado especificamente para as rádios comunitárias e livres:

https://liberaturadio.org/article/instalacion-completa-gnuetertics-videotutoriales/

 

10 de ago2016

Amarc Brasil no Encontro sobre Software Livre no Equador

por deniseviola

Por Jaqueline Deister

Por Jaqueline Deister


Nos dias 1, 2 e 3 de junho ocorreu o II Encontro Rádios Comunitárias e Software Livre, na cidade de Quito no Equador. O evento foi sediado na Faculdade Latino Americana de Ciências Sociais (Flacso) e contou com a participação de radialistas comunitários e livres de diferentes países latinos.
Durante os três dias de evento, foi possível conhecer mais a fundo a experiência de rádios e coletivos que se apropriaram do software livre em seus estúdios. Desde comunidades rurais no interior do México, até a própria rádio da Flacso se apropriaram desta cultura livre de maneira a repensar as questões políticas e de segurança por trás de softwares e serviços comerciais.
O encontro contou com palestras e oficinas que esclareceram sobre o uso dos programas e sistema operacional livres. Ao todo, foram doze oficinas distribuídas nos três dias de evento, que abordaram questões mais técnicas como programação avançada, destinada à operadores de áudio; edição de áudio passando pelo audacity e o profissional ardour; edição de imagem por meio do Gimp e Inkscape; telefonia via internet e comunicação segura. Esses são apenas alguns exemplos do que foi abordado nas oficinas.
Dentre as oficinas, chamou atenção a de comunicação digital e segura, ministrada por Oliver Piper e Jávier Obregón. O encontro mostrou as ameaças constantes às quais estamos expostxs na internet, e a facilidade com que os nossos dados pessoais são pegos por grandes empresas.

10 de ago2016

Brasil – segundo lugar na América Latina em assassinatos de jornalistas

por deniseviola

Aproveitando a visibilidade das Olimpíadas, a organização internacional Repórteres Sem Fronteiras lançou uma campanha para denunciar o elevado número de assassinatos e agressões contra comunicadores no Brasil. A ideia é sensibilizar a sociedade em geral e pressionar as autoridades para que tomem medidas concretas para garantir a segurança dos profissionais da comunicação.

Entendendo que a AMARC tem um trabalho importante na defesa do direito à comunicação e no combate à violência contra comunicadores, o integrante do escritório para América Latina da Repórteres sem Fronteiras, Artur Romeu, solicitou apoio na divulgação da campanha, que deve publicar, nos próximos dias, um outro comunicado destacando alguns casos de assassinatos emblemáticos de comunicadores que ocorreram de 2012 para cá – foram 22 jornalistas mortos no período.

Entre 2009 e 2014, de acordo com levantamento da organização, 321 jornalistas foram vítimas de violências no Brasil.

Para maiores informações sobre a campanha e para ajudar a divulgar, basta acessar o link: https://rsf.org/es/noticias/rio-2016-rsf-lanca-campanha-algumas-vitorias-nao-merecem-medalhas.

Captura de Tela 2016-08-03 às 09.37.10

10 de ago2016

Professoras e professores da Universidade do Estado do Amazonas lançam manifesto contra a cultura do estupro

por deniseviola

Aprovado no XVI Encontro Pedagógico do Centro de Estudos Superiores de Tefé CEST/UEA de 2016/2, reproduzimos a Nota Pública de Repúdio a Violência contra Mulher, enviada pelo professor Guilherme Figueiredo, da Universidade do Estado do Amazonas e integrante da Rádio Xibé.

Justiça eu quero, violência não!

