28 de jun2013

Maré chama população carioca para ato contra genocídio nas favelas

por pulsar brasil

Manifestação na Maré contra a violência e por direitos. (Foto: Vânia Bento/O Cidadão)

O Conjunto de Favelas da Maré, no subúrbio carioca, convida a população do Rio de Janeiro a se solidarizar com as lutas de resistência à violência policial. Junto a organizações e movimentos sociais, moradores convocam uma manifestação para a próxima terça-feira (2).

Em nota, registram que o ato acontece em decorrência do “brutal assassinato de 13 pessoas” na comunidade. O documento destaca que os que vivem da Maré não querem que mais “mães chorem lágrimas de sangue” e repudia a criminalização da pobreza.

O texto salienta que a segurança pública é um direito. Porém, ao realizar operações policiais violentas, aponta que o Estado vê os moradores de favelas como “pobres sem nome e sobrenome”. A moradora da Maré Gizele Martins destaca que a favela é colocada à margem, mas faz parte da cidade. Ela afirma que, em meio às manifestações que ocorrem pelo país, os moradores da Maré estão sendo impedidos de protestar.

A comunicadora popular criticou o que ocorreu no último dia 20 de junho, quando houve uma desproporcional repressão do Batalhão de Choque ao protesto que tomou as ruas do Centro da capital fluminense. Porém, comparou com a situação da favela. Disse que no cotidiano da Maré as balas são de fuzil, e não de borracha.

A jovem questiona a política de pacificação do governo estadual de Sérgio Cabral (PMDB) e de José Mariano Beltrame, secretário de Segurança do Estado do Rio de Janeiro. E lembra que o aumento da violência policial na Maré coincide com o início da Copa das Confederações, quando as entradas da favela foram ocupadas pela Força Nacional.

A Maré possui 16 comunidades, onde vivem cerca de 130 mil habitantes. Nesta entrevista, Gizele fala sobre a criminalização dessa população pelo Estado e pelos grandes meios de comunicação comercial. Esses e outros temas, como a luta por moradia, saúde e educação, serão pautas da manifestação. Os participantes se concentrarão no dia 2 de julho, a partir das 15h, na Passarela 8 da Avenida Brasil, via que margeia esta favela carioca. (pulsar)

Clique, ouça e baixe o áudio:

Entrevista com a comunicadora popular e moradora da Maré Gizele Martins.

28 de jun2013

Movimento dos Trabalhadores Sem Terra fazem manifestação por reforma agrária no Distrito Federal

por pulsar brasil

MST protestou por reforma agrária nesta terça (foto:racismoambiental)

Integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) fazem manifestações, nesta sexta-feira (28), pela aceleração do processo de reforma agrária no país, bloqueando o trânsito em rodovias do Distrito Federal (DF).

Por meio da Agência Brasil, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) informou que cerca de 80 pessoas ocuparam, desde as seis e meia da tarde, os dois sentidos de uma estrada sentido à Goiás.

Outra manifestação ocorreu próximo à saída para a cidade de Planaltina no entorno do Distrito Federal, onde cerca de 60 sem terras protestavam. Mais cedo, de acordo com a PM, mais um protesto foi registrado próximo à cidade de Brazlândia, no Entorno do DF.

Em nota divulgada em seu site, o MST informa que entre as reivindicações também estão a democratização dos meios de comunicação, o fim do monopólio das empresas de transporte público do Distrito Federal, a promoção de um referendo popular sobre o uso de agrotóxicos e a criação e ampliação de escolas no meio rural.

No comunicado, o movimento acrescenta que os protestos de hoje fazem parte do processo preparatório ao ato de paralisação nacional de trabalhadores, que está sendo convocado pelo MST e por centrais sindicais para o dia 11 de julho.

As paralisações terão como objetivo destravar a pauta da classe trabalhadora no Congresso Nacional e nos gabinetes dos ministérios. Também visam construir e impulsionar as pautas que vieram das manifestações realizadas nos últimos dias em todo o país. (pulsar)

27 de jun2013

Manifestantes culpam polícia e Fifa por violência em protestos de Minas Gerais

por pulsar brasil

Repressão policial a manifestantes em Belo Horizonte (foto: Henriette Mourão)

O Comitê Popular dos Atingidos pela Copa (COPAC) de Belo Horizonte, grupo que denuncia os impactos negativos causados pela realização da Copa do Mundo na cidade, divulgou nota em que responsabiliza a Fifa e a ação da polícia pela violência ocorrida na manifestação desta quarta-feira (26).