Pelo fim da cultura do estupro e de toda forma de violência contra as mulheres!
Nos últimos dias temos acompanhado a repercussão de muitos crimes cuja as vítimas são adolescentes entre idades de 5 a 24 anos, primeiro, noticiado nacionalmente no Rio de Janeiro e outra foi uma criança de oito anos que morreu após ser estuprada e asfixiada na manhã de quinta-feira (9/06/2016) no bairro Novo Aleixo, na Zona Norte de Manaus. Aos 16 anos, a primeira, foi vitimada por mais de 30 homens que cometeram estupro contra ela, a segunda pelo padrasto de 22 anos de idade. Embora as palavras possam parecer fortes e, cada vez que são pronunciadas, violentem mais uma vez essa menina e todas as outras mulheres vítimas de violência ou com medo de serem a próxima, é preciso dizê-lo: enquanto do ponto de vista da lei se trata de um crime, do ponto de vista da luta queremos dizer não a qualquer forma de violência: institucional, doméstica, moral, psicológica e patrimonial contra as mulheres.
Nesse sentido, esta Universidade como espaço que promove o ensino, pesquisa e extensão sobre e com Mulheres e Jovens, tanto na instituição quanto para além dela, nos sentimos desafiados (as) a erguer nossa voz juntamente com tantas outras para denunciar tais injustiças que se materializam no sacrifício dos corpos de tantas mulheres todos os dias. Há décadas as teorias feministas têm denunciado as injustiças e os sofrimentos dos corpos das mulheres. Os maltrato e as torturas a que milhares de mulheres e adolescentes são submetidas cotidianamente através de atos extremos como a violência institucional em seu lugar de trabalho, o estupro e outras práticas desumanizantes que configuram a cultura patriarcal e colonialista que nossa sociedade está submetida.
Não podemos deixar de denunciar todo o sistema que permite que esse tipo de cultura opressora contra as mulheres se mantenha intactos. Nossas relações interpessoais e institucionais são marcadas por estruturas patriarcais que reproduzem as desigualdades de gênero, as quais se manifestam como violência e, muitas vezes, são aceitas como naturalizadas. No momento de crise política que vivemos em nosso país, não podemos deixar de relacionar o ataque às práticas democráticas em diversos âmbitos com o ataque e o retrocesso no campo dos direitos das mulheres. A misoginia que tem marcado os processos políticos vividos e as práticas políticas em âmbito governamental, restringindo legislações e políticas públicas de promoção da igualdade de gênero e proteção dos direitos das mulheres, é a mesma revelada no aumento de feminicídios e de outras formas de violência contra as mulheres em intensidade e frequência. Precisamos de novas relações que estejam pautadas pela justiça de gênero e Justiça Social.

9 de ago2016

Igualdade de gênero e raça nas eleições municipais 2016 – o que a mídia tem a ver com isso?

por deniseviola
Foto: Luciana Araújo

Foto: Luciana Araújo

Não foi à toa que a diretora do Instituto Patrícia Galvão abriu o Seminário Nacional Desafios para a Igualdade de Gênero e Raça nas Eleições Municipais 2016 com a frase “A questão das mulheres na política não é uma questão das mulheres – é uma questão do país, do compromisso com a democracia. ”
De acordo com pesquisa do IBOPE/Instituto Patrícia Galvão (2013), 8 em cada dez pessoas entrevistadas consideram que as mulheres, sendo hoje mais da metade da população, deveriam ter acesso à metade dos cargos legislativos – Câmaras de Vereadores, Assembleias Legislativas, Câmara dos Deputados e Senado Federal.
Adriana Mota, consultora do IBAM (Instituto Brasileiro de Administração Municipal) lembra que 2016 representa o centenário da luta pelo voto feminino no Brasil. Seguindo a projeção do pequeno aumento de mulheres eleitas no âmbito municipal, o país vai levar 150 anos para alcançar a paridade entre homens e mulheres.
A Cartilha Mais Mulheres na Política chama a atenção para o pequeno avanço da participação feminina: em média, de 1% de 1992 a 2012. Esta baixa representação está na contramão do protagonismo feminino, já que o chamado “sexo frágil” corresponde à 42% da população economicamente ativa, tem, em média, mais de 11 anos de estudo, ou seja, um nível de escolaridade maior do que o dos homens, e tem maior expectativa de vida.
O Brasil está atrás de países como Iraque e Afeganistão, ocupado o triste 121º lugar no ranking de igualdade entre homens e mulheres na política, segundo dados da IPU (Inter-Parlamentary Union).
Para trocar informações e refletir sobre o desafio da busca da igualdade, representantes de partidos políticos, especialistas, pesquisadoras e pesquisadores e jornalistas – mais de 60 pessoas, na maioria, mulheres- vindas de várias partes do país, estiveram reunidas em São Paulo, no dia 8 de agosto, no seminário promovido pelo Instituto Patrícia Galvão – Mídia e Direitos, com apoio da Secretaria de Políticas para as Mulheres.
O pesquisador Luis Felipe Miguel, do Instituto de Ciência Política da Universidade de Brasília, associa o acesso das mulheres à política à forma como nossa sociedade divide os papéis sociais entre masculino e feminino. Ele afirma que nas cidades menores, onde as mulheres são mais eleitas, o trabalho e a campanha política ocupam menor volume de horas, tornando menos inviável a competição e o exercício da representação política – seja na prefeitura, seja na Câmara Municipal.
Para a socióloga e especialista em pesquisas de opinião Fátima Jordão, a sociedade está mais à frente do que os partidos políticos. “A sociedade é contemporânea, o partido não é.” E ela vai além ao afirmar que muitas vezes, os maiores obstáculos para as candidaturas femininas não são seus adversários, e sim, seus próprios partidos.
E onde entra o papel da mídia neste contexto de desigualdade? Onde estão as notícias sobre os equipamentos municipais, como creches, escolas em tempo integral, postos de saúde, utilizados majoritariamente por mulheres? Onde é possível se informar e refletir sobre as questões de gênero?
Para muito além dos números divulgados nas pesquisas eleitorais, rádios, TVs, jornais, revistas, blogs ou sites, sobretudo as rádios comunitárias pela proximidade com seu público, podem fazer a diferença no processo eleitoral, fornecendo informações e provocando reflexões que possibilitem que eleitoras e eleitores façam de fato suas escolhas.

4 de ago2016

AMARC E MARCHA DAS VADIAS AMPLIAM O DEBATE SOBRE O MACHISMO NA MÍDIA INDEPENDENTE E COMUNITÁRIA

por deniseviola

roda de conversa
roda de conversa sobre machismo na esquerda e mídia comunitária (foto:Caio Barbosa/Cinco da Terra )
O que a mídia alternativa, independente e livre tem feito para incluir as mulheres? Por que muitos movimentos sociais denunciam a cultura de estupro, mas não realizam este debate dentro dos seus núcleos? Como a legislação das Rádios Comunitárias contribui para a reprodução de práticas opressivas?

Todas essas perguntas fizeram parte da roda de conversa sobre Machismo na Esquerda e Mídia Comunitárias nos Megaeventos, que ocorreu na manhã da última quarta-feira (3) durante a Jornada de Lutas contra Os Jogos da Exclusão. A Associação Mundial de Rádios Comunitárias (Amarc) e a Marcha das Vadias uniram as duas atividades para fazer uma discussão ampliada sobre as temáticas.

Ao todo cerca de 40 pessoas participaram do encontro. A maior parte do público era composta de mulheres que encontraram na roda de conversa um espaço para compartilhar experiências e pensar em práticas que possam fortalecer a presença feminina nos coletivos.

Para a psicóloga e feminista Mariana Queiroz, os principais desafios das mulheres passam pela capacidade de se auto-organizar para compreender o tipo de violência que está ocorrendo e pelo debate sobre a forma de fazer e pensar política dentro do movimento.

Já o integrante do Conselho Político da Associação Mundial de Rádios Comunitárias (Amarc), Pedro Martins, falou sobre o machismo presente nas rádios comunitárias e na dificuldade das mulheres em participar dos espaços de decisão das emissoras.

Martins também destacou a necessidade urgente de mudança na lei 9612 que rege as rádios comunitárias no Brasil. Segundo ele, a legislação é restritiva por entender o conceito de comunidade como algo geográfico, não atendendo grupos de interesse como feministas e LGBTs que também poderiam se apropriar do rádio.

As atividades da semana da Jornada de Lutas contra os Jogos da Exclusão estão ocorrendo até esta quinta-feira (4), no Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS), localizado no Largo São Francisco de Paula, no centro do Rio. O fechamento do evento será nesta sexta-feira (5) com um ato na Praça Saens Peña, na Tijuca. (pulsar)

4 de ago2016

ARTIGO 19 E REDE DE MULHERES DA AMARC REALIZAM OFICINA COM COMUNICADORAS DO NORDESTE SOBRE VIOLAÇÃO À LIBERDADE DE EXPRESSÃO

por deniseviola

rede de mulheres
Atividade realizada durante o projeto Compreendendo a Violência contra Mulheres Comunicadoras no Brasil. (foto: artigo 19)
O aumento nos casos ameaças e intimidações a comunicadores durante o exercício profissional tem preocupado organizações como a Artigo 19 e a Associação Mundial de Rádios Comunitárias (Amarc Brasil).