O protesto terminou em conflitos entre policiais e um grupo de manifestantes. Há relatos sobre dezenas de pessoas feridas, todas civis. O estudante Douglas Henrique de Oliveira Souza, de 21 anos, morreu depois de cair do viaduto José de Alencar.

Cerca de 100 mil pessoas participaram do protesto. Os manifestantes se concentraram no Centro e se dirigiram ao estádio do Mineirão, onde a seleção brasileira de futebol venceria o Uruguai pela semifinal da Copa das Confederações.

Apesar da negociação ocorrida na véspera entre o governo do estado e movimentos sociais, alguns manifestantes começaram a forçar a barreira física montada perto do estádio e foram duramente reprimidos por policiais.

Para Amanda Couto de Medeiros, do COPAC, a ação da polícia foi desmedida e intolerante. Ela conta que em todas as manifestações ocorridas nos últimos dias, as forças policiais mineiras não têm sido usadas para garantir a proteção da população, mas para garantir a privatização dos espaços públicos em prol da Fifa.

Amanda criticou, ainda, o que chamou de “terror midiático” e a “dicotomia criada entre ‘manifestantes’ e ‘vândalos’”. Para ela, a resistência empreendida por alguns jovens diante da violência policial reflete a revolta após ações de abuso e repressão.

Em nota, o Comitê Popular afirma que, embora não promova nem estimule ações diretas contra o patrimônio, os chamados “atos de vandalismo” não justificam uma “ação de repressão que coloca a vida das pessoas em risco”.

Clique e ouça os áudios:

Amanda diz que a polícia é utilizada para garantir a privatização dos espaços públicos em prol da Fifa.

A integrante do COPAC critica “dicotomia entre ‘manifestantes’ e ‘vândalos’ “

 

 

27 de jun2013

Tramitação da PEC do Trabalho Escravo dá mais um passo no Senado

por pulsar brasil

No campo, extração de carvão para siderurgia é foco de trabalho escravo. (foto: reprodução)

A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do Trabalho Escravo passou hoje (27) na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ). Após pressão de ruralistas, a aprovação apenas foi possível após acordo que prevê a votação de dois projetos: um que defina o que é trabalho escravo e de outro sobre os processos de desapropriação de terras onde houver o crime.

Agora, a PEC seguirá para votação em plenário do próprio Senado. Ela será apreciada em dois turnos e precisará receber dois terços dos votos para ser promulgada. Se receber alterações, voltará para a Câmara Federal, onde recebeu o crivo dos deputados federais no ano passado.

A matéria enfrenta a resistência de parlamentares vinculados ao agronegócio. O projeto está tramitando desde 1995, e já entrou e saiu de pauta diversas vezes.  Uma proposta semelhante foi aprovada em 2003 e remetida à Câmara, onde o projeto mais antigo foi apensado.

O texto já chegou a ser aprovado anteriormente no Senado, mas tem de passar por nova votação porque em 2004, durante apreciação em primeiro turno na Câmara Federal, foi incluída a possibilidade de expropriação também de propriedades em áreas urbanas.

Neste mesmo ano, a comoção popular a partir do assassinato de três auditores fiscais e um motorista do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), durante fiscalização rural de rotina, reacendeu o tema. O episódio, que ocorreu no Noroeste de Minas Gerais, ficou conhecido como “Chacina de Unaí”.

No campo, a maior incidência de trabalho escravo está na criação de bovinos, produção de carvão para siderurgia, pinus, cana-de-açúcar, erva-mate, café, grãos e na extração de recursos minerais, madeira e látex. Nas cidades, em oficinas de costura, no comércio e em serviços domésticos. Casos na construção civil estão presentes no meio urbano e rural. Somente no ano passado, o Grupo Especial de Fiscalização Móvel do MTE contabilizou a libertação de mais 2 mil trabalhadores em condições de escravidão contemporânea. (pulsar/brasilatual)

27 de jun2013

Comitê Metropolitano do Xingu denuncia abuso policial nos protestos e ameaça por parte de militar

por pulsar brasil

Protesto exige tarifa zero em Belém (foto: J.R.Avelar)

Em uma nota pública divulgada hoje (27), o Comitê Metropolitano Xingu Vivo (CMXV) se manifestou contra “a postura das forças de segurança do Estado na repressão às manifestações populares em Belém, no Pará”. Também denunciaram ameaças de morte por parte de um oficial militar ligado ao prefeito da capital paraense.

De acordo com o Comitê, o governador do Estado do Pará, Simão Jatene (PSDB), e o Secretário de Segurança Pública do estado, Luiz Fernando Rocha, enviarem policiais sem identificação de nome e patente para acompanhar as manifestações.  Dessa forma, os manifestantes têm dificuldades para denunciar aqueles que são truculentos e exercem abuso de autoridade.

Um documento oficial da Sociedade Paraense de Direitos Humanos (SDDH), encaminhado ao Ministério Público (MP), denuncia que os policiais sem identificações ameaçaram nesta quarta-feira (26)  “quebrar” quem fosse para as ruas exigir melhorias para a cidade e o país.

Outra denúncia grave é sobre a ameaça feita por um oficial militar Wolfgang Endemann, ex-assessor do gabinete do prefeito de Belém, Zenaldo Coutinho (PSDB). De acordo com a nota do Comitê, em meio a onda de protestos, o militar teria usado perfis nas redes sociais para ameaçar de morte ativistas que saíram às ruas para se manifestar.

Em uma de suas postagens. o militar escreveu que estaria filmando manifestantes comunistas para “caçá-los” depois. Também escreveu que desejava a morte dos petistas e comunistas. O Comitê exigiu que ele seja responsabilizado judicialmente pelas autoridades do Ministério Público e do Judiciário pelo seu discurso de ódio.

O Comitê Metropolitano Xingu Vivo também declarou publicamente seu apoio e participação nas manifestações e anunciou sua pauta “em defesa dos povos indígenas, das florestas, de seus rios e contra os grandes projetos de hidrelétricas, hidrovias, mineração, agronegócio e monocultivos na Amazônia”. (pulsar)

26 de jun2013

Organizações sociais cariocas repudiam ação policial na Maré e pedem fim da criminalização das favelas

por pulsar brasil

Moradores protestaram contra operações policiais na Maré (foto:observatóriodefavela)

Uma nota assinada por dezenas de organizações e movimentos sociais do Rio de Janeiro condena a ação policial nas favelas da Maré que nos últimos dois dias deixou nove pessoas mortas. Também exigem o fim da criminalização dos moradores de favelas e de seu território, assim como a imediata desocupação das favelas da Maré pelas forças policiais.

A operação que foi iniciada na segunda-feira (24). A Polícia Militar do Estado do Rio (PMERJ) entrou na favela junto do Batalhão de Operações Especiais (Bope), armados com equipamentos de guerra, como caveirão, helicóptero e fuzis, e ocuparam o local.

A ocupação militar aconteceu após manifestação realizada em Bonsucesso pela redução do valor da passagem de ônibus, como as inúmeras que vêm sendo realizadas por todo o país desde o dia 6 de junho.

As ações da polícia levaram à morte de um morador na noite de segunda-feira (24). Um sargento do Bope também morreu na operação e a violência policial se intensificou, com mais nove pessoas assassinadas, numa clara demonstração de revide por parte do Estado.

No texto, as organizações ressaltam o tratamento diferenciado dado pela polícia quando as manifestações ocorrem em áreas mais ricas, como por exemplo na Barra da Tijuca, onde o Bope não esteve presente no combate ao arrastão que ocorreu na semana passada.

A nota também lembra que em dezembro de 2012 o Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (CDDPH) recomendou o fim da utilização de designações genéricas como “auto de resistência” e “resistência seguida de morte”. Ao invés desses termos, que justificariam a ação policial, defendem o registro de “morte decorrente de intervenção policial” ou, quando for o caso, “lesão corporal decorrente de intervenção policial”.

Em entrevista para o Radiotube, Jailson de Souza, coordenador da ONG Observatório de Favelas, que também foi atingida pelas operações policiais, questiona esses tipos de intervenções, que parecem um “ação de vingança”, que “não levam a lugar nenhum” e colocam a vida de pessoas inocentes em risco.

O governo federal também foi responsabilizado pelas organizações pelo que ocorre nas favelas cariocas. Isso por manter as tropas da Força Nacional de Segurança dentro da cidade, reproduzindo o mesmo modelo aplicado pelo governo estadual.  A nota está aberta para adesões de movimentos sociais e organizações através do e-mail (pulsar)

Ouça a entrevista que Jailson de Souza, coordenador da ONG Observatório de Favelas, cedeu a Jorge
Silva, do Radiotube.