Segundo o último relatório Violações à Liberdade de Expressão, da Artigo 19, houve um aumento de 67 por cento no número de graves violações à liberdade de expressão, sendo que a região Nordeste concentrou a maioria dos casos.

O índice alarmante chamou atenção para um dado que ainda é pouco explorado em pesquisas como essa: quais as dificuldades enfrentadas pelas mulheres comunicadoras num cenário marcado pela violação à liberdade de expressão?

Com o intuito de responder a esta pergunta e propor ações em conjunto com as comunicadoras nordestinas, a Artigo 19, em parceria com a Rede de Mulheres da Amarc Brasil, realizou, entre os dias 16 e 20 de julho, o projeto Compreendendo a Violência contra Mulheres Comunicadoras no Brasil.

A atividade consistiu em encontros nas cidades de Valente, na Bahia e Olinda, em Pernambuco. Ao todo, 22 mulheres radialistas participaram das oficinas, que tiveram como principal objetivo mapear as principais violências sofridas pelas mulheres comunicadoras durante o exercício da profissão.

A coordenadora da área de proteção à liberdade de expressão da Artigo 19 e responsável pelo projeto, Julia Lima, conversou com a Pulsar Brasil sobre a iniciativa. Segundo ela, a ideia é que o projeto tenha uma abrangência nacional, mas num primeiro momento, a intenção foi começar pelo Nordeste por conta do grande número de casos de violações contra comunicadores na região.

As dinâmicas propostas pelos dois encontros foram mediadas pela Rede de Mulheres da Amarc. A representante nacional da Rede, Ligia Apel, falou que o encontro buscou debater sobre a maior probabilidade das mulheres serem vítimas de assédios sexual e moral no ambiente de trabalho. Segundo Ligia, todas as 22 participantes já sofreram algum tipo de violência durante o exercício profissional.

O próximo passo da Artigo 19 será analisar a pesquisa realizada com as radialistas e propor atividades que fortaleçam a presença das mulheres nos meios de comunicação. Além disso, a intenção do projeto é também ampliar o debate sobre a questão de gênero para a esfera administrativa das emissoras e para o poder público local. (pulsar)

1 de ago2016

AMARC Brasil na Jornada de Lutas Rio 2016 contra os Jogos da Exclusão

por deniseviola

amarc - jogos da exclusao
Na próxima quarta-feira, dia 3 de agosto, a Associação Mundial de Rádios Comunitárias (AMARC) realiza uma roda de conversa sobre os meios de comunicação comunitários e independentes no contexto dos Megaeventos Esportivos no Brasil. A atividade faz parte da Jornada de Lutas contra os Jogos da Exclusão 2016, que ocorre de 2 a 5 de agosto no Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da UFRJ.

Diante de um histórico de repressão e violação de direitos d@s comunicador@s comunitári@s, a AMARC Brasil debate o direito humano à comunicação no contexto dos megaeventos esportivos e do Golpe à democracia no Brasil.
Debates, Rodas de Conversas, Vídeos, atividades culturais e uma rádio acompanhando e repercutindo o que não sai na grande mídia.
Diversas entidades que atuam na área da comunicação com a perspectiva da promoção dos direitos humanos se juntaram para amplificar os debates com a Rádio Jogos da Exclusão. Toda a programação da rádio-poste será gravada e disponibilizada na internet posteriormente. AMARC Brasil, CRIAR Brasil, IBASE e FASE estarão lá!
A “Jornada de Lutas” é um evento organizado por diversos coletivos do Rio de Janeiro que visa denunciar o legado de violações aos direitos humanos que a realização dos Jogos Olímpicos na cidade deixará.
Confira a divulgação do evento no Facebook: https://www.facebook.com/events/319508798438711/
Confira a programação da Jornada de Lutas: http://migre.me/ut5Nn