26 de jun2013

MiniCom sugere que rádios públicas e comunitárias se tornem provedoras de internet banda larga

por pulsar brasil

Rádios comunitárias podem contribuir para serviço de banda larga em regiões do Norte e Nordeste (foto:Paulo Pinto)

Nesta terça-feira (25), o Departamento da Banda Larga do Ministério das Comunicações (MiniCom) chamou representantes de organizações das telecomunicações e de radiodifusão  para propor que rádios comunitárias e públicas possam se tornar provedores de internet. Estiveram presentes a Telebrás, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), a Associação de Rádios Públicas (Arpub) e a Associação Mundial de Rádios Comunitárias do Brasil (Amarc Brasil).

Como entidades sem fins lucrativos, ambos os serviços de radiodifusão, público e comunitário, poderão dispor de conexões sem fio à Internet sob a licencia Serviço Limitado Privado (SLP).

De acordo com o MiniCom, o licenciamento para os serviços seria simples e rápido e poderia ser feito em qualquer município do pais. Existem áreas, sobretudo rurais, que são classificadas como preferenciais, como Norte e Nordeste do Brasil.

A Telebrás explicou que poderão ser solicitadas licenças também em municípios onde já existem oferta do serviço por entidades comerciais. Francisco Zioguer, diretor comercial da Telebrás, acredita que as rádios poderão contribuir com maior alcance do serviço de banda larga se tiverem estrutura técnica e financeira suficiente.

No entanto, o custo da implementação do serviço varia de 4 mil a 16 mil reais, um valor alto para emissoras comunitárias que não têm fins de lucro. Por isso, seria necessário um projeto por parte de algum órgão público que garanta esse passo inicial.

Para Arthur William, representante nacional da Amarc Brasil, a possibilidade de oferecer o serviço em municípios com dificuldade de acesso à internet abre a possibilidade de reconhecimento do papel das rádios comunitárias no Brasil. No entanto, ele destaca que as comunitárias continuam sendo perseguidas dentro da sua principal atuação que é difusão de cultura e informação de suas comunidades.

Arthur também vê nessa proposta a possibilidade de criar alternativas para sustentabilidade das emissoras, já que , por exemplo, são proibidas de fazer publicidade. (pulsar)

Ouça os áudios:

Arthur William, da Amarc Brasil, fala sobre a possibilidade de comunitárias oferecerem serviço de banda larga.

O representante Nacional da Amarc Brasil fala sobre o serviço de banda larga e a sustentabilidade das comunitárias.

Francisco Zioguer, da Telebrás, fala sobre comunitárias e o serviço banda larga.

25 de jun2013

Reforma Política entra em pauta diante de crise da democracia representativa

por pulsar brasil

“É preciso radicalizar a democracia”, defende jurista. (foto: Wilson Dias/ABr)

Diante da onda de manifestações espalhadas pelo país, Dilma Rousseff  propôs a realização de um plebiscito sobre Reforma Política. Em questão, o próprio sistema de democracia representativa. A presidenta chegou a falar na convocação de uma Assembleia Constituinte específica sobre o assunto durante encontro com prefeitos e governadores dos 27 estados da federação.

Porém, após encontro nesta terça-feira (25) com representantes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Dilma  estuda outra possibilidade: a de realizar a reforma política via projeto de lei de iniciativa popular. Seriam necessárias um milhão e meio de assinaturas para que o texto chegasse ao Congresso Nacional. Nenhuma das duas opções exclui a realização da anunciada consulta à população.

Wadih Damous, presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB, avalia que existe “uma série de elementos da cidadania que hoje não está sendo contemplada”. Ele estará a frente do comitê de mobilização pela reforma política que a entidade acaba de criar no Rio de Janeiro.

Damous destaca que os protestos colocam o “dedo na ferida” e demonstram uma “crise da democracia representativa”, que limita a participação  ao voto.  Entre os principais pontos de mudança necessários destaca: o fim do financiamento privado de campanhas eleitorais; a revisão das “legendas partidárias de aluguel”; e o aumento de espaços de decisão popular direta a fim de “radicalizar a democracia”.

O jurista classifica as mobilizações pelo país como vigorosas. No entanto, demonstra preocupação diante da intolerância e da violência sofridas pelos  partidos políticos de esquerda que compõem as manifestações. Defende que a “forma partido como instrumento democrático não está superada”, mas precisa sim se aperfeiçoar. E explica que a posição nas ruas pelo “não-partido” fortalece grupos autoritários.

Em entrevista à Pulsar Brasil, Damous fala ainda sobre a violência da polícia militar, que promoveu repressão aos protestos e é uma constante “algoz das populações pobres, negras e faveladas”. Ele também critica a realização da Copa do Mundo de 2014 e das Olimpíadas de 2016, que “violam direitos humanos e ameaçam a soberania do país”. (pulsar)

Clique, escute e baixe o áudio:

Entrevista: Wadih Damous, presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB.

 

25 de jun2013

Sob pressão, governo suspende estudos para construção de hidrelétricas no rio Tapajós

por pulsar brasil

Mundukus se mobilizam contra barragens no Tapajós (foto: cimi)

Pressionado pela resistência dos indígenas Munduruku, o governo federal suspendeu as pesquisas da região do rio Tapajós para a construção de hidrelétricas. O anúncio foi feito durante reunião em praça pública no final do último domingo (23), em Jacareacanga, extremo oeste do Pará. Os pesquisadores que estavam em área indígena deixaram a cidade.

O ministro Gilberto Carvalho havia anunciado publicamente que não suspenderia nem obras, nem estudos. No entanto, a assessora da presidência da Fundação Nacional do Índio Lucia Alberg, afirmou que tanto o governo como a Funai estavam suspendendo qualquer pesquisa na região.

O chefe dos guerreiros Paygomuyatpu Munduruku disse estar feliz ao Centro Indigenista Missionário (Cimi) com a notícia, apesar de ainda não terem prova de que isso irá acontecer. No entanto, ressalta que não querem que os estudos sejam apenas suspensos mas cancelados.

Em maio e junho, os indígenas Munduruku realizaram um sem número de ações exigindo a suspensão das obras e estudos de barragens nos rios Tapajós e Teles Pires, onde vivem 13 mil pessoas do povo Munduruku. Dentre as ações, estão as ocupações que paralisaram as obras da usina hidrelétrica Belo Monte por 17 dias.

Também viajaram à capital federal, onde realizaram uma marcha e ocuparam a sede da Funai. Na última sexta-feira, expulsaram cerca de 25 pesquisadores da empresa Concremat, prestadora de serviços do Grupo de Estudos Tapajós, consórcio composto por Camargo Correia, GDF Suez e Eletrobras, entre outros.

Neste contexto,  os Munduruku sofreram um processo de criminalização, difamação e repressão por parte do governo federal. Notas públicas, declarações à imprensa e processos judiciais acusavam os indígenas de criminosos e mentirosos, questionando a legitimidade das lideranças Munduruku. Em resposta, os indígenas entraram com interpelação criminal contra declarações do ministro Gilberto Carvalho. (pulsar)

 

23 de jun2013

Passe Livre, sem-teto e movimentos da periferia farão atos em São Paulo

por pulsar brasil

MPL se une a movimento sem-teto e à periferia (foto: facebook)

O Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST), o grupo Periferia Ativa e o Movimento Passe Livre (MPL) convocaram para a próxima terça-feira (25), na zona sul de São Paulo, novos atos por melhoria dos serviços públicos e contra a violência policial.

A concentração às 7 horas na Praça do Campo Limpo e na estação de metrô Capão Redondo deve repetir as mobilizações convocadas na quarta-feira passada, voltadas para as regiões periféricas da capital. Guilherme Boulos, de coordenador nacional do MTST, explica que o movimento lamenta que as atuais manifestações estejam com pautas conservadoras. Por isso, estão organizando um ato com pautas claras e definidas.

A manifestação vai cobrar a desmilitarização da Polícia Militar, a redução do custo de vida e o controle público sobre os preços dos aluguéis. Na visão dos movimentos que atuam na periferia, a alta nos valores despendidos pelas famílias mensalmente em moradia torna inviável a habitação nas grandes cidades e agrava a pobreza.

Outra exigência é por saúde e educação, já que a Copa das Confederações aumentou a insatisfação com o investimento de recursos públicos em obras voltadas aos megaeventos. Além disso, os manifestantes vão promover a discussão sobre a “tarifa zero”, principal bandeira do Passe Livre.

A novidade em relação aos atos da semana passada na mesma região é justamente que o MPL estará concentrado na periferia neste dia. Nas últimas semanas, a necessidade de provocar a revogação do aumento da tarifa de ônibus, trem e metrô levou à concentração das manifestações no Centro. A militante do MPL Erica de Oliveira explica que conseguiram a revogação, portanto, o próximo passo seria a conquista da tarifa zero.