30 de jul2016

Mídia dos Povos chega ao Quilombo de Curiaú, em Macapá

por deniseviola
etnoturismonocuriau.blogspot.com

etnoturismonocuriau.blogspot.com

O projeto Mídia dos Povos vem com o objetivo de dar continuidade a uma série de encontros e oficinas promovidos em 2015 por dois projetos da Associação Mundial de Rádios Comunitárias (AMARC Brasil) junto de parceiros na Amazônia, no intuito de fortalecer e garantir o direito à comunicação no país.
Nossa aposta para o período 2016-2017 consiste em impulsionar a emergente rede de mídia transamazônica em direção a um diálogo mais intenso e uma auto-organização. A proposta é estimular o intercâmbio e proporcionar uma dinâmica de trocas em torno de conhecimentos tradicionais e midiáticos que se sobressaem em cada local, identificado-os junto com os próprios atores dos povos amazônicos.
Esse processo de aprendizagem mútua e de produções colaborativas consistirá em encontros presenciais no Brasil e na amazônia não-brasileira. A proposta temática, desenvolvida em parceria com diferentes ativistas e coletivos, trará tanto a aprendizagem técnica como estimulará a pesquisa e o intercâmbio entre os diferentes saberes locais do fazer midiático na floresta, contribuindo para uma melhor comunicação transregional da população. O primeiro encontro do ciclo de encontros do projeto Mídia dos Povos, irá acontecer entre os dias 3 a 7 de agosto a 12 km da capital do Amapá, Macapá, no quilombo do Curiaú. Este foi o segundo território quilombola reconhecido no Brasil, certificado pela Fundação Cultural Palmares em 1999. O território é conhecido pela cultura do tambor como o marabaixo e o batuque.
Por estar muito próximo da cidade, o quilombo sobre uma interferência direta dos costumes do modo de vida urbano e, de acordo com algumas lideranças locais, a juventude quilombola, na sua maioria, precisa se apropriar da sua própria ancestralidade.
A temática do encontro será apropriação de tecnologias para rádios livres e comunitárias. Além de debater estratégias para a comunicação dos povos tradicionais, vão ser criados espaços para diferentes oficinas, como construção de mini-transmissores de rádio. Além disso, todos os participantes terão espaço para oferecer oficinas e/ou rodas de conversa sobre algum conhecimento que queiram compartilhar com todos.
A convocatória dos próximos encontros será divulgada em breve. Ainda esse ano será realizado um encontro em Alter do Chão, no Pará e outro junto ao indígenas Mundurukus, em Itaituba, ambos no Pará. Para o ano de 2017 estão sendo programados encontros durante o Fórum Social Pan-Amazônico (FSPA) que vai acontecer em abril, em Tarapoto no Peru e em junho/julho em Tefé no estado do Amazonas.

30 de jul2016

MULHERES NEGRAS DE DESTAQUE SÃO HOMENAGEADAS EM MINAS GERAIS

por deniseviola

 

mulheres negras homenageadasAconteceu em 28 de julho a terceira edição do Destaque Mulher Negra, uma homenagem às mulheres negras brasileiras. O evento é realizado em Belo Horizonte pelo Fórum de Mulheres Negras de Minas Gerais, através do Centro de Referência da Cultura Negra de Venda Nova, Coletivo de Entidades Negras de Minas e Beleza Negra da cidade de Montes Claros.

 

De acordo com Monica Aguiar, do Fórum de Mulheres Negras de Minas Gerais, o objetivo é dar  visibilidade para temas como as desigualdades raciais, falta de oportunidades, diferenças salariais, estereótipos e violência ainda existente. A ideia é proporcionar a interação entre mulheres que atuam  em diversos setores e categorias da sociedade. Serão homenageadas  60 mulheres de vários estados do Brasil e municípios de Minas Gerais.

 

Monica lembra que a população de origem negra corresponde a 53 por cento da sociedade brasileira. Mesmo sendo maioria, essa parcela é constantemente sub-representada. E quando se trata de gênero o quadro fica ainda pior.

 

O evento marca datas importantes desta semana. Como o Dia Internacional da Mulher Negra, Latino-americana e Caribenha e o Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra, 25 de julho; e o Dia Internacional das Mulheres Africanas, no próximo dia 31.

 

Entre as homenageadas desta edição está Denise Viola, atual coordenadora da Associação Mundial de Rádios Comunitárias (Amarc Brasil). (pulsar)

 

Páginas:1234567...16»