Em nota divulgada no sábado (22), com o título “Sobre a continuidade da luta”, o Passe Livre disse que não tomou a decisão de suspender os protestos. No texto, afirmou que “se antes diziam que baixar a passagem era impossível, a luta do povo provou que não é”. Também garante que transporte só será público de verdade quando for totalmente gratuito. (pulsar/brasilatual)

21 de jun2013

Forte aparato policial oprime manifestantes no Centro do Rio de Janeiro

por pulsar brasil

Polícia ataca manifestantes. (foto: arthur william/amarc)

O final da manifestação no Rio de Janeiro, na noite desta quinta-feira (20), foi marcado por uma desproporcional repressão do Batalhão de Choque. Balas de borracha, bombas de efeito moral e grandes carros blindados, conhecidos como Caveirões, ameaçaram os que foram às ruas. Alguns agentes também usaram armas de fogo.

Por volta das 19h, quando o protesto se aproximava da prefeitura, Centro da cidade, a iluminação pública caiu. Em meio ao breu, que o braço armado do Estado se voltou contra os que protestavam. O barulho das bombas era alto e trazia terror. Pouco depois, a iluminação foi restabelecida, mas o efeito do gás já sufocava os manifestantes.

Alguns não conseguiam abrir os olhos ou mesmo falar. Solidariamente, outros compartilhavam uma mistura de água e vinagre, e guiavam os que passavam mal. Crianças, jovens, adultos e idosos foram afetados. As bombas iam ao céu e se repartiam em três, caindo a muitos metros e em diferentes pontos da Avenida Presidente Vargas. Até mesmo um ônibus cheio de passageiros, que passava por um viaduto bem perto da Marquês da Sapucaí, foi atingido.

Desesperadas, as pessoas começavam a correr. Imediatamente, por causa do perigo de pisoteamento, outras gritavam “não corre, não corre!”. A investida da polícia militar não parava e a revolta de alguns, que já tinham feito fogueiras e respondido com paus e pedras, cresceu. Quando o alvo foi o Terreirão do Samba, onde são realizadas festas e transmissões dos jogos da Copa das Confederações, houve aplausos de alguns que estavam do lado oposto da larga via.

Muitas pessoas, principalmente jovens, começaram a quebrar agências bancárias, fachadas de prédios, placas de sinalização, lixeiras, câmeras de segurança. Na altura de uma biblioteca pública, ainda em construção, um grupo se uniu e clamou contra o quebra-quebra. Curiosamente, os mais exaltados respeitaram o pedido e partiram para outros alvos, como pardais de trânsito, lojas e lanchonetes de fast-food.

Ruas estreitas, laterais à Avenida Presidente Vargas, foram tomadas por tropas, o que impediu o livre escoamento das pessoas.  O cheiro de gás se sentia ao longe, dificultando ainda mais a volta para casa.  O gás foi tanto que entrou nos prédios, chegando inclusive a andares altos do Hospital Souza Aguiar. No cruzamento com a Rio Branco, outra importante via da capital fluminense, pessoas que andavam com seus cartazes e ainda gritavam reivindicações, foram surpreendidas por um Caveirão na contramão e mais bombas.

Nesse momento, já depois das 21h, foram ouvidos disparos de som diferente. Alertas como “é arma de fogo”, “é tiro de verdade” e “É o Bope!”, a famosa Tropa de Elite, despertaram uma correria tamanha que, dessa vez, não pôde ser controlada. Depois, era possível ver gotas de sangue pelas calçadas. No Rio de Janeiro, dados oficiais apontam que pelos menos 60 ficaram feridos.  Episódios de repressão também ocorreram nas Praças XV, Mauá e da Bandeira, nos arredores do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS), da UFRJ, onde estudantes se refugiavam, e nos bairros Lapa e Glória.

Algumas estações do Metrô Rio ficaram fechadas e apenas reabriram perto da meia-noite. Pessoas com medo buscavam abrigo em bares e portarias.  A violência chegou até Laranjeiras, já na Zona Sul da cidade, onde um grupo de manifestantes tentava chegar ao Palácio Guanabara, sede do governo estadual de Sérgio Cabral (PMDB).

As ações da polícia não pareciam tentar dispersar ou acalmar os ânimos, mas sim provocar as multidões. Por vezes, pessoas desconfiavam de agentes infiltrados, os P2, entre os que começavam as depredações.  Ainda durante o dia, antes de a polícia militar cometer estes atos de violência, agentes distribuíram panfletos que diziam: “Paz. Ajude-nos a proteger você”.

Clique e ouça o áudio:

Declarações de manifestantes que foram oprimidos pela polícia militar.

Fonte: Pulsar Brasil.

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